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Aquela Runner Obcecada

Aquela Runner Obcecada

E um problema virou mil !

Boa noite ,

 

Há quanto tempo não vinha aqui... Infelizmente pelas razões óbvias... Estarmos em plena pandemia e ao acréscimo da pandemia, estarmos a viver uma outra realidade.

 

Apeteceu-me vir aqui hoje (venham os críticos, I can deal with it)...

 

Mas vou fazer um resumo da minha experiência com o menino vírus e o quanto ele me levou ao ponto em que estou hoje.

 

Plena pandemia, estava eu a preparar-me para fazer a minha primeira prova de 1500 metros. Sonhava com a maratona de Valência, a minha primeira... Um sonho... Nas notícias falava-se do vírus, da doença SARS CoV-2... Covid... Corona (whateaver)... Na altura não parecia nada de mais, aliás houve quem gozasse com isso e nem desse importância... Bem, eu fui uma dessas pessoas... 

Até que... Estamos em Março, é decretado Estado de Emergência em Portugal... Eis que alto! O pessoal começa a perceber que afinal isto é grave. Grave ao ponto de levar inúmeras pessoas para o desemprego, grave ao ponto de proibirem ver os nossos entes queridos, grave ao ponto de parar a economia, educação, eventos... TUDO! 

Nunca ninguém imaginou, que virar a página do calendário, trouxesse um ano tão atípico, em que uma pessoa se vê privada de coisas que tinha como garantidas... O ir dar um passeio na rua, o ir a uma festa de aniversário, casar... Baptizar, competir... Meu deus . Que vírus letal é este que nos rouba mais que a saúde física, nos rouba a alma, a razão de viver?

 

A verdade, e a minha pequena introdução ao vírus é apenas para justificar como uma coisa pode levar a muitas pequeninas coisas...

 

Em Março, decretava-se o Estado de Emergência, e eu, não sabendo o ponto em que podia afectar a minha família optei por não sair de Lisboa ... (só voltei a casa dos meus pais em Maio e a última vez que os tinha visto tinha sido no Natal de 2019)... É duro. 

 

Pandemia querida, que me fizeste estar isolada de amigos e família durante meses, que me viraste para a única coisa que me preenchia o vazio de não ter os meus e que me fazia, sentir no mínimo, livre ou normal... Obrigada pandemia por me virares ainda mais para a corrida

 

Em plena pandemia eu corri como uma tola. Bi diários para aqui e para acolá... Sentia-me perdida mas sentia alguma coisa, nem que fosse o cansaço ao fim de um dia mais em que só ouviamos corona, mortos, hospitais cheios, crise ... 

Parou tudo certo? Lá se foi o tratamento aos dentinhos... E com isso vieram as infecções, e com elas as dores...

E como se isso não fosse suficiente eu continuava a correr como uma perdida... Porque não sabia o que fazer. Mil comprimidos ali, alimentação má como de costume, e ainda piorou, porque ir aosupermercado era uma aventura. Encontrar uma cenoura ou uma latinha de atum era como encontrar uma agulha no palheiro. As pessoas enlouqueceram, e eu própria devia estar louca, na minha nuvem mágica porque, sozinha em Lisboa, o que fazer mesmo senão enlouquecer sozinha?

 

A verdade é que tudo começou com uma pandemia, e eu ainda hoje não me sinto bem... Não sinto medo de ser apanhada pelo vírus (e quem me quiser julgar, que o faça)... Eu tenho é medo da falta de respostas, do mal que isto está a fazer na cabeça das pessoas e no mal que está a criar nas famílias e nas crianças, nos idosos que estão no lar, e que mal ou bem, viviam de um pouco do carinho de quem os visitava...

A mim afectou-me psicologicamente ao ponto de se virar para o físico. Consegui dar cabo de mim com o stress e por me sentir deprimida. As pessoas na sua essência têm mecanismos para se sentirem melhor (ou comem, ou ouvem música, ou falam com um amigo...) Eu refugio-me na corrida ao ponto de a corrida me deixar fraca, débil e sem saúde... Março e Abril, fiz mais de 500 km em cada mês... Dores de dentes e muito ipofrubenno e clonix, porque dentistas nem vê-los , pelo menos em Lisboa... Safei-me com o Gonçalo e a Catarina (bem hajam) porque em Lisboa cagam-te de alto a cima, bem podes espernear na clínica, porque só fazem teleconsulta . 

 

E eis que chegamos a Maio... Levantou-se o estado de emergência e voltamos a trabalhar (felizmente). Eu só queria trabalhar... Mas levei demasiado a sério tal tarefa que hoje estou, bem, para não dizer uma asneira... Literalmente destruída.

Em Maio atingi um ponto de ruptura, comecei a sentir fraqueza, falta de ar e quase a desmaiar nos treinos... Bem lá foi a menininha às urgências, fiz o exame ao COVID para despistar e voltei a tomar ferro e mais umas coisas, porque lá se suspeitou da anemia. Nessa altura parei uma semana de correr...

Eis que, volvida uma semana, já me sentia melhor, vou fazer a minha primeira corrida... E fui ambiciosa ao ponto de espetar 20 km a 4'09 .. Oh corajosa... Senti-me razoalvelmente bem... Mas só isso. Eis que na semana a seguir me aperecem duas lesões... Boa ... Resolves o problema das entranhas mas consegues fazer duas belas lesões. Quem nunca certo?

Após... 

 

Mais uma semana de molho...

 

Andei algumas semanas bem, depois de atinar com alimentação e treinos, eis que os dentes resolvem dar o ar da sua graça novamente... 

 

E porque quero falar nos dentes? Os dentes foram os responsáveis por eu estar aqui a digitar mil palavras, um pouco dispersas, porque sinto raiva. A culpa é inteiramente minha mas começou com os dentitos... Os dentitos que não tiveram assistência porque (covid), e eis que ganhei infecções ao ponto de andar com enxaquecas e não conseguir alimentar-me bem. Claro, e eu já comia bem de mais certo?

Em suma ... Excesso de treino, lesões, parar, voltar, parar, recuperar, descansar, não descansar... 

Os meus dentes obrigaram-me a parar, porque tinha dores que já não se controlavam com medicação e porque falo nisto , num dia, eu tomei 6 clonix, 2 paracetamol, um brufenn e o antibiótico... e tinha dores daqui até à lua. Sentia-me tonta, sentia vontade de bater com a cabeça nas paredes... Em contrapartida não tinha uma dor muscular... Mas enquanto lá doía menos eu treinava igual, porque queria, porque me sentia com essa necessidade...

Eis que resolvo o problema dos dentes... Nem é bom recordar a experiência mas se um dia quiserem saber perguntem... A minha única dica é ... escolham bem o vosso dentista. 

 

Entáo dentes ok ! Super check. Volvida uma semana tudo mega ok.... Sentia alguma fraqueza mas nada de especial...

Eis que , oi pernaaaaa. Alto que dói chuchu. Fonix. Mas o que fiz eu para merecer isto? Bem devo ter nascido para me queixar e ser mártir ( e hey, não é nada disso, quero apenas alertar, mas já lá vamos....). Ia ter a minha primeira competição depois de meses sem competir, mas não, após correr 9 km a 5 e sentir dores optei por parar ...

 

Bem, Miriam consciente, decide parar e ver o  que tem a perna, porque suponhamos, eu em 2018 fiz uma bela fratura e não  gostei nada... Portanto, Miriam tens 28 anos, comporta-te como adulta, ou pelo menos tenta.

Decidi fazer uma ecografia e para bem dos meus pecados, como parei uma semana já não estava mal de todo. Uma pequena inflamação dos tendões,  e boas notícias, melhorava a correr. Festejei tanto nesse dia e ainda mais bem comportada, só decidi correr no dia seguinte (até porque sentia-me de rastos). 

Por claras razões, não quis cometer o erro de voltar a treinar à maluquinha e começar com séries e treinos fortes e fui treinando... Mas continuava a sentir -me fraca... Comecei a tentar dormir mais... Não conseguia... Demasiado absorvida com o trabalho no tribunal e com as preocupações do dia-a-dia... (pagar contas, etc e afins e uma panóplia de lista de coisas para fazer)...

Cansaço extremo como nunca senti... E quanto mais penso nisso pior é... Mas sabia que não estava bem... Porque antigamente, mesmo que dormisse 3 horas, eu conseguia levantar-me da cama e ir treinar... E ultimamente não. Não era preguiça... Quem me conhece e percebem pelo ante descrito dos meus últimos meses, é que de longe sou preguiçosa... Eu não tinha forças para me levantar... Sentia tonturas às vezes no trabalho quando me levantava de repente... 

 

Bem , e aproveitei, que vinha 4 dias de férias para fazer umas singelas análises... Análises nada animadoras mas que são uma chapada de luva branca na cara ( até a minha avó deve ter análises melhores suponhamos).

 

Isto tudo para dizer e não, não me quero de todo justificar, a culpa é minha e assumo-a, mas acredito que se nunca tivesse havido esta maldita pandemia as coisas podiam ter sido diferentes... Porque eu reago às coisas de forma pesada, ou seja, eu levo o meu corpo à exaustão quando estou sujeita a um nível de stress tão grande que a única coisa que consigo fazer para relaxar é caminhar, correr, saltar... Já que beber um chá com uma amiga pode ser perigoso... 

 

I know, estou a exagerar, mas eu em suma, estes meses foram todos para o lixo, e acho que os próximos irão pelo mesmo rumo se eu não "crescer"...

 

Não me lembro de estar com uma anemia tão aguda como esta, em que nem força tenho para sair da cama, em que por muito que coma parece que não sai energia... Quem tiver anemia, vai entender o frustrante de só caminhar 10 metros parece uma maratona... E a verdade é que eu tenho treinado estes dias, tirando ontem, em que não tinha qualquer reacção, dormi o dia todo... 

Hoje fui, já passava do meio dia, e eu, batavalha-me na minha cabecinha... Estás claramente "doente" mas vais. E eu vou porque vou porque sim e porque eu é que mando... E fui... E sofri, e chorei a correr, e parei, e faltou-me ar, e porque sentia que ia a carregar duas de mim, e porque vi tudo meio nubelado... Durante esse treino pensei em mil razões para parar e apenas uma para continuar...

 

O saber que não estás bem é óptimo, mas o não saber como deves agir para ficar bem é horrível... Aliás tu até sabes... Mas não conheces outra forma de agir, não sabes como é lidar com uma doença porque nunca curaste nenhuma, pelo menos por ti. 

A Miriam... Nunca conheceu uma forma diferente de lidar com as coisas, porque apenas tinha de lidar e pronto.

 

Quando tive o acidente de kart e fraturei a coluna, a minha reacção foi : eu tomo um bruffen que passa (mal sabia eu que tinhas 3 vertebras partidas e quase a furar-me a medula), mas eu só queria ir trabalhar... porque precisava de dinheiro e tinha uma responsabilidade.

Tendo sido operada, e passadas nem duas semanas, andava eu a trabalhar (precisava de dinheiro para pagar a universidade) e eu precisava de viver a minha vida...

Passados uns aninhos em que comecei a ter problemas com ter ferrinhos nas costas (sou operada novamente), não satisfeita ,passadas duas semanas volto a correr e também com anemia ... e com isso perco 10 kg.

Corri com febre, já trabalhei com problemas graves no estomago e febres altas, já fiz uma corrida do início ao fim ( e "borrei-me" toda no sentido literal da palavra, mas acabei a prova)...

 

Corri sem energia e com falta de ar e mesmo ter parado por diversas vezes, mas lá conclui o treino mesmo sem fôlego...

 

Hoje escrevo isto para bater bem forte quando o escrevo, para entoar na minha cabeça, e para que alguém que esteja a passar por algo idêntico se reveja e pare antes que seja tarde. Escrevo porque sinto raiva de não conseguir por vezes lutar com a cabeça... Como é que alguém, com as respostas certas, consegue fazer tudo ao contrário? É como teres um teste e teres as respostas ao lado, mas escreves aquilo que tu achas que é correcto... Eu sou assim. Sei tudo mas não sei nada, sei a minha realidade e sei o quão angustiante é sair da realidade confortável que conheço. 

Por isso é que digo, eu medo do vírus não tenho... Mas tenho medo da incerteza. Honestamente é o que me dói mais... Não saber quando isto vai acabar, se algum dia podemos voltar à nossa antiga vida, que não era perfeita nem era nada de especial... Mas do mal ao bem, podíamos estar com as pessoas, abraçar quem gostamos, falar sem tapar os rostos... 

 

Hoje vivemos uma pandemia do medo, um medo inglório... As pessoas a voltarem-se umas contra as outras, a criticar o terceiro... A criar teorias da conspiração...

 

Bem... 

 

 

Em suma, o texto já vai longo, eu quero apenas dizer que, cuidem-se individualmente, sejam egoístas, tratem da vossa saúde, porque isso também fará com que estejam saudáveis para quem vos rodeia...Estejam saudáveis, pois não sabemos o que aí vem...

 

Infelizmente eu não estou saudável, não estou infectada, mas estou claramente vulnerável, por minha responsabilidade, por isso...

 

Be safe...

 

E se alguém que me leu este desvaneio deixe um comentário, mal não seja dicas de como lutar contra a anemia .

 

 

XXXX

Já voltei aos treinos? Vamos falar de canelites

Buuuua Tardxiiii 

-Não liguem que vou de férias e estou em colapso nervoso 

Hoje venho falar da minha última lesão. 

