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Aquela Runner Obcecada

Aquela Runner Obcecada

Maratona da Europa

Boa Tarde,

 

Hoje venho falar da minha experiência sobre a Maratona da Europa, a qual se realizou no pretérito dia 28 de Abril na cidade de Aveiro, que modéstia à parte, foi a cidade onde nasci e a qual eu estimo bastante.

A imagem pode conter: 7 pessoas, pessoas a sorrir, pessoas em pé e ar livre

Já tinha estado em Aveiro na semana anterior, para participar nos 10 mil de pista, por isso, ir novamente a Aveiro para participar tornou-se equacionalmente impossível (porque uma pessoa não nada em dinheiro).

No entanto, em conversas paralelas com o Frederico Lázaro (aquele meu sócio da corrente/chicote) , o mesmo disse que ia a Aveiro e que eventualmente iria fazer o percurso dos 21 km . Ora, após a corrida da Liberdade na quinta feira, comecei a equacionar com quem iria fazer o meu treino longo de domingo, e dei por mim a constatar que estavam todos a participar de alguma prova nesse dia, ou a trabalhar.

 

Sinceramente, não me apetecia correr sozinha naquele domingo, talvez pela razão de eu estar ansiosa com o facto de amigos meus irem fazer a maratona pela primeira vez, e porque também tinha os meus conterrâneos de Aveiro (os quartas) , o Vitinho, o senhor Arménio, o Eddy e tantos outros a participar da prova.

Na sexta feira de manhã coloquei a hipótese de ir a Aveiro ajudar o Pedro na primeira metade do percurso, e falei com o Fred de ele ajudar na segunda. Plano exelente para ambos. Para mim, para o Fred e para o Pedro. Só faltava a boleia, o que consegui com a ajuda da Catarina Coito (que infelizmente já não pôde estar presente), tendo me colado ao Miguel dos Iron Brothers que iria no sábado. Até aqui tudo alinhavado. No sábado foi fazer o passeio matinal (14 km a esticar as patas) e partir em direcção a Aveiro. Foi tudo a correr, que nem almocei .Tudo sem um planeamento específico, assim como só avisei a minha mãe no dia que iria a casa, tentei arranjar um dorsal para a prova dos 21km durante a viagem ... Adiante...

Passemos à parte propriamente dita, mais relevante, ou estou aqui a narrar toda a logística.

O dia da Maratona, ou ... "THE BIG DAY"

Não dormi muito, passei a noite toda a ver Gossip Girl, tal é o vício e acordei às 6:30 da manhã. Pedi um dos carros ao meu pai, peguei numa maça e numa bolacha, dois cafés, quitada da T-shirt dos 10 kapas e bora lá rumo à Veneza Portugueza.

Primeiro problema mal cheguei :

- Tive de deixar o carro longe da partida ... E eu ok, é quase um km até lá. Já faço um aquecimento e depois é só encontrar o Pedro e a Paula por causa do dorsal. O problema é que não sabia quem era a Paula e pronto... Já estavam reúnidas várias pessoas junto da partida, perto da hora chave, quando decidi ir sem dorsal. Ainda tive que pedir ao outro Pedro que me guardasse a chave do carro, porque super inteligente que sou, fiz a mala à pressa no sábado e não trouxe uns calções com bolsos.

Por questões éticas não usufrui de abastecimentos durante a prova (antes que me critiquem por ir sem um dorsal) nem no final , nem no início. 

Entrei no bloco de partida B à socapa, e mais uma vez, assumo inteiramente a responsabilidade de agir de forma incorrecta, fui no sentido único de ajudar um amigo, beneficiando de companhia de várias pessoas para treinar.

E...

Soa o tiro de partida!!!

Sem grandes atrasos, sem grandes confusões (apesar de um pacer ter caído no início), partimos a caminhar e lá arrancamos em direcção ao objectivo... 

Começar e acabar ali (bem essa não era bem a minha meta) , não está ainda nos meus planos de atleta amadora fazer uma maratona, quanto mais sem preparação específica.

E lá fomos, eu o Pedro e muitos mais. 