Canelites.

Como o próprio nome indica, e termina em "ite" (pressupõe inflamação). Canelite é o nome que se dá quando existe uma inflamação no osso da canela, da tíbia, ou dos músculos ou os tendões inseridos nesse osso. É frequente aparecer em pessoas que praticam desportos de impacto como a corrida, futebol, ciclismo etc.

A sensação que se tem quando se tem uma canelite é : ardor durante a prática do exercício, sensação de aperto, desconforto e a sensação que vos estão a espetar repetidamente com facas nas pernas. Pelo menos esta foi a sensação que tive e nem os anti-inflamatórios resolviam. 

Como algumas pessoas já notaram, já corri quatro vezes (em 3 semanas) , corridas essas que tenho intercalado com treinos metabólicos. Foram 4 corridas, sendo sem objectivos , somente para avaliar, até porque vou fazer uma semana mesmo off de correr por isso , so far, so good...

E eu estou em óptima forma graças a deus, e só quero chegar à nova época com pés assentes na terra e fazer o que me mandam, porque .... Estas corridas que fiz é melhor nem comentar  Mas pronto nem sinal das malditas ites , períostes 

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Agora perguntam vocês... 

O que fiz para tratar?

Absolutamente nada, ou melhor, parei de correr mal se tornou insuportável ao ponto de eu acabar a sessão de treino e não conseguir andar como uma pessoa normal , nem sequer se assemelhava ao andar de um pinguim acabado de ser atropelado, por isso... Sim estava mesmo mal. 

Efectivamente, a paragem deu-se a 14 de Julho, onde apenas fiz cerca de 1:30 de caminhada (ligeira), porque mesmo a caminhar sentia dores. Mesmo parada sentia dores. Nessa primeira semana fiz algumas vezes gelo, mas ao contrário do gelo convencional, por recomendação do meu namorado (aliás o pobre é que me aturou no dia das dores fulminantes), ele sugeriu  pôr duas pedrinhas de gelo dentro de um pano/lenço, e esfregar nas pernas, nas zonas afectadas até o gelo desaparecer por completo, escusado será dizer que ele é que fez isso a primeira vez (sou mesmo mimada ). Fiz isso 4 vezes, 2 a 3 x por dia consoante a minha necessidade, e fiz sessões de natação em regime livre - isto porque "je moi eu "não tem uma técnica incrível de nadar (pareço um verdadeiro pato a chapinhar na água), a resistência está lá toda, mas a técnica ... Deus me livre, porém, a natação, ajudou bastante na recuperação, porque fiz sempre com a água numa temperatura a tender ao frio, o que aliviou a tensão/pressão sentida nas pernas.

Por isso ok. Parei e não parei. Parar a 100 % não consigo, mas ao invés de abusar, procurei não me execeder e fazer sempre uma hora a uma hora e meia de natação, até porque a natação tem benefícios como manter a caixa/pulmões bem aprumados,  não tem impacto nenhum e consegue-se treinar todo o corpo. No entanto, há pessoas que não podem fazer natação.

Já na segunda semana, comecei a intercalar natação com treinos funcionais mal comecei a ver as dores a erradicar. Para quem me conhece melhor, sabe que estou a ser acompanhada na Metaclinic, e recentemente tive a primeira consulta com o Sérgio, que após a minha avaliação, recomendou/quase ordenou que eu fizesse reforço muscular (ai adoro) só que não. 

Decidi então pedir aconselhamento a uma amiga (também ela faz atletismo) dos exercícios que poderia fazer e fiz uma sequência - nada muito difícil, até porque eu voltar ao ginásio, só se me pagarem para lá andar. 

Ora eu fiz uma sequência de alguns exercícios que incluiram :

-agachamentos com salto;

-lunges;

-flexões;

-pranchas, abdominais isométricos;

-saltos à corda;

-tríceps no banco;

(...) entre outros básicos, e todos sem peso.

Só comecei a fazê-lo depois de sentir que já não doía nada. Ok?? E nessa segunda semana só fiz esse treino, um dia não fiz nada, os restantes nadei.

Depois decidi começar a fazer treinos mais metabólicos (comecei a fazer insanaty - com a duração máxima de 30 minutos e uma caminhada em que no caminho faço escadas para ganhar força e amplitude nos joelhos - e isto porque eu noto que a correr não levanto muito os joelhos, vou de arrasto, e subir escadas obriga-me a subir mais o joelho).

Em suma...

As canelites para tratar é uma coisa que só se resolve com descanso - não há fórmula ou comprimido milagroso... Consegui correr estes dias com um à vontade que já não sentia há imenso tempo, mas porque efectivamente parei. No meu caso, bastaram duas semanas para elas desaparecerem, no entanto tenho que salientar e reforçar que eu sempre tive e irei continuar a ter canelites. Geralmente é por volta do Verão que elas aparecem, e porquê?

Está mais calor, o sangue (no meu caso por ter anemia, que by the way está controlada) não circula tão bem. Ao treinar no Verão o corpo aquece bastante o que dificulta mais a circulação, tanto que eu optava por treinar ao fresco (de manhã cedo ou ao final do dia);

Em segundo, é quando o corpo já levou porrada o ano todo... E o meu corpito, coitado levou imensa porrada - como referi num post anterior, eu quando voltei da lesão foi pôr km e km a ver se dava a volta a Portugal. Só faltou ir às ilhas a nado...  Não tive um mês em que não chegasse aos 400 km, e o mais intenso chegou quase aos 600...

Não me lembro um ano em que não tivesse este problema... Por isso, eventualmente vou continuar a ter, mas certamente com cuidados mais redrobrados. 

Depois as canelites são assim um bicho feio que pode ser causado não pelo excesso de carga:

-passada  excessivamente pronada;

-calçado desadequado;

-pisos irregulares/ou correr sempre em alcatrão;

-falta de alongamentos;

-muita carga de treino não progressiva(aumento da prática desportiva sem dar tempo aos músculos para uma adaptação...);

-síndrome compartimental crónico ;

 

Por isso pronto...

 

Não sou fisioterapeuta, nem médica, mas é o 3 º ano em que tenho este "problema" . 

A primeira vez ainda tinha material orto na coluna (placas e estavam partidas) o que piorava a minha forma de correr;

O ano passado , demasiadas competições, ausência de descanso, excesso de carga e o diagnóstico na altura de síndrome compartimental da fáscia;

Este ano... Vir de uma lesão de 3 meses e treinar à maluca e anemia ...

 

 

Portanto, se sofres de canelite, PÁRA.

 

Sou a primeira a admitir que enquanto der para correr eu corro, mesmo lesionada, desta vez fui cautelosa porque senti os sintomas que senti quando fiz a fratura de stress no perónio. 

Enquanto é uma mera inflamação não há grandes riscos, o pior é quando insistimos em inflamar mais, ao sobrecarregar tanto o músculo , que este vai inflamar até sobrecarregar os ossinhos...

 

O meu conselho é que mesmo que seja canelite, ou não, uma dor que não é somente muscular, devem logo procurar opinião de um fisioterapeuta (de desporto e não convencional) - entendedores entenderão e parar de imediato.

 

 

E posto isto :)

 

 

Hoje é o meu último dia de trabalho , next stop Romeeeee

 

Mas amanhã ainda devo fazer uma corrridinha :p 

 

Beijinhos e bons treinos/férias malta gira

 

 

E deixem nos comentários (se quiserem)

Qual é que foi a vossa pior lesão?

O que fizeram para tratar?

E se já tiveram canelites .

 

 

*****

 

Miriam Martins

 

 

 

 

10 mitos sobre correr (na minha Perspectiva )

Buenas Tardes Peeps 

Com as férias judiciais, sobra-me algum tempinho extra para vir aqui ao blog escrever.

Hoje quis abordar um tema diferente, porque em conversa com uma colega de trabalho afirmou coisas acerca da corrida que não faziam sentido, ou seja, não corre mas baseou-se no artigo Y de médico X.

Antes de escrever, menciono que estes são alguns que conheço e ouvi falar e que outros digo que é mito por experiência própria, pode sempre ter essência de verdade para algumas pessoas . :3

 

1º Mito

As Grávidas não podem correr

A questão da gestação... Apesar de actualmente já se ver as grávidas a praticar desporto, ainda está muito enraizada a ideia de que as grávidas não podem fazer nada. É quase como se tivessem uma doença grave. No entanto, a corrida é um desporto de impacto, portanto na minha opinião é que no primeiro trimestre a mulher (se já tiver hábitos de correr) pode e deve fazê-lo, desde que devidamente autorizada pelo seu médico(a) e em intensidade e quantidades moderadas. É importante, quando se carrega uma vida, junto do médico perceber se pode ou não, pois existem casos de gravidez de risco. 

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2º Mito

Correr causa flacidez

Lembro-me que quando frequentava o ginásio, ouvir uma rapariga que levava muito a sério o tema da musculação e dizia que actividades como correr causavam flacidez. É inegável que a prática de corrida causa perda de massa magra, no entanto eu pelo menos não senti isso. Quando comecei a correr (estava mais gordinha) pesava uns 58 kg, perdi imenso peso, porém não fiquei nada flácida. Pelo contrário. Ganhei perna e tonifiquei bastante. Depende um pouco. Correr provoca sim catabolismo, por isso é importante fazer treinos de corrida variados (incorporar as séries, rampas, fazer técnica de corrida e exercícios complementares sem peso), consumir proteína suficiente e beber muita água. Por isso, eu falo por experiência própria que faço km e km e não sofri com isso da flacidez, pelo menos a nível das perninhas. 

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3º Mito

 

Quanto mais correr, e mais rápido, melhor será a minha performance

Este é sem dúvida para mim um dos maiores. Mais uma vez falo por experiência própria. Tenho o exemplo prático. No ano passado (2018) corria menos e a minha performance estava melhor do que neste corrente ano (já falei nisso em posts anteriores). No fim do ano de 2018 lesionei-me, e quando regressei às corridas meti mais km, mais velocidade e o resultado disso, foi que cheguei às provas com um nível indesejado de performance, ou seja, cheguei cansada, esgotadinha. É importante sim ter volume consoante as provas que pretendemos preparar, e ter treinos de velocidade. O que me apercebi, foi que abusei disso e a minha performance caiu porque exagerei na carga e na velocidade que colocava nos treinos. Não importa a quantidade, mas sim a qualidade. Por isso é importante ter um plano estruturado (corridas regenerativas, treinos de séries, treinos intervalados, treinos longos...).

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4º Mito

Pessoas de idade  não podem correr

Este é ridículo. Já ouvi médicos a dizer que os "velhinhos" não podem correr por causa das articulações. Vejo tantas pessoas séniores a fazer um jogging no seu passinho, outros mais audazes a correr bem melhor que muita gente novinha. Tenho que dar aqui o exemplo infra, o Senhor Arménio que é um atleta nato. Já fez atletismo no passado, mas continua muito activo e a fazer grandes provas. Recentemente fez a sua primeira Maratona ( a Maratona da Europa). É a prova viva de que a corrida na sua vida só lhe trouxe benefícios . Sou fã dele. É certo  que um corpo de 20 anos não é igual a um de 50 anos, mas como tudo na vida, há que adaptar e individualizar o treino de acordo sempre com a faixa etária, estilo de vida, entre outros factores.

A imagem pode conter: Arménio Neves e Miriam Martins, pessoas a sorrir, pessoas em pé, céu e ar livre

A imagem pode conter: Arménio Neves, a sorrir, em pé, sapatos e ar livre

5º Mito

Correr com muita roupa ajuda a emagrecer

Lembrei-me deste mito, ou melhor dizendo, lembrei-me de um senhor no ano passado que passou por mim a correr (em pleno Verão) , estava eu na minha semana de paragem, a caminhar e a falecer de calor (ia eu de t-shirt e calção), e, eis que passa por mim um rapaz/senhor, a correr em (visível sofrimento) com uma camisola polar, com um corta vento, leggings compridas e uns calções. Questiono-me se eventualmente não traria uma cinta por debaixo daquela roupa toda... Há pessoas que acreditam que correr (ou outro desporto), com roupas que aumentem a transpiração, emagrecem. Sim emagrecem de facto. Se se pesarem antes de ir correr e no final, irão ter uma grande diferença. A questão é que essa diferença de peso é só líquidos. Ao reporem os líquidos perdidos "ganham" peso outra vez. Correr vestido não faz perder massa gorda - mas uma dieta equilibrada aliada ao desporto, desde que haja défice calórico (gastas mais do que ingeres =perda de peso), é que fará a pessoa efectivamente perder peso.

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6º Mito

Correr no Inverno, com chuva e frio vai-nos fazer ficar doentes

Este é daqueles que me dá vontade de dar um tiro às pessoas que dizem que sou louca quando vou treinar com tempestade lá fora.

"Vais ficar doente!" ";"És doida, vais apanhar um resfriado que nem te conto." 

Normalmente quem diz isto são pessoas mais ou menos sedentárias e que não correm de todo. Falo por experiência. Mais facilmente fico com gripes no Verão do que no Inverno. Eventualmente o que me põe "doente", é, se após um treino à chuva eu ficar com a roupa molhada no corpo muito tempo... Noto que treinar em diversos ambientes, me tornou mais imune às gripes. Por isso, se a tua desculpa para não ir correr é : Está frio e a chover, arranja uma melhor. Se assim fosse, ninguém treinava no Inverno. 

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7º Mito

Quem corre, deve comer muitas bananas a fim de evitar cãibras

Bananinha. Nhami que bom (só que não). Eu não gosto muito, sou muito básica nas frutas e banana só consigo comer  se lhe colocar 1 kg de canela, mas como pelos seus benefícios, nomeadamente por ser uma boa fonte de energia. Quando se fala da alimentação de um atleta, a banana está sempre presente, mas é um mito quando se diz que se não a comermos vamos ter défice de potássio e consequentemente cãibras. As cãibras não surgem porque não comemos bananas (ricas em potássio). Aliás não é devido à falta do potássio, mas sim por falta de sódio e líquidos. E porquê sódio ? É um mineral que um papel primordial nos impulsos nervosos e na contração muscular, logo na falta deste, uma pequena tensão num músculo, pode levá-lo a contrair (a chamada cãibra). Por isso nunca tirem o sal da alimentação, o sal não é o vilão, mas a quantidade ingerida e quem corre deve ter sal na alimentação porque perde muito sódio.

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8º Mito

Devemos comer muitos hidratos de carbono antes de correr

Não necessariamente. Por norma antes de correr nem devemos empaturrar-nos. Há pessoas quando vão fazer a maratona (pela primeira vez) comem quantidades industriais de comida ao pequeno almoço, digo maratona mas falo nas provas ou corridas no geral, e na maioria dos casos, essas pessoas têm uma dor de burro. É essencial ter energia antes de treinar, especialmente se o treino for superior a duas horas, mas não é preciso comer uma quantidade absurda de corrida. Até porque é preciso algum tempo para se digerir a comida. Uma peça de fruta (a tal banana), é ideal, é prática e de fácil absorção e digestão, juntando uma fonte proteica (ovos) e estão prontos. Mas isso vai do conhecimento de cada um. Comer muito, em quantidade não vai ajudar, pode até prejudicar o treino. Após o treino sim, aí justifica-se comer um pouco mais. Mas antes só vamos ter dor de barriga.

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9º Mito 

Correr faz mal aos ossos, aos joelhos e às articulações no geral

Depende!!! Se eu correr com umas sapatilhas que não são adequadas ao meu tipo de passada, não tiver um treino devidamente estruturado e consistente, correr sempre no mesmo piso e tiver uma técnica de corrida péssima, aí sim vou estar mais vulnerável às lesões. No entanto, não é o correr que faz mal às nossas articulações. A corrida tem sim impacto nas articulações, mas fica mais gravoso se a pessoa tiver excesso de peso e não tiver orientação certa de como correr. Por isso, não é um mito absoluto, na minha opinião, e relativamente aos ossos, a prática desportiva ajuda a aumentar  a densidade óssea, desde que o façamos em conta, peso e medida.

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10º Mito

Deve-se alongar antes de correr

Não necessariamente. Ouve-se muito dizer que para evitar uma eventual lesão DEVE-SE alongar antes de correr mas não é verdade. Para evitar lesões, o ideal é fazer um aquecimento antes do treino principal (e aí sim alongamentos dinâmicos podem fazer sentido) e depois no final alongar bem. Alongar com o corpo a frio pode ser prejudicial e não benéfico.

 

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E pronto, foi isto e para vocês que correm , que mitos conhecem ou acham que são mitos e não verdades ?

 

Sintam-se livres de partilhar

 

Até à próxima

 

******

 

A importância de fazer RESET ao corpo

Buenas Tardes,

 

Em primeiro lugar (antes de vir sempre aquele ódio de que eu não percebo nada disto), quero deixar a ressalva de que este blogue apenas se trata das minhas experiências pessoais, não serve de exemplo e apenas serve para quem de alguma forma se identifica.

 

Posto isto, alerta dado let's go 

 

 

 

O nosso corpo é uma máquina certo? Uma máquina não funciona sem combustível, assim como passado um determinado tempo pede alguma revisão, mais não seja uma manutenção.

 

O meu carro quando atinge um nº de km vai precisar de óleo, filtros, eventualmente os pneus começam a ficar carecas e precisam de ser trocados... Etc. 

 

Então o nosso corpo também precisa de manutenção? Claramente que sim.

 

Ao longo do ano devemos fazer análises regulares, sejamos atletas ou não. Todo o ser humano precisa de ver se a saúde está em dia. 

 

E o atleta que passa o ano todo a competir?

 

A época desportiva tem várias fases. Existe uma altura em que a chamada época termina, épca essa que pode ser diferente para alguns atletas. Mas falando também do comum atleta de fim-de-semana, ou o atleta que basicamente treina para se manter saudável, o corpo precisa de descanso. Não falo daquele descanso pontual de uma vez por semana, mas sim aquele mais extenso (por norma 1 a 2  meses) dependendo da modalidade e da intensidade que o atleta aplicou durante a sua época desportiva.

 

Agora vou dar o meu exemplo prático...

 

Lesionei-me em Novembro, e retomei os treinos em fins de Janeiro e os meses que se seguiram traduziram-se num aumento de carga sucessiva. Apesar de ter progredido, cometi erros crassos (nomeadamente não seguir um plano de treino), ou seja, limitei-me a correr o que queria, quando queria e as vezes que queria. Sem interrupções. Posso dizer que o meu mês mais intenso foi Março (550 km)  e o mais calmo foi Junho (410 km). Em termos de competições fiquei aquém do que pretendia e do que valia mas também não fiz muitas provas:

 

Corrida da Mulher em Março - 19 minutos em que estava a voltar, mas estava com uma carga intensa (mais de 500 km desde a lesão);

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Fiz a meia de Ílhavo em Abril (1hora24min);

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Fiz a corrida da liberdade em Lisboa, Abril, em que fui primeira da feminina geral, com o tempo final de 39 minutos na distância de quase 11 km;

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Fiz a meia maratona de Cortegaça que foi em Maio, em que desmaiei no final (anemia instalada, mas terminei a prova após parar 7 vezes com o tempo final de 1hora29min;

 

Corrida EDP - A mulher e a vida (5km) com o tempo final de 18:51 mas sendo TOP 10 com excelentes atletas a nível nacional e duas estrangeiras

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Fiz 4 provas de pista pela primeira x:

 

10 km - 39:14

5 km - Meeting de Lisboa, em que estava muito bem , fiz mínimos para os campeonatos de Portugal de pista - 18:07

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5 km regional de Aveiro com imenso vento -18:57

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3 km regional de Aveiro com imenso vento - 10:55

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Basicamente não competi "Muito".

 

O que retiro destes últimos meses é que gostei imenso da experiência em pista porque é diferente de correr em estrada, é preciso saber sofrer mais, é necessário saber correr na pista (táctica, gestão, técnica...)

 

Fiz no geral mais bons treinos que boas provas.

 

No entanto, considerações à parte, não posso dizer que fiz uma boa época desportiva porque matei-a logo quando me lesionei, e este mês comecei a ver a minha vida a andar para trás.

Depois de fazer os regionais de pista, fiquei sem tomar o ferro para a anemia (não vou dizer a razão de ter deixado de tomar) e o que se passou foi o seguinte:

Fiz uma prova que não contava fazer (os 5000) ao invés de 1500, o que já provocou logo um desgaste físico nesse fim-de-semana e considerando que já levo mais de 1000 km nas pernas desde a lesão, uma anemia era tudo o que não esperava e começou a trazer as primeiras consequências (cansaço extremo, insónias, tonturas…)

Mesmo assim, queria fazer os 5000 nos campeonatos de Portugal e como tal, continuei a puxar pelo corpo e fazer os treinos como no resto do ano, logo tive que me esforçar o dobro para conseguir treinar.

Até certa altura tive rendimento. Estava efectivamente a andar bem nas séries mas comecei a sentir dores fortíssimas nas canelas.

Quem já me conhece, sabe que no ano passado por esta altura, fiz uns exames à circulação venosa e foi-me dito que tinha síndrome compartimental crónico, tendo o médico sugerido operar, no entanto, pedi uma a opinião ao fisioterapeuta, que me aconselhou a não fazer qualquer intervenção cirúrgica, porque eventualmente ficava boa durante alguns meses mas que seguramente tinha muita probabilidade de ter o mesmo problema mesmo operando, passados uns meses. A par com isso tinha dores nas canelas…

Neste momento que escrevo isto, vou na minha segunda semana sem treino (de corrida). Tenho optado por nadar, caminhar e fazer algum reforço ligeiro só para manter o corpo activo. Isto porque eu no dia 13 de Julho, a fazer o meu penúltimo treino de séries até à prova dos 5000 decidi que não podia arriscar uma lesão mais grave... Mas não foi uma decisão leviana... Fiz o treino nesse dia, nesse dia andei a chorar que até fiz uma ferida debaixo dos olhos ...

Nesse treino (que não era difícil),  consegui não fazer o que me propus (sofri no aquecimento, nas séries que fiz que eram apenas 3 e com 3 minutos de descanso e o pior, é que sofri na descompressão, a correr devagar, descalça e na relva…

No final do treino tinha as pernas (desculpem a expressão) “bambas”. Sentia uma dor tão aguda, queimação, como se tivesse alguém a espetar facas nas pernas. E a dor não passava. Estive cerca de 10 minutos sentada na relva sem conseguir alguma reacção das pernas e pus-me a pensar…

“Que raio estou a fazer a mim e ao meu corpo?” – É que o pior nem eram as dores, mas sim o ter dores e ainda ter tomado um anti-inflamatório. Tudo maus  sinais! Se tomas um medicamento para as dores, é suposto elas diminuírem um pouco… Digo eu...

Nesse dia e após ouvir o meu namorado e o colega de que não adiantava massacrar,   mais que isso, pensei, porque raio ia arriscar uma lesão? O objectivo passaria para ir fazer a prova a dar o meu máximo, o meu melhor...Até ia conseguir chegar ao dia e fazer a prova, contudo ia sofrer bastante e não ia competir no meu melhor. Obvio que a intenção não era ganhar às melhores atletas nacionais, mas sim fazer uma marca melhor do que a que fiz na primeira vez que me estreei na pista nesta distância.

Eventualmente fazia a prova sim, fazia um tempo igual ou pior e talvez fizesse uma fratura de stress nas duas tíbias e quiçá… Mais uns meses parada, não 3 mas mais… Valia a pena o sacríficio?

Foi isso que pensei …

Chorei imenso nesse dia, pensei 30 vezes se sim ou não (o que demovia eram as dores nas pernas sem correr). Eu sou a pior pessoa para ouvir os sinais do corpo, mas felizmente consegui ir contra a minha teimosia e dizer não! Não e não. A cabeça é um pilar importante num atleta, mas não basta isso.

Temos que estar focados, temos que nos conhecer, saber e entender as necessidades do nosso corpo. Não fazer o treino porque está lá na agenda, mas nesse dia caíste das escadas e estás todo magoado, mas vais porque está lá… Eu confesso que sou dessas. Posso estar com um pouco de gripe, ou ter acontecido algo que me prejudique na saúde, vou igual. Fiz isso na meia de Cortegaça e o corpo deu todos os sinais com uma semana de antecedência. Que fiz eu ? Fui na mesma. O que fiz na prova? Fui até ao fim. Que repercussões teve a minha teimosia em não ouvir o corpo? Uma febre, um dia a menos no trabalho, frustração, perda de sinais no final da prova…

Por isso sim. É preciso ter uma grande capacidade mental e de força (não física) mas mental para fazer treinos, provas sem ceder aquele sofrimento característico… Mas há o sofrimento em que :

-sofres agora mas recuperas depois;

-sofres, voltas a sofrer e no dia a seguir ainda sofres…

Quer isto dizer…

 

Atletismo de competição não é saudável.

Desporto em excesso não é saudável.

É preciso parar algumas semanas para o organismo se “preparar” para outro mesociclo. Cada vez mais fico consciente da importância do papel do descanso. Efectivamente estive de férias nessa semana em que decidi parar… Mas o mais  grave e flagrante é que não estava a trabalhar, só a comer e a dormir. Por isso seria de esperar estar bem recuperada para treinar... Mas até sair da cama era um acto heróico.

 

Por fim...

 

A importância de fazer um RESET ao corpo vai além dos benefícios físicos... 

 

É importante a nível psicológico e porquê?

Chega a um ponto de meses e meses a fios de treino, em que o desgaste físico sente-se. Mas e o psicológico?

Quando treinas bem e os resultados ficam aquém do que treinaste isso desgasta. Pelo menos eu senti-me assim estes últimos meses. Mesmo fazendo 30 por uma linha, deveria estar melhor nas competições... Chegava ao ponto de não me sentir bem mentalmente para fazer uma prova. A ansiedade incontrolável, aquela paixão íntreseca não estava tão vincada... Eu comecei a sentir pressão, não dos outros, mas de mim própria. Queria exigir do meu corpo tudo e mais alguma coisa... Isso a nível psicológico é frustrante porque queres tanto uma coisa que fazes de tudo mas fazes tudo mal... 

No outro dia publiquei uma foto com esta citação (minha by the way) ...

Know yourself is the first step to you Don't Be responsible for your failure, so it's About time to focus on that really matter... You. 
When you learn how deal with your Mind issues you became your own heroe not your enemy. 

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Acho que este ano não sabia bem o que queria. 