A imagem pode conter: 9 pessoas, incluindo Miriam Martins, Pedro Amaro e Nikki Johnstone, pessoas a sorrir, pessoas em pé e ar livre

Estava um dia propício à prática desportiva, pouco ou quase nenhum vento, uma manhã meia húmida e algo abafada e a animação era uma constante (pelos menos os primeiros km).

 

E fomos.

O objectivo seria :

5km a 4'20

os restantes entre 4'10 a 4'15 

Eu ia acompanhar o Pedro por 21 km. 

Mas quis o nosso amigo entusiasmar-se e fugir-me de início, mas estás perdoado : D portanto os primeiros parciais fugiram do objectivo e vou deixar aqui os parciais.

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E postos os parciais, vê-se que eu fugi ao que tinha estipulado (21 km)...

E não consegui, não sei se foi pela adrenalina, se foi por estar a correr em casa, por estar a sentir-me solta... Não deu para parar. Sentia-me bem e o Pedro estava a ir bem. Obviamente comecei a pensar que fazer muitos mais km do que estes que eu fiz já era um atentado aos objectivos que me compremeti a fazer, por isso mal tive a oportunidade, quando surgiu um grupo pequenino que rondava o ritmo alvejado pelo Pedro, com muita pena minha "abandonei-o" ali aos 27 km com a sensação que podia ir até ao fim, mas consciente que não podia fazê-lo. Afinal esta luta era dele e ele ia conquistá-la. E disso não tenho dúvidas e não me enganei.

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Por isso ok foi um treino mega longo (que depois eu tive que voltar para trás e aí fui a pé) mas decidi ao longo da prova e porque senti que faltou o apoio, os gritos, o público, dei por mim a BERRAR : "Força!" "Não desistam." "Vocês são grandes" e o berro mais dado foi o "Bora láaaaaa até ao fim ". Gritei aos Vicentes, aos meus conterrâneos, gritei e bati tantas palmas quando podia. 

Depois veio um senhor guarda ter comigo (ups) a perguntar-me se estava bem, porque tinha desistido se eu estava tão bem, que já tinha informado que eu era a primeira mulher ....

E eu ... Ups. Recebi palmas e palmas por "ser a primeira" na maratona, mas acreditem que não sendo merecidas essas palmas para mim, foram um boost de energia para os que iam ao meu lado. 

A maratona é a prova de estrada, em que a energia dos atletas é mais movida pelo apoio e força dos que os veêm ali a percorrer uma larga distância, do que mais pelos géis energéticos. Acreditem. Nunca fiz nenhuma, mas aquele grito de "Tu és capaz! Força!" é o suficiente para levantar alguém que já vá de rastos. E por isso lá fui eu, ao longo do resto do percurso, gritar feita galinha histérica pelas pessoas que via pelo caminho.

Quero deixar a ressalva de que encontrei um quarta no km 38 e fui com ele a pé ...Tinha o pé a sangrar, contava-me ele que tinhasido operado algumas vezes... Tinha a mão inchada também de uma intervenção e fomos falando... Da superação, da razão que não nos deixa parar. Tinhamos algo em comum, o facto de não nos deixarmos vencer por operações do demónio. E mais, não desistiu. Tinha a filha na meta a aguardar a sua chegada.

Acreditem que nada, nem ninguém nos pode impedir de fazer ou realizar um sonho...

A prova disso...

Os iron brothers. Consegui chegar a tempo de os apanhar no último km, no último fôlego, saí do nada e  fui atrás deles e mais uns quantos se juntaram. Bem visível o sofrimento do Miguel, já estava um calor do caraças (Eraquase uma da tarde quando cheguei) ... O calor sentia-se (aliás eu já estava com um belo bronze) ... 

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Aquela chegada, aquela luta final do Miguel e do Pedro até à meta, foi lindo de se ver. Uma verdadeira luta. Via-se na cara do Miguel o sofrimento, mas sentia-se a alegria de estar a conquistar a primeira maratona com o irmão Pedro. Opa... Juro, só visto de perto. Foi lindo e emocionante. A visão deles a chegarem à meta após vários percalços foi só única. 