É importante ter os objectivos bem definidos. Ora, eu queria voltar logo a competir após a lesão, ora eu queria fazer meias maratonas, ora queria fazer pista, ora queria fazer provas de 10 km... Mas afinal o que é que eu queria? Nem eu sabia, queria fazer tudo e nada.

Não me encontrei nestes últimos meses, basicamente andei a vaguear e a treinar sem cabeça... Simplesmente não sabia o que queria, não estava focada em nada senão em recuperar... Mas recuperar o quê e para quê? 

Simplesmente quis voltar e quando voltei, cometi muitos erros.

Por isso PARAR.

A importância de parar serve para regenerar o corpo e serve para refletir naqueles dias em que estás sem correr para pensar:

-porque corres?

-quais os teus objectivos de correr?

-o que é que procuras atingir a curto/médio/longo prazo?

-o que correu mal?

 

Isto serve não só para a corrida mas para o resto dos desportos.

 

Neste momento com a minha segunda semana off de treino tenho a cabeça mais assente, estou visivelmente mais recuperada, sinto-me fisicamente melhor apesar de continuar activa mas a um ritmo moderado tendo em consideração que estou a tentar recuperar da anemia... Mas acima do bem estar físico e psicológico, sinto-me mais madura, mais consciente do que quero. 

Fui assistir aos campeonatos de Portugal neste fim de semana e dei por mim triste por não poder ir... Poder podia... 

Mas no 2º dia comecei a pensar ...

Vi a prova na qual eu eventualmente ia correr e pensei...

Se eu estivesse aqui hoje como estava na semana passada ia SOFRER, ia penar por um tempo de merda ...E pensei ... Em condições normais faria um tempo exelente mas neste momento não estou.

Um atleta não é obrigado a estar a 100 % o ano inteiro. Nem os grandes estão sempre no máximo das suas capacidades. O que dizer de amadores que dividem o tempo pela carreira profissional, não tem estágios e apoios, outros que têm filhos para criar, estudam e afins?

Estou mais madura.  Digam sim ou não, mas eu sei que estou.

Orgulho-me de dizer que me lesionei por uma coisa facilmente recuperável, porque agora a conversa podia ser diferente, eu podia ter optado por ter ido aos campeonatos e dizer neste post , opa lesionei-me com uma fratura e fiz um tempo de merda... E vinha aqui chorar baba e ranho.

Então eu orgulho-me por finalmente ter parado antes do "Tarde demais". Abdiquei de algo que queria muito mas que sabia que não estava em condições para o fazer bem porque sei que que tenho as capacidades para fazer "X", porque raio me iria contentar por fazer "Y"? Só para dizer "Hey estive presente nos campeonatos mas arrastei-me?".

 

Por isso, pessoal viciado como eu...Ou que por outras questões acha que parar não é importante, é importante sim.

A vida não é só correr. 

Confesso que ainda tenho pancas em treinar todos os dias mas cada vez menos , não vou ficar mais ou menos gorda por isso, não vou perder a forma com umas semanas de descanso, muito pelo contrário.

Pessoal que pensa que se estiverem uma ou duas semanas sem correr vos faz perder a performance, esqueçam... Nada disso. 

Já dizia o meu fisioterapeuta que me tratou da fratura (TODOS OS ATLETAS DEVEM PARAR NO MÍNIMO, SUBLINHO, MÍNIMO , 1 vez por mês para ficar OFF - façam caminhadas ligeiras, deem um passeio de bicicleta, façam uma meditação, uns alongamentos, uns exercícios básicos... Esqueçam o tal desporto de competição uns tempos) .

Não é saudável nem é sustentável, especialmente se não fizeres disso a tua vida profissional.

Tenho colegas que à minha semelhança, lesionados há alguns tempos, continuam a treinar condicionados com medo de perder a forma... Mas estagnaram...

De que adianta treinarem condicionados? Não ganham nada com isso, senão ficarem frustrados por os resultados não aparecerem... Pior que isso, vão acabar por criar problemas que podem não ter solução...

 

E o post já vai longo :) 

 

Por isso quem estiver a ler, se se indentificar de alguma forma e se neste momento está de férias, aproveita para  dar uns dias de folga ao corpo. Deixa-o "engordar", deixa-o ficar de "papo para o ar", deixa-o respirar de alívio após meses e meses a pedir-lhe esforços insanos...

Ele merece, a tua cabeça merece...

Tirei esta foto após vir dos campeonatos e vinha muito animada :) . Custou no primeiro dia, no segundo já só pensava nos benefícios de ter parado e que vai valer a pena. Especialmente porque além do RESET ao corpo, está a ser uma desintoxicação à cabeça. Vou voltar com tudo, mas com regras.

O nosso bem estar precisa disto como precisamos de oxigénio para sobreviver.

 

E com orgulho acabo este post a dizer que estou super mega feliz por não estar a colapsar da cabeça por não correr e ansiosa por ir de férias com o meu namorado e passar uma semana só a desfrutar da vida, a passear, sem ter que me preocupar em acordar cedo para treinar ou sem me chatear com as calorias que vou ingerir. A vida não se resume a treinos e trabalho... A vida é tão mais que isso.

E dedico-te a ti este texto gigante (meu querido namorado), um pouco em tom de desabafo para agradecer o bem que me tens feito e que mesmo que aches que não, os teus conselhos vão entrando devagarinho a um pace de 7 minutos ao km na cabeça oca... Vão devagar mas vão fluindo. E claro pela GRANDE paciência que tens em me ouvires a chorar e a lamentar... Agradeço-te tanto, mas tanto, que não consigo pô-lo em palavras... Mas acho que lá no fundo tu sabes, mesmo que não acredites que não ligo nenhuma ao que dizes.

E posto isto boas férias <3

 

Sejam felizes ****

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maratona da Europa

Boa Tarde,

 

Hoje venho falar da minha experiência sobre a Maratona da Europa, a qual se realizou no pretérito dia 28 de Abril na cidade de Aveiro, que modéstia à parte, foi a cidade onde nasci e a qual eu estimo bastante.

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Já tinha estado em Aveiro na semana anterior, para participar nos 10 mil de pista, por isso, ir novamente a Aveiro para participar tornou-se equacionalmente impossível (porque uma pessoa não nada em dinheiro).

No entanto, em conversas paralelas com o Frederico Lázaro (aquele meu sócio da corrente/chicote) , o mesmo disse que ia a Aveiro e que eventualmente iria fazer o percurso dos 21 km . Ora, após a corrida da Liberdade na quinta feira, comecei a equacionar com quem iria fazer o meu treino longo de domingo, e dei por mim a constatar que estavam todos a participar de alguma prova nesse dia, ou a trabalhar.

 

Sinceramente, não me apetecia correr sozinha naquele domingo, talvez pela razão de eu estar ansiosa com o facto de amigos meus irem fazer a maratona pela primeira vez, e porque também tinha os meus conterrâneos de Aveiro (os quartas) , o Vitinho, o senhor Arménio, o Eddy e tantos outros a participar da prova.

Na sexta feira de manhã coloquei a hipótese de ir a Aveiro ajudar o Pedro na primeira metade do percurso, e falei com o Fred de ele ajudar na segunda. Plano exelente para ambos. Para mim, para o Fred e para o Pedro. Só faltava a boleia, o que consegui com a ajuda da Catarina Coito (que infelizmente já não pôde estar presente), tendo me colado ao Miguel dos Iron Brothers que iria no sábado. Até aqui tudo alinhavado. No sábado foi fazer o passeio matinal (14 km a esticar as patas) e partir em direcção a Aveiro. Foi tudo a correr, que nem almocei .Tudo sem um planeamento específico, assim como só avisei a minha mãe no dia que iria a casa, tentei arranjar um dorsal para a prova dos 21km durante a viagem ... Adiante...

Passemos à parte propriamente dita, mais relevante, ou estou aqui a narrar toda a logística.

O dia da Maratona, ou ... "THE BIG DAY"

Não dormi muito, passei a noite toda a ver Gossip Girl, tal é o vício e acordei às 6:30 da manhã. Pedi um dos carros ao meu pai, peguei numa maça e numa bolacha, dois cafés, quitada da T-shirt dos 10 kapas e bora lá rumo à Veneza Portugueza.

Primeiro problema mal cheguei :

- Tive de deixar o carro longe da partida ... E eu ok, é quase um km até lá. Já faço um aquecimento e depois é só encontrar o Pedro e a Paula por causa do dorsal. O problema é que não sabia quem era a Paula e pronto... Já estavam reúnidas várias pessoas junto da partida, perto da hora chave, quando decidi ir sem dorsal. Ainda tive que pedir ao outro Pedro que me guardasse a chave do carro, porque super inteligente que sou, fiz a mala à pressa no sábado e não trouxe uns calções com bolsos.

Por questões éticas não usufrui de abastecimentos durante a prova (antes que me critiquem por ir sem um dorsal) nem no final , nem no início. 

Entrei no bloco de partida B à socapa, e mais uma vez, assumo inteiramente a responsabilidade de agir de forma incorrecta, fui no sentido único de ajudar um amigo, beneficiando de companhia de várias pessoas para treinar.

E...

Soa o tiro de partida!!!

Sem grandes atrasos, sem grandes confusões (apesar de um pacer ter caído no início), partimos a caminhar e lá arrancamos em direcção ao objectivo... 

Começar e acabar ali (bem essa não era bem a minha meta) , não está ainda nos meus planos de atleta amadora fazer uma maratona, quanto mais sem preparação específica.

E lá fomos, eu o Pedro e muitos mais. 

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Estava um dia propício à prática desportiva, pouco ou quase nenhum vento, uma manhã meia húmida e algo abafada e a animação era uma constante (pelos menos os primeiros km).

 

E fomos.

O objectivo seria :

5km a 4'20

os restantes entre 4'10 a 4'15 

Eu ia acompanhar o Pedro por 21 km. 

Mas quis o nosso amigo entusiasmar-se e fugir-me de início, mas estás perdoado : D portanto os primeiros parciais fugiram do objectivo e vou deixar aqui os parciais.

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E postos os parciais, vê-se que eu fugi ao que tinha estipulado (21 km)...

E não consegui, não sei se foi pela adrenalina, se foi por estar a correr em casa, por estar a sentir-me solta... Não deu para parar. Sentia-me bem e o Pedro estava a ir bem. Obviamente comecei a pensar que fazer muitos mais km do que estes que eu fiz já era um atentado aos objectivos que me compremeti a fazer, por isso mal tive a oportunidade, quando surgiu um grupo pequenino que rondava o ritmo alvejado pelo Pedro, com muita pena minha "abandonei-o" ali aos 27 km com a sensação que podia ir até ao fim, mas consciente que não podia fazê-lo. Afinal esta luta era dele e ele ia conquistá-la. E disso não tenho dúvidas e não me enganei.

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Por isso ok foi um treino mega longo (que depois eu tive que voltar para trás e aí fui a pé) mas decidi ao longo da prova e porque senti que faltou o apoio, os gritos, o público, dei por mim a BERRAR : "Força!" "Não desistam." "Vocês são grandes" e o berro mais dado foi o "Bora láaaaaa até ao fim ". Gritei aos Vicentes, aos meus conterrâneos, gritei e bati tantas palmas quando podia. 

Depois veio um senhor guarda ter comigo (ups) a perguntar-me se estava bem, porque tinha desistido se eu estava tão bem, que já tinha informado que eu era a primeira mulher ....

E eu ... Ups. Recebi palmas e palmas por "ser a primeira" na maratona, mas acreditem que não sendo merecidas essas palmas para mim, foram um boost de energia para os que iam ao meu lado. 

A maratona é a prova de estrada, em que a energia dos atletas é mais movida pelo apoio e força dos que os veêm ali a percorrer uma larga distância, do que mais pelos géis energéticos. Acreditem. Nunca fiz nenhuma, mas aquele grito de "Tu és capaz! Força!" é o suficiente para levantar alguém que já vá de rastos. E por isso lá fui eu, ao longo do resto do percurso, gritar feita galinha histérica pelas pessoas que via pelo caminho.

Quero deixar a ressalva de que encontrei um quarta no km 38 e fui com ele a pé ...Tinha o pé a sangrar, contava-me ele que tinhasido operado algumas vezes... Tinha a mão inchada também de uma intervenção e fomos falando... Da superação, da razão que não nos deixa parar. Tinhamos algo em comum, o facto de não nos deixarmos vencer por operações do demónio. E mais, não desistiu. Tinha a filha na meta a aguardar a sua chegada.

Acreditem que nada, nem ninguém nos pode impedir de fazer ou realizar um sonho...

A prova disso...

Os iron brothers. Consegui chegar a tempo de os apanhar no último km, no último fôlego, saí do nada e  fui atrás deles e mais uns quantos se juntaram. Bem visível o sofrimento do Miguel, já estava um calor do caraças (Eraquase uma da tarde quando cheguei) ... O calor sentia-se (aliás eu já estava com um belo bronze) ... 

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Aquela chegada, aquela luta final do Miguel e do Pedro até à meta, foi lindo de se ver. Uma verdadeira luta. Via-se na cara do Miguel o sofrimento, mas sentia-se a alegria de estar a conquistar a primeira maratona com o irmão Pedro. Opa... Juro, só visto de perto. Foi lindo e emocionante. A visão deles a chegarem à meta após vários percalços foi só única. 