Podem segui-los aqui:https://www.facebook.com/IRONBROTHERSTRI/

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Nunca fiz uma maratona é verdade, mas vivi de perto, o que é fazer uma, e claro ficou aquele sabor amargo " e se eu tivesse feito 42 km?" mas isso para já seria o coração a falar... A minha paixão pela corrida...

 

E após isto tudo (breve resumo sendo certo ) onde estava o Pedro??

Será que tinha conseguido?

 

Eis que encontro o senhor Arménio e o Vitor, também eles tinham terminado e dei-lhes um forte abraço ! Que orgulho. Especialmente no senhor Arménio, 65 anos, a sua primeira maratona. Idade não é desculpa. E o Vitinho? Lesões? Um trabalho, uma família para cuidar, e lá estava ele de peito orgulhoso com a sua medalha... Ele e mais quantos foram buscar a almejada medalha, tantos quantos, não sendo profissionais, são meros corredores de fim de semana que o fazem porque gostam. Nem tudo são recordes, prémios ou troféus...

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Quão grandioso é o troféu de se ter superado um ser humano?

 

Após abraços e cumprimentar alguns colegas (o João também ele da escola de Coimbra) 

Tinha que falar nele... Tinha falado com ele há uns dias, ia fazer a segunda maratona dele após 3 semanas (tinha feito já um tempo canhão em Roterdão) e ali estava ele fresco que nem uma alface, pronto a subir no pódio no seu escalão com mais um tempo canhão...

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E depois eis que finalmente vejo um carrasco (O meu Fred!!! Desculpa Paula ahahah, ele é o meu carrasco no bom sentido, muito me dá na cabeça e tem se revelado um ser humano incrível) Dei-lhe um abraço tal felicidade de o er (afinal já estava farta de caminhar desde  a Praia da Barra e farta de berrar, parecia uma claque singular, mas desafinada e desidratada ( não roubei água a ninguém) . E pergunto pelos Pedros...

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas a sorrir, pessoas em pé, céu e ar livre

O Amaro...

Opa acabou , acabou, meio mal mas acabou, houve um momento em que quebrou muito mas algo lhe deu e parece que ressuscitou...

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas a sorrir, pessoas em pé

Pois é ...

 

O Pedro tinha feito a primeira maratona em 3 horas e 02 minutos!!!

Quão orgulhosa. Volvidos uns anos atrás comentava com ele :

"Opa este mês tenho 350 km " e ele "Opa ... eu este mês tenho 70 km..." 

Para no ano a seguir se meter nesta aventura e treinar afincadamente. 

Acordar cedo...

Fazer longos ao domingo...

Suportar as sovas do João ...

Se não é amor é doidice .

 

Falo por mim, falo por eles, falo pelo Pedro, falo pela força do Homem...

Não existem limites. 

E o Fábio Lima, veio a Aveiro comer sushi, ovos moles e pôr mais uma maratona nas pernas... É só a 10 maratona minha gente .

A Inês, no sábado conheci-a e estava tão nervosa, como contente e arrasou por completo os 42 km, e ainda se fartou de se rir para as câmaras a atrevida :D

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Podem seguir aqui :

https://www.facebook.com/Umrunnerafazerdeconta/

E em suma ...

A Maratona da Europa foi uma surpresa muito boa. Céptica sim , foi uma prova realizada em cima do joelho, mas vindo da GlobalSport ... Só podia sair coisa boa. Existem sempre erros, claro.

Explicar às pessoas ( pronto) aquelas pessoas que não vivem a corrida, mas a veêm como um impedimento de fazer o seu quotidiano normal .

Verifiquei que as pessoas não sabiam bem por onde haviam de se desviar, houve algumas pessoas que reparei chateadas...

Abastecimentos, nada a apontar (atenção não os fiz) , sempre com água em todo o lado, e quando retornei a pé, ainda havia bastante água, bebidas isotónicas, fruta ... E muitos voluntários

A tshirt ( Não tive nenhuma não é ) Abdiquei do dorsal, mas são LINDAS...

A medalha só a vi de rompante, linda !! 

Falhas...