Podem segui-los aqui:https://www.facebook.com/IRONBROTHERSTRI/

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Nunca fiz uma maratona é verdade, mas vivi de perto, o que é fazer uma, e claro ficou aquele sabor amargo " e se eu tivesse feito 42 km?" mas isso para já seria o coração a falar... A minha paixão pela corrida...

 

E após isto tudo (breve resumo sendo certo ) onde estava o Pedro??

Será que tinha conseguido?

 

Eis que encontro o senhor Arménio e o Vitor, também eles tinham terminado e dei-lhes um forte abraço ! Que orgulho. Especialmente no senhor Arménio, 65 anos, a sua primeira maratona. Idade não é desculpa. E o Vitinho? Lesões? Um trabalho, uma família para cuidar, e lá estava ele de peito orgulhoso com a sua medalha... Ele e mais quantos foram buscar a almejada medalha, tantos quantos, não sendo profissionais, são meros corredores de fim de semana que o fazem porque gostam. Nem tudo são recordes, prémios ou troféus...

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Quão grandioso é o troféu de se ter superado um ser humano?

 

Após abraços e cumprimentar alguns colegas (o João também ele da escola de Coimbra) 

Tinha que falar nele... Tinha falado com ele há uns dias, ia fazer a segunda maratona dele após 3 semanas (tinha feito já um tempo canhão em Roterdão) e ali estava ele fresco que nem uma alface, pronto a subir no pódio no seu escalão com mais um tempo canhão...

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E depois eis que finalmente vejo um carrasco (O meu Fred!!! Desculpa Paula ahahah, ele é o meu carrasco no bom sentido, muito me dá na cabeça e tem se revelado um ser humano incrível) Dei-lhe um abraço tal felicidade de o er (afinal já estava farta de caminhar desde  a Praia da Barra e farta de berrar, parecia uma claque singular, mas desafinada e desidratada ( não roubei água a ninguém) . E pergunto pelos Pedros...

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O Amaro...

Opa acabou , acabou, meio mal mas acabou, houve um momento em que quebrou muito mas algo lhe deu e parece que ressuscitou...

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Pois é ...

 

O Pedro tinha feito a primeira maratona em 3 horas e 02 minutos!!!

Quão orgulhosa. Volvidos uns anos atrás comentava com ele :

"Opa este mês tenho 350 km " e ele "Opa ... eu este mês tenho 70 km..." 

Para no ano a seguir se meter nesta aventura e treinar afincadamente. 

Acordar cedo...

Fazer longos ao domingo...

Suportar as sovas do João ...

Se não é amor é doidice .

 

Falo por mim, falo por eles, falo pelo Pedro, falo pela força do Homem...

Não existem limites. 

E o Fábio Lima, veio a Aveiro comer sushi, ovos moles e pôr mais uma maratona nas pernas... É só a 10 maratona minha gente .

A Inês, no sábado conheci-a e estava tão nervosa, como contente e arrasou por completo os 42 km, e ainda se fartou de se rir para as câmaras a atrevida :D

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Podem seguir aqui :

https://www.facebook.com/Umrunnerafazerdeconta/

E em suma ...

A Maratona da Europa foi uma surpresa muito boa. Céptica sim , foi uma prova realizada em cima do joelho, mas vindo da GlobalSport ... Só podia sair coisa boa. Existem sempre erros, claro.

Explicar às pessoas ( pronto) aquelas pessoas que não vivem a corrida, mas a veêm como um impedimento de fazer o seu quotidiano normal .

Verifiquei que as pessoas não sabiam bem por onde haviam de se desviar, houve algumas pessoas que reparei chateadas...

Abastecimentos, nada a apontar (atenção não os fiz) , sempre com água em todo o lado, e quando retornei a pé, ainda havia bastante água, bebidas isotónicas, fruta ... E muitos voluntários

A tshirt ( Não tive nenhuma não é ) Abdiquei do dorsal, mas são LINDAS...

A medalha só a vi de rompante, linda !! 

Falhas...

Apesar de ter achado o percurso muito fácil, não sendo eu de Aveiro e conhecer bem a cidade, achei acessível e acho que a "venda " de percurso plano foi conseguida, apesar de muitos dizerem que não. São ligeiras subidas, na maior parte do percurso é tudo plano... Mas em termos de percurso, sinceramente, a passagem na auto-estrada é só deprimente (Não se vê viva alma, nem um grupinho de animação ... Se vão pôr uma passagem longa ao longo da A25, por favor metam lá grupos a animar... Ou então para a próxima um percurso alternativo ... Aveiro não é assim tão pequeno.

Os pontos de partida (eu consegui entrar, por isso foram mal controlados)

Controlo durante a prova algo fraco (pareceu-me ver pessoas a cortar caminho mas posso estar equivocada, mas batotas existem sempre certo?

 

Mais que isto não posso acrescentar, porque só fiz 27 km ... 

Não estava inscrita mas fiquei surpreendida pela positiva.

E em modo de conclusão (isto porque tenho séries daqui a nada ) o que dizer...

Orgulho é a palavra que define o que vi no Domingo ao ver os meus amigos a chegar ao objectivo (sendo próximo ou não)...

 

Todos terminaram...

Todos sofreram...

Todos viveram, sentiram cada km como se fosse a prova toda... Foram meses de preparação e sacríficio para muitos, muitos com ambições elevadas e que após se desiludiram por não corresponder ao suposto...

A esses eu digo, não é, nem nunca será uma prova, uma acção que define o valor de uma pessoa nem nunca deverá dar azo a desilusão mas sim a procurar ser melhor do que eram ontem, pegar no erro e levá-lo como aprendizagem, tirar partido dele e fazer dele uma glória. Somos humanos, não somos máquinas, mas o ser humano é capaz de muito e eu vi muitos a superarem-se...

 

E posto isto...

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A todos os maratonistas e os que estiveram presentes, bora lá treinar e serem felizes que a vida passa a correr ...

 

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XXXXX 

 

 

 

 

 

Falsos Moralismos

Bom dia 

 

Hoje o post é sobre opiniões.

Estamos num país democrático, logo toda a gente é livre de ter uma opinião sobre um assunto, assim como determinada pessoa é livre de "consumir" o conteúdo que pretende.

Porque digo isto?

Por um comentário um tanto infeliz aqui no blogue, de que estou sempre com a mesma conversa e que ninguém quer saber, quando a última publicação que fiz foi sobre a questão das lesões e como às vezes devemos tê-las para tomar consciência das coisas.

Se esse comentário me afectou? Um pouco, mas não ao ponto de passar uma noite sem dormir por ele. Porque a vida ensinou-me que não devemos levar a peito o que as pessoas pensam de nós. Essa pessoa (que não se identificou tal é a cobardia), que coloque as mãos na consciência e pense...

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Conheces-me assim tão bem que devas formular que eu venho com falsos moralismos? Conheces-me assim tão bem para conhecer o meu background todo para trás para falar? O direito à opinião, acaba quando não conheces de todo a pessoa que estás a julgar. Nunca ouviram dizer : "Não julgues o livro pela capa?"  

Eu posso ser repetitiva quando digo " É desta vez que vou melhorar."  E tu que leste a minha última publicação és livre de não ler as minhas publicações, se ninguém quer saber, porquê dar-te ao trabalho de tentar atingir-me com um comentário tão negativo? Em que te acrescenta a nível pessoal?

Posto isto , e porque de certo me compremeti a mudar, e bem sabido é, que o meu problema (sendo de foro psicológico) , de facto fiz mudanças.

1º Tive uma consulta psiquiátrica que pese embore não tenha corrido da melhor forma, seja porque tive de rebuscar o meu passado e aperceber-me que ao longo destes anos fui pressionada a ser perfeita e porque tive que me desenrascar sozinha, pelo facto de a relação com o meu pai no passado não ter sido a melhor, pelo facto de a minha mãe não ter conseguido lidar muito bem com o meu problema, e digo isto, e sublinho tenho imenso orgulho nos meus pais e não mudava nada. Nada. Muita coisa mudou desde então, mas esse facto ajudou-me a ser a pessoa que sou hoje. Lido com os problemas à minha maneira e tenho sobrevivido assim e não é isso que me faz melhor ou pior que alguém...

Em suma , nessa consulta que tive, apenas aprendi que durante anos fui uma pessoa pressionada a ser boa em tudo, a ter boas notas, a ser boa trabalhadora, a desenrascar-me sozinha... Cresci assim com todos os obstáculos e a cair muitas vezes e levantar-me outras tantas, porque a vida é assim. Não me queixo. Simplesmente reflito.

Pressão da sociedade acho que é algo que vai ficar enraizada... Acho que o comum mortal, na sua maioria nasceu para criticar o outro só para seu bel prazer. 

Já me disseram que eu sou uma idiota, que tenho a vida perfeita, que não tenho razões para me queixar, mas como seres humanos nunca estamos satisfeitos. Podemos ter muito dinheiro, o melhor emprego do mundo, a melhor família e amigos, um corpo bonito, que vai sempre haver ali um "e se" ... 

Não é queixinhas ou lamentos...É a forma como me sinto. Ninguém deve apontar o dedo a alguém e dizer-lhe que é egoísta porque sim. Eu se não estou bem é porque alguma coisa é.

Portanto, falsos moralismos temos todos. Sou a primeira a admitir que também critico colegas meus, que correm e cometem erros crassos e sou a primeira a admitir que eu os faço repetidamente, mas procuro aceitar as críticas e seguir conselhos.

A consulta na psicóloga ajudou-me só a perceber o rumo que devia tomar... Quem eu sou, o que quero. E decidi que deveria procurar além da ajuda psicológica, procurar ajuda a nível nutricional, uma vez que eu neste momento voltei a ganhar fobia de comer. Isso é crime? Ter uma recaída? Devo ser criticada porque infelizmente não consegui lidar estes últimos tempos com uma coisa tão banal que é  alimentação?

Depois da lesão que tive ganhei fobias, normal. Mas também tenho consciência delas.

Então decidi marcar a primeira consulta de nutrição, orientada para o meu objectivo (que é o meu). Se prefiro ser magra, é uma opção minha e com a qual me sinto bem. Se quero além disso ter uma boa performance a nível desportivo? Sem sombra de dúvida, daí eu ter decidido abrir os cordões à bolsa e investir num bom profissional.

Aliás, se estamos mal em dada altura da vida, devemos ser nós, ao invés de terceiros ter iniciativa para dar o primeiro passo para mudar.

Portanto, falsos moralismos está o mundo cheio deles e cada qual lida como quer.

 

Posto isto, fico-me por aqui hoje. Não tenho escrevido tanto estes últimos tempos, porque tempo é algo que não me assiste.

 

E que a pessoa que escreveu o comentário "Ninguém quer saber..." . Eu também não estou preocupada em saber quem és e nem quero perceber o objectivo do comentário, tens bom remédio, deixar de ler. 

 

Escrevo porque gosto, por mim e se alguém se identificar boa, porque a vida é mais que sermos cruéis uns para os outros.

 

 

Até ao próximo post 

 

*****

Se praticas deporto e gostas, lê este post

Todos os atletas, sejam profissionais ou não deveriam passar por alguma lesão na vida...

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Calma não me matem já... eu quando digo as coisas é porque tenho um fundamento para tal e com esta publicação quero explicar o porquê...

Disse à minha mãe que se o meu exame (raio x) corresse bem voltava a escrever no blog. A verdade é que os últimos meses foram complicados, não queria falar com ninguém, andava deprimida, revoltada com a vida... Dou um exemplo do período em que estive de baixa médica:

Quando finalmente já podia caminhar (Meados Janeiro)um certo dia, dia esse que as temperaturas estavam bem bem negativas,tinha tido um péssimo dia na fisioterapia, estava exausta (caminhar e nadar cansa), tinha sede... Tinha ido caminhar ao frio e não sentia as mãos... Queria abrir uma garrafa de água e não conseguia. Tive um ataque de ansiedade que me tomou naquele momento em que tentei abrir a garrafa. Comecei a hiperventilar, a dizer asneiras, irritei-me ao ponto de quase partir a louça na banca ...Porquê? Não conseguia abrir  a merda de uma garrafa...

Outro exemplo que se passou antes de eu ficar de baixa, que ocorreu no primeiro dia em que tinha iniciado o meu primeiro tratamento de fisioterapia(thank god que foi só um ou não estava aqui a escrever ). Nesse dia estava capaz de me atirar das escadas rolantes...Porquê? Não conseguia ir para as escadas porque estavam demasiados rápidas e estava a adaptar-me ao uso de uma bota ortopédica, que é só limitadora, e claro tinha-me sido dito no dia anterior pela fisiatra que com sorte e paciência só voltava a correr em Março...

De certo vocês que leêm isto já sentiram na pele a sensação de impotência. Sabemos o quão horrível é, ou seja, sentir que és um estorvo, um atraso, alguém que não acrescenta utilidade à sociedade, sentires que és um coitadinho e quase que te querem levar ao colo... Não te sentires tu ... Não tens a tua energia...Tu não és tu quando te tiram algo que gostas... O pior é quando isso condiciona a tua vida no geral... E nesse dia ao é das escadas rolantes, estava ao telefone com a minha mãe a chorar, a pô-la a chorar a 200 e tal km porque eu não conseguia descer as escadas rolantes.Aquele momento ali a chorar, aquela frase do fisioterapeuta que ressoava na minha cabeça(isto porque eu disse que iria continuar a trabalhar) e ele disse: "Recuperar? Disto e a trabalhar? É possível...mas boa sorte que vai demorar..." 

Uma fratura de stress is no big deal... O problema é quando tu não fazes vida do atletismo somente e não te podes dar ao luxo de te dedicar a um tratamento XPTO, em que o foco é recuperar a 100% e não recuperar a meio gás entre julgamentos...Não és um profissional, logo só por aí é impossível gerir a recuperação de forma leviana. 

Pior fiquei quando  após o drama das escadas, após finalmente ter conseguido descer até ao estacionamento, porque demorei cerca de  10 minutos a chegar ao carro. E mais estúpida e ridícula se torna a situação, pela forma como lidei com ela nesse dia (desespero insano, idiota,chorar compulsivamente e dar berros no carro..também dei um soco na coxa para completar a dor emocional) ... Eu não conto tudo certo? Alguém  com ansiedade vai entender este comportamento...mas adiante

Nesse dia perdi 3, quase 4 horas ...Para ir fazer um tratamento de ($%@€♤) de uma hora...  A voltar para o Tribunal comecei a pensar e a tentar equacionar formas de rentabilizar o trabalho e a recuperação... "Como vou fazer julgamentos de bota e muletas?" "Como é que vou trabalhar se tenho que estar em pé, sentada?"

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, os funcionários judiciais têm que se mexer (e não é pouco). Simplesmente cheguei à conclusão que eu não ia conseguir ser produtiva, ia acabar por atrapalhar os outros porque ia depender deles e eu não queria. Tomei a decisão dificil de que não bastava apenas deixar de treinar... Eu tinha que parar de trabalhar. 

Quem me segue há algum tempo sabe que eu após ser operada depois do acidente comecei a trabalhar depois de duas semanas e sem reabilitação física (sem ter as vértebras consolidadas) . Aquando da segunda operação (novembro de 2017) tive alta no próprio dia, estive três dias de cama e uns dias depois já estava a trabalhar e passada uma semana estava a correr.

Conclusão...

Há lesões e lesões...

Há as lesões por algo que não controlamos (neste caso o meu acidente) e há as lesões pela negligência que damos ao corpo.

Não é segredo nenhum que eu de certa forma lido com dor... Dor física no caso é o meu ponte forte, isto porque já fiz provas doente, já fui fazer 20 km a 4'19 após ter apanhado um vírus e estar a vomitar o dia anterior sem me conseguir levantar, fiz uma ou duas provas com dores insportáveis nas pernas após me ser dito que tinha sindrome compartimental crónico, já corri debaixo de sol (36 graus com essas dores nas pernas), já fiz treinos de séries após ter caído no dia anterior e ter deslocado um pouco o ombro, lixado o joelho e pisado o queixo... 

Lembro-me que fiz o meu primeiro trail à séria (26 km) , ter caído ao 7º km, ter dado uma cambalhota por ali abaixo e choramingar 2 minutos e pedir para não chamar ninguém, levantar-me com o joelho embatatado a sangrar como se não houvesse amanhã e completar a prova ... Sem água...

O porquê de eu ser assim não sei... É mais a cabeça a dizer-me para não desistir... Mas quando me dói mesmo é porque dói... Mas esta última lesão que tive não sei bem ao certo como fiz. Pode ser tudo e nada, mas o que me levou a chegar ao ponto de "OK. NÃO CONSIGO." foi o facto de eu ter ignorado aquela dor... Foi simplesmente ignorância. Associei ao facto de ser uma coisa que poderia ser normal (tinha feito quase 500 km em Outubro) cheguei a 11 de Novembro com quase 200 km... Claramente aquela dor era só o corpo a dizer (andas a abusar sim mas não é nada de grave). Grave, grave não foi. Grave é quando te magooas ao ponto de não conseguir fazer nada o resto da tua vida. 

 

Onde quero chegar com isto?

 

Por muito que sejamos resistentes às dores, ao cansaço muscular e tudo quanto o corpo nos grita (ABRANDA)... Temos que entender determinados sinais que o corpo nos dá antes de ser tarde demais...

E eu digo que todos os atletas devem ter isso presente (nomeadamente sofrer uma lesão) para poder conhecer melhor o próprio corpo, as suas limitações, a forma como recuperamos (o tempo, tratamento...) para no futuro criar uma base de defesa para não voltar a acontecer. Pode soar um pouco estranho mas este mês e meio em que estive parada, quase a arrancar cabelos, a ser insuportável e negligente, perdi imenso tempo a pensar nas coisas e na forma como lido com elas. 

Se me perguntarem se foi fácil para mim estar parada este tempo ovbiamente que irei ser frontal e dizer que não, não foi. Foi duro e só tinha uma pequena fratura de stress num osso insignificante. Imaginem se tivesse sido uma fratura no fémur (o quão desesperada iria ficar)... Se me perguntarem se fiz tudo certinho? Irei novamente dizer que não.

Logo no primeiro exame rx que fiz em Novembro (muito antes de saber que tinha uma fratura) devia ter sido inteligente e não inventar... De facto disseram-me que tinha uma inflamação... Que eventualmente decorridos 15 dias voltaria a correr, mas esperta que sou decidi contrariar e fazer exercício igual - não consigo correr ok! Mas posso ir ao ginásio. Fazer o quê? Bicicleta dizia o médico, mas não especificou...Logo bicicleta o cycling está incluído ... 

Já estão bem a ver...

 

Cycling impõe que te ponhas em cima da bicicleta a suportar o teu peso, logo, eu mesmo sem correr consegui agravar a inflamação... Verdade seja dita, fiz as aulas e senti imensas dores no tornozelo... Mas obrigava  a minha cabeça a afirmar que era uma mera inflamação... De certo iria passar após tomar o anti-inflamatório...

Já sabem o resto da história... 

O que aconteceu em suma foi ignorar todos os sinais físicos que o meu corpo me dava e tentar convencer-me que não era nada de mal... Que iria passar como sempre me passou... 

Foi diferente neste caso. 

Já fiz pequenas microruturas, inflamações, distensões... E tudo passou... Eu pensava que aqui ia ser diferente.

 

E agora o cerne da questão...

 

Porquê ? Porque é que um atleta (seja ou não profissional) deveria passar por isto?

Para ser responsável. Para ser respeituoso com o seu corpo. Para aprender que não, não somos nós que mandamos, mas sim as nossas necessidades. 

No dia em que comecei a ter as dores o meu corpo pedia apenas uns dias de descanso... Só isso (Miriam por favor abranda um dia ou dois... Não vais morrer por isso...) Mas teimosa e má como sou para comigo mesma ignorei-o... E sabem que mais... O meu corpo sofre demasiado...

Seja porque como mal e obrigo-o a passar horas sem comer...

Seja porque o obrigo a suportar horas e horas de exercício ... (sendo franca e brutalmente honesta, em Janeiro consegui fazer cerca de 350 km só em caminhar, fora a natação e isto com parcas calorias por dia...)

Seja porque sofri um acidente e o crucial para mim era trabalhar e estudar e não estar de repouso na cama

Porque tive anorexia nervosa e tenho porque continuo com pensamentos e comportamentos errantes que fazem com que o meu corpo clame por ajuda...

Seja porque eu ignoro o cansaço e ao invés de tentar dormir penso nas preocupações e nas incertezas e nas inseguranças...

 

Eu sou o meu próprio inimigo e escrevo isto, não como forma de dizer : - hey olhem para o meu mau exemplo - e não o façam!...

Não...

Escrevo isto para dizer que uma simples lesão me fez pensar tanto e afectou tanta gente que isso fez-me descer um pouco à terra.

Prometi à minha mãe que iria à consulta de distúrbios alimentares... Prometi a pessoas que me importo...E no fundo eu devo isso a mim. O que eu sofro faz sofrer as outras pessoas...No dia em que perdi as estriveiras por causa das escadas rolantes consegui pôr a minha mãe a chorar...

Consegui pôr a minha mãe a chorar um dia em que lhe liguei desesperada a dizer que a fisiatra me disse que não podia fazer desporto nenhum e lhe disse vou deixar de comer. Nesse dia não comi nada mesmo... Aliás a raiva que sentia era superior a qualquer fome ...E a partir daí a minha alimentação ficou ainda pior 

Neste último mês restringi-me fortemente ... Bebi água como se não houvesse amanhã e entupi a cabeça de pensamentos estúpidos. Todos os dias a ver no espelho e a tirar fotos de comparação a ver se tinha engordado ou não... E querem saber? Eu nem sei se engordei, se emagreci... Simplemente estou numa fase em que não me estou a aceitar...

E por isso esta lesão foi importante...

Não só para me dar uma lição... Mas para me fazer tomar uma decisão importante de procurar ajuda ao fim de 10 anos... 

 

O meu medo não é o que os outros pensam de mim, mas é de mim. Porque sei quão instável e perdida eu posso ficar das ideias...Ser incoerente e tratar mal as pessoas sem sequer me aperceber. 

Uma lesão física faz-nos pensar nas razões pelas quais chegámos a ela e isso parece dramático, contudo, aprendemos muito. Mindset... Eu até acho que fui muito resiliente a aceitar que tinha que efectivamente estar parada.

 

Dia 30-01-2019 

 

Primeira corrida do ano.

Primeira corrida após a lesão.

Felicidade define.

Eu adoro correr... A razão? Vai além do benefício emagrecer ou não ter que me preocupar com o peso... 

Eu adoro correr porque me faz sentir viva, me faz ser uma pessoa melhor, resistente a tudo e todos e capaz de fazer mais e melhor. Correr faz-me sentir realizada. Não são só as endorfinas. Não é só o facto de quase ter perdido a mobilidade com o acidente que gosto...

Corro desde que aprendi a gatinhar... E a sensação de ser livre e ser eu mesma sem ter que me preocupar com os problemas. 

Há quem diga que sou maluquinha (ou vais correr à chuva, granizo, calor e tra tra...)

 

Não é uma coisa que se aprende só a gostar. Há pessoas que aprendem a gostar e as que nascem com uma paixão que acorda em alguma altura da tua vida... E eu lembro-me desse dia.

 

E pronto...

 

Espero não ter sido demasiado confusa e incoerente... Escrevi aquilo que me ia na mente.

 

E aqui fica o registo de ontem :) e see you num próximo post num blog perto de si, aos pacientes que leêm os meus desvaneios e aos apaixonados da corrida como eu. . E pornto vou ali correr , porque tenho todo um ano para poder fazer aquilo que gosto sem me lesionar 

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******

 

 

Miriam Martins ... 

Lesões - Como lidar com elas quando o lesionado és tu?

Uau...

 

Há quanto tempo não escrevia por aqui. Funny fact. A partir do momento em que a tua vida dá uma volta de 360 º e te vês minada de tempo eis que começam a persistir prioridades e manter o blogue activo não foi uma delas.

 

No entanto, com a aproximação das férias de Natal e estando com algum tempinho livre (isto porque também tive mudanças a nível interno no Tribunal) eis que aqui me encontro a escrever e atento o título deste post bem... Bora lá..

 

Não sei bem como começar. Sei que neste momento um turbilhão de emoções passam na minha cabeça, mas em modo cru e nu digo :

ESTOU LESIONADA.

 

Uau. Miriam... Parabéns, volvido um ano em que estavas parada (não por razões que assistem à tua responsabilidade mas porque tinhas de ser operada) eis que te encontras lesionada por estupidez e negligência.

É certo e sabido e quem me conhece que eu não sou de 8 nem 80 ... É até ao limite, é até partir, doa o que doer a gente insiste...

 

Mês de Outubro foi um mês intenso . Fiz quase 500 km (465 km para ser mais exacta) e bem a pessoa não anda a treinar para fazer maratonas mas adiante...

Novembro...

Mês em que atingi o apogeu da minha forma, estava a treinar bem (porém em excesso também) e com uma alimentação, diga-se de passagem nada exemplar, isto porque eu continuo assombrada com o passado e com receio de engordar e o que aconteceu nos últimos meses foi que ter aumentado o peso (mesmo que quase nada) isso mexeu comigo e vieram à tona aqueles pensamentos : "Estás mais pesada o teu rendimento vai ser pior." "Estás visivelmente mais gorda as pessoas vão comentar e vais passar mal." "Estás mais gorda, logo tens que perder o peso para ontem." . E porque razão falo isto?Foi talvez a razão principal, locomotora para facilitar a lesão (falarei adiante de que tipo de lesão é....). Isto porque a minha cabeça, quando no que concerne ao peso e imagem corporal, ouve vozes do além que te diz o que deves fazer para não entrar em conflito comigo própria. Então eu simplesmente enfiava na cabeça que iria fazer x km naquele dia (mesmo que tivesse feito uma prova no dia anterior eu ia correr 17 km no dia a seguir). Eu sou exigente comigo e nunca me permiti descansar um dia que fosse... 

No fim de semana em que o meu namorado esteve em Lisboa, fiz eu e ele, uma prova, mesmo que em forma de treino, de forma rápida e num piso irregular. Eu terminei a prova e achei boa ideia correr 5 km de descompressão só porque sim, não vá eu engordar com o vento.