Apesar de ter achado o percurso muito fácil, não sendo eu de Aveiro e conhecer bem a cidade, achei acessível e acho que a "venda " de percurso plano foi conseguida, apesar de muitos dizerem que não. São ligeiras subidas, na maior parte do percurso é tudo plano... Mas em termos de percurso, sinceramente, a passagem na auto-estrada é só deprimente (Não se vê viva alma, nem um grupinho de animação ... Se vão pôr uma passagem longa ao longo da A25, por favor metam lá grupos a animar... Ou então para a próxima um percurso alternativo ... Aveiro não é assim tão pequeno.

Os pontos de partida (eu consegui entrar, por isso foram mal controlados)

Controlo durante a prova algo fraco (pareceu-me ver pessoas a cortar caminho mas posso estar equivocada, mas batotas existem sempre certo?

 

Mais que isto não posso acrescentar, porque só fiz 27 km ... 

Não estava inscrita mas fiquei surpreendida pela positiva.

E em modo de conclusão (isto porque tenho séries daqui a nada ) o que dizer...

Orgulho é a palavra que define o que vi no Domingo ao ver os meus amigos a chegar ao objectivo (sendo próximo ou não)...

 

Todos terminaram...

Todos sofreram...

Todos viveram, sentiram cada km como se fosse a prova toda... Foram meses de preparação e sacríficio para muitos, muitos com ambições elevadas e que após se desiludiram por não corresponder ao suposto...

A esses eu digo, não é, nem nunca será uma prova, uma acção que define o valor de uma pessoa nem nunca deverá dar azo a desilusão mas sim a procurar ser melhor do que eram ontem, pegar no erro e levá-lo como aprendizagem, tirar partido dele e fazer dele uma glória. Somos humanos, não somos máquinas, mas o ser humano é capaz de muito e eu vi muitos a superarem-se...

 

E posto isto...

A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas em pé, céu e ar livre

A todos os maratonistas e os que estiveram presentes, bora lá treinar e serem felizes que a vida passa a correr ...

 

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XXXXX 

 

 

 

 

 

Falsos Moralismos

Bom dia 

 

Hoje o post é sobre opiniões.

Estamos num país democrático, logo toda a gente é livre de ter uma opinião sobre um assunto, assim como determinada pessoa é livre de "consumir" o conteúdo que pretende.

Porque digo isto?

Por um comentário um tanto infeliz aqui no blogue, de que estou sempre com a mesma conversa e que ninguém quer saber, quando a última publicação que fiz foi sobre a questão das lesões e como às vezes devemos tê-las para tomar consciência das coisas.

Se esse comentário me afectou? Um pouco, mas não ao ponto de passar uma noite sem dormir por ele. Porque a vida ensinou-me que não devemos levar a peito o que as pessoas pensam de nós. Essa pessoa (que não se identificou tal é a cobardia), que coloque as mãos na consciência e pense...

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Conheces-me assim tão bem que devas formular que eu venho com falsos moralismos? Conheces-me assim tão bem para conhecer o meu background todo para trás para falar? O direito à opinião, acaba quando não conheces de todo a pessoa que estás a julgar. Nunca ouviram dizer : "Não julgues o livro pela capa?"  

Eu posso ser repetitiva quando digo " É desta vez que vou melhorar."  E tu que leste a minha última publicação és livre de não ler as minhas publicações, se ninguém quer saber, porquê dar-te ao trabalho de tentar atingir-me com um comentário tão negativo? Em que te acrescenta a nível pessoal?

Posto isto , e porque de certo me compremeti a mudar, e bem sabido é, que o meu problema (sendo de foro psicológico) , de facto fiz mudanças.

1º Tive uma consulta psiquiátrica que pese embore não tenha corrido da melhor forma, seja porque tive de rebuscar o meu passado e aperceber-me que ao longo destes anos fui pressionada a ser perfeita e porque tive que me desenrascar sozinha, pelo facto de a relação com o meu pai no passado não ter sido a melhor, pelo facto de a minha mãe não ter conseguido lidar muito bem com o meu problema, e digo isto, e sublinho tenho imenso orgulho nos meus pais e não mudava nada. Nada. Muita coisa mudou desde então, mas esse facto ajudou-me a ser a pessoa que sou hoje. Lido com os problemas à minha maneira e tenho sobrevivido assim e não é isso que me faz melhor ou pior que alguém...