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No dia seguinte eu tinha uma prova de cariz social - a corrida da mulher que decorreu em Lisboa, em que eram somente 5 km e eu claro ... 5 km é pouco. Logo para não engordar com um almoço de 200 calorias vou correr 15 km mas melhor para ser ainda melhor ainda vou caminhar... Tudo certo, tudo favorável. O mal nem foi os 15 km mas a velocidade (15 km a ritmo de 4.07 e tendo feito prova a 3.30) Ora...

Na semana a seguir ... Fiz séries ... (rápidas quando não devia ter sido) tinha o challengue nessa semana (3.000 mil metros) - prova de pista, prova que nunca fizera antes e tendo corrido a mesma num ritmo de 3'18 tendo concluido a prova com 10 minutos e uns 27 ss'. E o que fez a atleta consciente no dia anterior à prova? Correu 12 km a 4 '20 sendo que terminei esses 12 abaixo dos 4'10... Tudo consciente portanto. Nesse mesmo dia da prova voltei a repetir a proeza de correr 15 km também a um ritmo de 4' 11 ...e já tendo corrido nessa manhã aproximadamente 10 km... Ovbiamente correr 10 km era pouca coisa... E mais nesse dia sentia-me tão gorda que nem vesti os calções mais justos e pus uns mais largos... (Neuras)

 

...

 

Semana a seguir . Tinha prova em Vagos. Tinha tudo para ser recorde... Tinha tudo para ser 35 minutos ... Sabem quando acordam a sentir que o corpo está bem e tudo se alinha? Eu sentia-me confiante. Estava  a treinar bem... Mas tinha começado a sentir uma pequena pontada numa quinta feira... 

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé

 

Tudo bem até então. Corri nessa quinta com o Fred. Tendo feito 16 km a 4'18 (isto a dois dias de prova e tendo feito séries de 400, as melhores que já tinha feito até então e sozinha).. Na sexta senti a pontada mas pensei... Deve ter sido um mau jeito ... No sábado... Dia da prova . Sentia a pontada novamente, ligeiramente mais forte mas nada impeditiva... Mas lá se revelou impeditiva durante a prova porque não consegui suportar a dor e tendo gerido a dor durante a mesma... Terminei com 37 minutos e uns pós e furiosa.... Terminei a mancar... Mas o que fiz a seguir? Fui correr mais 5 km... Porquê? 10 km é pouca coisa....

No dia a seguir, furiosa comigo e frustrada com a prova... Decidi que ia correr 18 km. O meu namorado disse para correr pouca coisa ... Ovbiamente que dei ouvidos às vozes da minha cabeça...

Nessa manhã chovia torrencialmente, mas a potes mesmo. Acordei a mancar. Nisto, vou ter com a minha mãe querida e peço-lhe bruffen 600. Mas como um não chega vão dois porque assim talvez consiga correr. Meti quinésio na canela, meti a meia de compressão e lá fui eu, com chuva até aos joelhos correr... Melhor... E como chovia e só tinha levado umas sapatilhas de corrida decidi levar as mais velhas e gastas lá que estavam em causa (não ia estragar as minhas outras não é assim?)

E lá fui eu, ainda meia que manca. A minha mãe a perguntar-me onde é que eu ia naquele estado e eu como se nada fosse... Vou treinar porque sim, porque eu quero porque preciso e eu é que sei .

E fui...

 

Os primeiros km foram no mínimo suportáveis mas lá foi passando. Lembro-me que parei ao 8 km com uma pontada  grande. Alonguei e fui... Nessa altura dois colegas meus vinham a vir de uma corrida em Vagos e reconheceram-me e perguntaram se eu estava bem e se precisava de boleia... E eu logo disse que não e voltei a correr como uma perdida como se nada fosse. Não fosse a canela estar a latejar e eu estar ensopada da cabeça aos pés e cair uma jarda de água... Mas keep it up porque eu é que sei...

E prontos... 18 km feitos a 4'11 ... E uma volta para Lisboa em que desta vez fui de comboio a carregar peso até às orelhas... E está claro... Manca. Pisar o pé no chão era só a coisa mais horrível de sempre...

Pensei... Amanhã devo estar melhor... E os dias foram passando...

A dor continuava, tinha a canela inchada e eis que numa sexta já não suportando dores decidi que era boa ideia ir às urgências (bem eu não decidi, foi o fisioterapeuta que quase me coagiu a ir , portanto obrigada João) . E lá fui eu ... Frustrada com as dores e com o trânsito, dia em que esperei umas duas horas para ser atendida...

Fiz um raio-x que acusou meramente uma inflamação e a recomendação foi uma semana de repouso e eu pensei... Ok tenho  a meia maratona de Évora... OMG . No entanto aconselhou fazer uma ecografia. E eu hmmm. Terça feira tentamos correr . Se correr bem não faço eco...

Bem o fim de semana passou, estava a ser medicada e sentia-me outra. Já não mancava. Bom sinal ... Pensei...

Então vamu que vamu correr na terça feira 30 minutos. E lá fui eu. Deixei as coisas no ginásio (sim porque eu nunca parei) e lá fui eu super entusiasmada com os auriculares . Eis que começo e ...

track...

 

Senti a dor mais fulminante que já tinha sentido... Isto a seguir a ter sofrido o acidente e ter sido operada a segunda vez... A dor foi horrível. Não corri nem 10 metros. Acabei a coxear e fazer pé coxinho.  Tentei a segunda vez... Não deu... Tentei a terceira e já com lágrimas nos olhos, um ardor no estomago e a pensar que estava a viver um pesadelo... Não deu. Eu simplesmente não conseguia correr. Voltei ao ginásio, não a caminhar mas a mancar... 

De lágrimas nos olhos comecei a ligar para as clínicas a pedir marcação para a Ecografia e só tinha data para o ano... E eu... OMG tenho distrital de estrada dia 09 de Dezembro, tenho os Açores dia 15, tenho a sao silvestre dia 31... Eu já tinha desistido de ir a Évora...

Mas como ainda há boa gente lá o meu amigo Tiago me safou e conseguiu o exame para mais cedo...

E o relatório dava periostite tibial e tendossinovite do perónio... O médico recomendou repouso (da corrida) e disse que fazer gelo e anti inflamatório e duas semanas tava ok. Tranquilizou-me... No entanto ... 3 ª semana quase a ir para a 4ª e as dores continuavam, mesmo com anti-inflamatório... E eis que o meu namorado em conversa com o fisioterapeuta dele achou por bem eu fazer um raio x outra vez... E eu pensei... Faço se a dor voltar... No entanto a dor agravou e eu ia tentar correr nesse dia uma voz sensata (aparece uma x na minha vida) disse vai ao hospital. E eu fui...

E o diagnóstico e a suspeição do fisio do meu namorado confirmou-se...

Fratura de stress no perónio..

 

No passado domingo fiz a Ressonância só para confirmar o veredicto. Chorei muito nesse dia, não só pelas dores de cabeça que tive de fazer a ressonância, das dores na canela... Mas como vi um ano inteiro de lutas a ir pelo cano abaixo. Juro que no domingo eu senti-me bem lá no fundo. Enquanto amigos e colegas batiam recordes nas provas eu chorava na cama... Eu pensava porquê eu? Porquê? Já não tinha bastado todas as dificuldades que foi voltar a correr após ter sido operada... Tinha que me acontecer a mim...

A verdade é que sim... Não acontece só aos outros e eu sei que abusei mas acho que não merecia... Eu acho que não... 

O mês de Novembro foi particularmente dificil para mim ... Muito . Mudanças no trabalho, stresses no trabalho, família longe, namorado na Alemanha, falta de descanso e muito stress acumulado... Sei que todos temos problemas mas sei que passei um mês na merda, não só porque vi-me privada de correr mas porque fui submetida a acessos de raiva constantes...

 

E agora o verdadeiro fundamento deste post... 

 

Foi um desabafo... Foi. Sinto-me melhor a berrar isto cá para fora do que o guardar cá para dentro... Mas é uma chamada de atenção... Um dia estamos lá em cima, no outro lá em baixo a olhar para trás a pensar e no se....

 

E agora o que se segue?

 

Custou-me muito aceitar que de facto estava (e estou) lesionada e que imperativamente tinha de parar (isso inclui caminhar). Amanhã quarta-feira tenho a consulta de ortopedia e a análise da gravidade da lesão para ver até que ponto posso ir (se posso nadar por exemplo) e quais os próximos passos (tratamento, repouso etc...)

Se estou a lidar bem? Não.

 

Mas quando a solução não existe, só mesmo recuperar tens de descer à terra e pensar...

Porra ... Fiz tanto mal a mim própria e o meu corpo grita por descanso que eu teimo em não dar só porque a cabeça o assim permite.

 

Então lesões e lidar com elas tem muito a ver com a capacidade de força de vontade que têm.. Eu quero mesmo muito voltar a correr. Tenho imensos objectivos, desde fazer provas em pista como bater os meus recordes na distância que eu sei que consigo.

Mas para que tal possa ocorrer tenho de parar e pensar que sem saúde não há nada e de nada me adianta lamentar o mal que já está feito. Tenho de agarrar neste evento e usá-lo no futuro quando estiver bem...

Não ignorar sinais que o corpo dá (uma ligeira dor por insignificante que seja) pode ser o começo de algo mais grave que foi o que me aconteceu...

Infelizmente eu ignoro todos os sinais que o meu corpo me dá porque eu sou de extremos... Mas os extremos levam-me neste momento ao ponto actual - em que me vejo impedida de fazer algo que amo de coração com todas as forças que é correr.

 

Posto isto vamos ver se em Janeiro quiça posso voltar a calçar os pneus e gastar alcatrão, tartan e quanto tudo que é percurso...

 

Uma promessa eu faço que sei que vou cumprir.

A imagem pode conter: 7 pessoas, pessoas a sorrir, sapatos e ar livre

 

Voltarei ainda mais forte . 

 

 

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Meia Maratona de Ílhavo - Reflexão

Boa Tarde,

 

Hoje o post é dedicado à prova que decorreu no passado domingo , 8 de Abril em Ílhavo.

Vou fazer uma súmula do que foi a minha prova, as sensações que senti, os erros que cometi e claro fazer uma pequenina reflexão.

 

Em 2017 participei na 1 ª edição, tendo participado de quase todos os treinos organizados pela Atletas NET, contudo por na altura a minha condição física estar condicionada ao que vocês já sabem, tive que abdicar da minha participação e decidi na altura ser parte integrante na organização como pacer. Como alguns não devem saber, um pacer é uma pessoa que vai na prova com uma bandeira ou um balão com indicação de um ritmo que os participantes tem a seguir quando têm um determinado objectivo de tempo na prova. No meu caso, já não me recordo ao certo fui como pacer de 5'15 ou 5'30. Na altura tinha o pé torcido, mas isso vim a descobrir dois dias depois quando fui ao fisioterapeuta.

Portanto este ano decidi que iria à prova competir por ser especial para mim. Tenho duas meias que considero especiais, a de Ovar porque foi  primeira que fiz após uns meses de ter tido o acidente e a de Ílhavo por ser parte do distrito onde vivo, a minha casa, onde as pessoas são de um carinho enorme e sobretudo pessoas que são minhas amigas. Estar do lado competitivo este ano foi algo que quis muito e decidi inscrever-me, não com vista a obter algum lugar específico mas sim superar-me.

Se me perguntarem se ia com intenção de ir ao pódio, a minha resposta é esta. Não. Eu não contava ir ao pódio, ia sim com objectivo de estar nas 10 primeiras classificadas mas ia mais com o comprimisso de tentar novamente recorde pessoal o que consegui sem grandes dificuldades.

Durante a semana que antecedeu a prova cumpri com o meu plano de treino (sim eu é que tenho na cabeça delineado o que vou fazer e o que resulta comigo de acordo com aquilo que eu vou conhecendo de mim própria). Cometi um erro no início da semana. No domingo da Páscoa fiz um treino rápido com média de 4'01 (quase 18 km) e no dia seguinte fiz novamente a mesma distância também esta a um ritmo rápido de 4'08. O erro não foi fazer estes km no espaço destes dois dias, mas sim ter passeado a minha cadela a Lady na segunda feira, numa caminhada de duas horas. Basicamente 10 km a caminhar e isso foi suficiente para eu durante a semana andar um pouco moída. Fiquei preocupada sim porque durante a semana andei a pagar a fatura (continuei a correr, a tentar ir num ritmo mais baixo,uma vez que ando sempre a "rolar" quase à velocidade que compito em prova e consegui, embora tenha andado meia empenada nessa semana. Fiz séries na quarta feira só para dar um boost às pernitas, mais uns km no dia a seguir e na sexta decidi ir à piscina fazer uma espécie de recuperação activa que verdade seja dita foi o que me safou porque no dia seguinte estava impecável, tendo feito no dia antes da prova 10 km rápidos sem dar por ela a 4'05. Mas adiante... Falo nisto porque considero que a semana que antecede uma prova deve ser mais soft para garantir que chegamos ao dia D impecáveis e uma boa recuperação nesses dias antes da prova é fundamental, isso inclui descanso, uma boa preparação física, uma alimentação regular e claro dormir bem...

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Treino da Páscoa (1 de Abril)

 

 

 

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Sábado 7 de Abril um dia antes da prova

 

 

 

Posso dizer que no sábado dormi umas míseras 4 horas resultado das minhas insónias e claro ansiedade...