Em suma , nessa consulta que tive, apenas aprendi que durante anos fui uma pessoa pressionada a ser boa em tudo, a ter boas notas, a ser boa trabalhadora, a desenrascar-me sozinha... Cresci assim com todos os obstáculos e a cair muitas vezes e levantar-me outras tantas, porque a vida é assim. Não me queixo. Simplesmente reflito.

Pressão da sociedade acho que é algo que vai ficar enraizada... Acho que o comum mortal, na sua maioria nasceu para criticar o outro só para seu bel prazer. 

Já me disseram que eu sou uma idiota, que tenho a vida perfeita, que não tenho razões para me queixar, mas como seres humanos nunca estamos satisfeitos. Podemos ter muito dinheiro, o melhor emprego do mundo, a melhor família e amigos, um corpo bonito, que vai sempre haver ali um "e se" ... 

Não é queixinhas ou lamentos...É a forma como me sinto. Ninguém deve apontar o dedo a alguém e dizer-lhe que é egoísta porque sim. Eu se não estou bem é porque alguma coisa é.

Portanto, falsos moralismos temos todos. Sou a primeira a admitir que também critico colegas meus, que correm e cometem erros crassos e sou a primeira a admitir que eu os faço repetidamente, mas procuro aceitar as críticas e seguir conselhos.

A consulta na psicóloga ajudou-me só a perceber o rumo que devia tomar... Quem eu sou, o que quero. E decidi que deveria procurar além da ajuda psicológica, procurar ajuda a nível nutricional, uma vez que eu neste momento voltei a ganhar fobia de comer. Isso é crime? Ter uma recaída? Devo ser criticada porque infelizmente não consegui lidar estes últimos tempos com uma coisa tão banal que é  alimentação?

Depois da lesão que tive ganhei fobias, normal. Mas também tenho consciência delas.

Então decidi marcar a primeira consulta de nutrição, orientada para o meu objectivo (que é o meu). Se prefiro ser magra, é uma opção minha e com a qual me sinto bem. Se quero além disso ter uma boa performance a nível desportivo? Sem sombra de dúvida, daí eu ter decidido abrir os cordões à bolsa e investir num bom profissional.

Aliás, se estamos mal em dada altura da vida, devemos ser nós, ao invés de terceiros ter iniciativa para dar o primeiro passo para mudar.

Portanto, falsos moralismos está o mundo cheio deles e cada qual lida como quer.

 

Posto isto, fico-me por aqui hoje. Não tenho escrevido tanto estes últimos tempos, porque tempo é algo que não me assiste.

 

E que a pessoa que escreveu o comentário "Ninguém quer saber..." . Eu também não estou preocupada em saber quem és e nem quero perceber o objectivo do comentário, tens bom remédio, deixar de ler. 

 

Escrevo porque gosto, por mim e se alguém se identificar boa, porque a vida é mais que sermos cruéis uns para os outros.

 

 

Até ao próximo post 

 

*****

Se praticas deporto e gostas, lê este post

Todos os atletas, sejam profissionais ou não deveriam passar por alguma lesão na vida...

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Calma não me matem já... eu quando digo as coisas é porque tenho um fundamento para tal e com esta publicação quero explicar o porquê...

Disse à minha mãe que se o meu exame (raio x) corresse bem voltava a escrever no blog. A verdade é que os últimos meses foram complicados, não queria falar com ninguém, andava deprimida, revoltada com a vida... Dou um exemplo do período em que estive de baixa médica:

Quando finalmente já podia caminhar (Meados Janeiro)um certo dia, dia esse que as temperaturas estavam bem bem negativas,tinha tido um péssimo dia na fisioterapia, estava exausta (caminhar e nadar cansa), tinha sede... Tinha ido caminhar ao frio e não sentia as mãos... Queria abrir uma garrafa de água e não conseguia. Tive um ataque de ansiedade que me tomou naquele momento em que tentei abrir a garrafa. Comecei a hiperventilar, a dizer asneiras, irritei-me ao ponto de quase partir a louça na banca ...Porquê? Não conseguia abrir  a merda de uma garrafa...