 

Dormi pouco é certo porque estava demasiado anciosa. Posso dizer que esses nervos vinham do facto de os meus amigos e pessoas que me seguem terem expectativas elevadas quanto ao que eu iria fazer na prova e mesmo eu não querendo provar nada a ninguém, mexeu comigo emocionalmente porque não quero iludir ninguém e porque verdade seja dita eu sou a pessoa que mais duvida de mim e das minhas capacidades. Eu sou assim, na minha humildade de atleta amadora, sendo que muitas pessoas dizem que eu sou uma máquina e eu apenas sou uma comum mortal que ama correr...E isso será sempre o meu shot que me fará calçar as sapatilhas e ir correr e não porque alguém me diz que vou longe... Eu sou assim e orgulho-me de o ser. Serei sempre fiel a mim mesma com a premissa de que os meus objectivos não é ir aos jogos olimpicos ou ser uma atleta super profissional pois não faz parte da minha lista de ambições.

 

Agora o dia D. 

 

Foi incrível desde o início ao fim. Estava muito nervosa mas os nervos começaram a ser substituídos por abraços e beijos de gente que já não via há imenso tempo, conheci pessoas que queria conhecer, estive com os meus amigos e os nervos começaram a dissipar. Eu estava em casa e ia correr em casa.

A estratégia inicial era acompanhar o meu manito, o Milton, iamos os dois focados na 1'20. No entanto por algum entusiamos inicial e por mais uma vez não olhar para o relógio, comecei rápido demais e deixei o Milton para trás (ele veio apanhar-me depois mais à frente). Dado o tiro de partida sem ter noção ia em primeiro que não era  a minha intenção, pois tinha duas grandes atletas a correr aquela prova, a Carla e a Vera e sei que impor um ritmo semelhante logo de início foi só por mera distração. 

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Eu com o fogo no cu, que pensava que a Vera e a Carla iam lá à frente xD

 

Quando dei conta encaixei naquele ritmo meu e elas seguiram no seu, mal sabia eu que iria ser a 3ª mulher até cortar a meta. Durante a maior parte da prova mantive-me sempre certinha (quem me segue no strava vê) e mantive sempre uma gestão ponderada. sentia-me super bem mas cometi um erro crasso e levem para vocês porque faz enorme diferença.

Desidratação!!!

Eu não bebi nenhum gole de água durante toda a prova, parei sim em todos os abastecimentos mas para pegar na garrafinha de água e molhar o corpo, porque eu sou o tipo de pessoa que não toma géis, não bebe água, basicamente eu sou um alien xD. Mas nesse dia paguei a factura. Ao km 17 comecei a ter dores  de barriga, bem cólicas chamem-lhe assim. E isto foi assim durante os restantes km até chegar à meta. Estratégias? Não impor demasiada velocidade porque iria piorar então abrandei um pouco sem me preocupar com o relógio ( já não ia a olhar e não) e tentei manter-me abstraída. Sempre no meu mundo como já sabem. Sinceramente e porque não ia a olhar para o relógio não sei bem que tempo iria fazer, foi uma enigmática... Soube que ia bater recorde pessoal quando cheguei à meta e vi o cronómetro... E eu vou um pouco assim pela surpresa e é nestas alturas que fico feliz porque me surpreendo com as minhas capacidades. 

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Altura em que o manito me veio apanhar 

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Devo agradecer ao André Nobre por me ter feito companhia quase a prova toda, ao senhor ciclista que teve de ir ali ao meu lado com a placa de 3ª mulher, ao meu treinador chato que me ia buzinando para me manter como estava, ao meu namorado que é só incrível por me aturar e a toda a gente que gosta de mim como eu sou, amigos que correm e que não correm e que me deram sempre uma palavra de força. 

A minha chegada à meta não foi digna de capa de revista (ver foto infra xD) mas cheguei. Peço desculpa ao José por o ter despachado, porque ali o objectivo era correr ao WC xD .

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Funny story.

 

Assim foi a minha prova em Ílhavo em que o objetivo era ser feliz e sentir-me bem o que aconteceu mesmo apesar desse condicionalismo a partir dos 17, uma prova em que dei abraços fortes e estive com amigos, onde partilhei o pódio com duas grandes atletas, onde o meu namorado também ele fez uma bela prova nos 7 km (és o meu orgulho apesar de seres mau feitio), onde fui brindada com carinho e bem recebida...Simplesmente um misto de emoções, emoções fossem elas "intestinais" ou meramente sentimentais... Senti-me bem, senti-me em casa e isso é mais uma das coisas que me faz gostar tanto de correr, porque correr não é só correr, é as relações que nós ganhamos, amigos que se ganham para uma vida, partilhas de recordes e objectivos, é viver aquele momento e pronto...

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E aqui segue então, não foi 1'20 como queria mas foi 1'21, 23 segundos. Se ter ingerido água podia ter sido crucial para um tempo diferente, talvez sim, talvez não, não me ralo com isso, apenas me ralo quando falho um comprimisso e o comprimisso ali era ser feliz e eu fui.

 

Beijinhos :)

O limite do exagero, até onde vai uma rede social?

Bom dia,

 

Agora que estamos quase nas férias da Páscoa e tenho o trabalho em dia e mais um tempinho para dedicar a este cantinho, venho hoje falar de uma coisa que tem sido fulgrante os últimos meses e vou ser sincera, nua e crua porque eu sou assim e quem não gostar sabe o caminho da serventia.

 

Recentemente recebi várias mensagens (pessoas que não me conhecem pessoalmente) a dizer que estou magra. Ok. Eu já tinha percebido isso, não fosse eu ter consciência do meu corpo, mais de metade da roupa não me servir acrescido ao facto de que felizmente sou uma pessoa que tem espelhos em casa. No entanto, houve alguém que decidiu-se no direito de afirmar sem pó de dúvida que eu estava desnutrida e com claramente problemas hormonais ou então que os viria a ter...

Mas em que contexto vem esta conversa perguntam vocês?

 

Simples.

 

Nos últimos meses tenho assistido, essencialmente na rede Instagram um crescimento de páginas ditas "fitness", ou melhor, um crescimento de contas em que as principais preocupações é promover marca Y e promover alimentação X. Trocando por miúdos, de repente oda a gente tem uma visão sobre a alimentação e decide incutir nos outros aquilo que considera "cientificamente correcto", ou moralmente correcto... Quer isto dizer, se não comes frango e batata doce, arroz basmati e salada todos os dias já não és fit, se fazes uma cheat meal ao invés de comer um pedaço de chocolate todos os dias já não és flexível, se não és vegano porque não compras as mil barras das Iswari ou as paleo, ou as RAW  ou tudo o que valha, estás a destruir o planeta terra e a envenenar o teu corpo, se não fazes as panquecas da moda e preferes comer uma tosta mista perdes um seguidor ou dois porque não estás na moda, és só uma pessoa vulgar a comer uma coisa normal...

 

Acho que me fiz entender.

 

Existem inúmeras contas no IG, umas com mais seguidores outras com menos, mas o que é real e triste é como estas contas e quem as  gere luta uns contra os outros para afirmar a sua premissa, tanto que secalhar se esquecem um pouco da humildade que originalmente tinham antes de ter k follower's. Know What I mean? 

 

Por exemplo a dita cuja pessoa que me abordou não sei bem porquê e ironicamente ser alguém cujo peso é mais baixo que o meu, disse que eu estava desnutrida. Como é que alguém tira uma conclusão assim sem saber os meus hábitos e rotinas, sem saber quais os meus objectivos e conhecer o meu metabolismo? O que se passou foi uma invasão ao meu estilo de vida que é o meu, que é algo que eu não tento impor a ninguém, com a premissa de que deverias fazer assim porque eu é que sei. Não o disse directamente mas sente-se ali a vontade de moldar o cérebro e toldar aquela que é a sua premissa. Com muita pena minha acho que o número de pessoas que alcançamos e que nos agradecem acaba por nos subir à cabeça e essas pessoas que de repente tinham alguns seguidores mas que transmitiam uma determinada mensagem de repente surgem com milhares de seguidores e aí é que a coisa se torna exagerada, ou seja, de repente uma mensagem tão simples para a ser obrigatoriamente o correcto para todos e bora lá promover à força essa mesma mensagem criticando outros conceitos...

 

As redes sociais podem ser uma coisa muito boa como podem ser uma coisa muito má e na minha óptica de utilizadora acho que estes últimos meses é tudo uma panóplica de postagens ridículas e discussões e pragmáticas sem fundamento...

 

Vamos lá ver. Todos nós crescemos num seio familiar onde nos transmitiram valores e acrescendo também nos foi incutido, na maioria de nós a ter uma alimentação saudável, onde comesses tudo, vegetais, arroz, carne ou peixe e podias comer aquela sobremesa ao fim de semana... Pelo menos comigo foi assim.

Se eu já caí nesta rede do mundo "fitness"? Sim já e só me arrependo mas assim foi uma maneira de eu aprender que o ser humano não nasce para ter uma alimentação da moda em que a primorzia é comer esparguete proteico, pao proteico, pao sem gluten, leite sem lactose, em que deves fazer bolos fit e não bolos normais... Por amor de deus... Eu sempre comi uma fatia de bolo caseiro e nunca morri e se me perguntarem se como, claro que sim! 

 

Sim estou magra. Peso 48,5kg. Mas como várias vezes ao dia. Como aquilo que resulta comigo e que me sabe bem, pode ser o mesmo todos os dias, ninguém tem nada a ver com isso. Como todos os dias chocolate e não falo só do 80 %. Como de todo o tipo. Se houver um aniversário no tribunal não vou negar uma fatia de bolo porque eu treino todos os dias e não vou engordar por isso...

Como bolachas normais, como arroz, massa quando me apetece, como pão praticamente todos os dias, bebo leite vegetal simplesmente porque não digero a lactase do leite e fico mal disposta, como aveia normal ou com sabor, se me apetecer um panado de frango como pois. Who cares? O que diferencia neste caso, eu na minha conta não publico tudo o que como porque não tem qualquer sentido para mim. Porque raio vou postar sempre o que como? De vez em quando lá meto a minha sopa nos stories ou a minha panqueca e o incrível é que só o facto de publicar estas duas refeições as pessoas logo que institivamente mandam-me mensagem a adizer Miriam só comes duas vezes ao dia? Por isso é que estás tão magra. Gente!!! Eu se comesse duas vezes ao dia não conseguia fazer 1 km, quanto mais 17 ou 18...Tendo em consideração que eu trabalho de segunda a sexta e muitas vezes com carga horária superior a 8 horas. Já saí do tribunal às oito da noite e sim já fui treinar de seguida. Acham que não comeria?

 

É para perceber o impacto das redes sociais, nem tudo o que parece é! E cada vez mais me afasto desse tipo de páginas porque não aprendo nada senão somente vejo alguém com unhas e dentes de punho cerrado a dizer, faz isto! E pronto assim nascem vários tipos de rebanhos de ovelhas que simplesmente não tem uma cabeça para pensar, que fazem determinada coisa que secalhar não será o ideal para elas mas porque alguém lhe disse ou alguém publicou já é ideal...

 

Quando eu penso no Instagram, já não penso como uma rede social em que o objectivo inicial era colocar fotos... Assim de repente quando penso no instagram penso em 3 coisas: Cupões de desconto, dietas X,Y,O,M e falta de genuídade... 

Longe vai as postagens em que alguém publicava algo motivador, poucas são as contas com um texto diferenciador que realmente te inspira e que não tem necessariamente que te toldar o juízo, agora um texto vem acompanhado de marca suplemento tal, roupa marca tal...

 

Já há algum tempo em que queria espelhar a minha revolta... Porque não bastava me afastar como ter de ser perseguida... Deixei de seguir pessoas que eu achava que tinham discernimento para dizer algo até que percebi que era tudo para ter mais seguidores e que de facto aquela arrogância não era fingida era autêntica... É triste ver como as coisas evoluiram para o pior nestes últimos tempos. Num país em que os ordenados não são milionários uma simples conta pode te dizer para comprar um pão proteico ao invés de ires à padaria da terra e comprar um pão feito com água, farinha e fermento... Ou comprar esparguete proteico que custa um absurdo na vez de comprar um esparguete normal, ou comprar uma barra na vez de comprar um lanche ou comer uma fruta, comprar mil suplementos que te prometem fazer perder peso, que prometem aumentar a massa... Se fosse verdade tinhamos um país todo sarado não era? Não havia obesidade, só corpos bem esculpidos e trabalhados...

 

E pronto e basicamente o meu post de hoje em nada tem a ver com as corrridas porque hey, I Have a Life!!! Sim eu sou das pessoas que partilha os treinos, mas partilho às vezes o meu dia-a-dia de comum mortal. Porque eu não tenho necessidade de ser alguém que não sou, para que me daria ao trabalho de fingir algo que não sou e pior tentar converter em algo que é insustentável..?

 

Posto isto a lição que retiro deste apogeu do que é o Fitness, o culto do corpo etc etc, é que sejam mais autodidactas. Não digo para não deixarem de seguir contas, para não se sentirem identificados com algumas...Mas sejam fiéis a vocês próprios e perguntem, uma,duas as vezes quantas forem necessárias o que vos leva a ser assim e não de outra maneira e se de facto isso vos faz felizes. Porque acima de tudo, um equílibrio do corpo só se consegue com o equílibrio que começa na nossa sanidade mental e no nosso coração.

 

 

*****

 

 

Sejam felizes e por amor de Deus caguem nas receitas fit da Páscoa xD

 

 

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