Outro exemplo que se passou antes de eu ficar de baixa, que ocorreu no primeiro dia em que tinha iniciado o meu primeiro tratamento de fisioterapia(thank god que foi só um ou não estava aqui a escrever ). Nesse dia estava capaz de me atirar das escadas rolantes...Porquê? Não conseguia ir para as escadas porque estavam demasiados rápidas e estava a adaptar-me ao uso de uma bota ortopédica, que é só limitadora, e claro tinha-me sido dito no dia anterior pela fisiatra que com sorte e paciência só voltava a correr em Março...

De certo vocês que leêm isto já sentiram na pele a sensação de impotência. Sabemos o quão horrível é, ou seja, sentir que és um estorvo, um atraso, alguém que não acrescenta utilidade à sociedade, sentires que és um coitadinho e quase que te querem levar ao colo... Não te sentires tu ... Não tens a tua energia...Tu não és tu quando te tiram algo que gostas... O pior é quando isso condiciona a tua vida no geral... E nesse dia ao é das escadas rolantes, estava ao telefone com a minha mãe a chorar, a pô-la a chorar a 200 e tal km porque eu não conseguia descer as escadas rolantes.Aquele momento ali a chorar, aquela frase do fisioterapeuta que ressoava na minha cabeça(isto porque eu disse que iria continuar a trabalhar) e ele disse: "Recuperar? Disto e a trabalhar? É possível...mas boa sorte que vai demorar..." 

Uma fratura de stress is no big deal... O problema é quando tu não fazes vida do atletismo somente e não te podes dar ao luxo de te dedicar a um tratamento XPTO, em que o foco é recuperar a 100% e não recuperar a meio gás entre julgamentos...Não és um profissional, logo só por aí é impossível gerir a recuperação de forma leviana. 

Pior fiquei quando  após o drama das escadas, após finalmente ter conseguido descer até ao estacionamento, porque demorei cerca de  10 minutos a chegar ao carro. E mais estúpida e ridícula se torna a situação, pela forma como lidei com ela nesse dia (desespero insano, idiota,chorar compulsivamente e dar berros no carro..também dei um soco na coxa para completar a dor emocional) ... Eu não conto tudo certo? Alguém  com ansiedade vai entender este comportamento...mas adiante

Nesse dia perdi 3, quase 4 horas ...Para ir fazer um tratamento de ($%@€♤) de uma hora...  A voltar para o Tribunal comecei a pensar e a tentar equacionar formas de rentabilizar o trabalho e a recuperação... "Como vou fazer julgamentos de bota e muletas?" "Como é que vou trabalhar se tenho que estar em pé, sentada?"

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, os funcionários judiciais têm que se mexer (e não é pouco). Simplesmente cheguei à conclusão que eu não ia conseguir ser produtiva, ia acabar por atrapalhar os outros porque ia depender deles e eu não queria. Tomei a decisão dificil de que não bastava apenas deixar de treinar... Eu tinha que parar de trabalhar. 

Quem me segue há algum tempo sabe que eu após ser operada depois do acidente comecei a trabalhar depois de duas semanas e sem reabilitação física (sem ter as vértebras consolidadas) . Aquando da segunda operação (novembro de 2017) tive alta no próprio dia, estive três dias de cama e uns dias depois já estava a trabalhar e passada uma semana estava a correr.

Conclusão...

Há lesões e lesões...

Há as lesões por algo que não controlamos (neste caso o meu acidente) e há as lesões pela negligência que damos ao corpo.

Não é segredo nenhum que eu de certa forma lido com dor... Dor física no caso é o meu ponte forte, isto porque já fiz provas doente, já fui fazer 20 km a 4'19 após ter apanhado um vírus e estar a vomitar o dia anterior sem me conseguir levantar, fiz uma ou duas provas com dores insportáveis nas pernas após me ser dito que tinha sindrome compartimental crónico, já corri debaixo de sol (36 graus com essas dores nas pernas), já fiz treinos de séries após ter caído no dia anterior e ter deslocado um pouco o ombro, lixado o joelho e pisado o queixo... 

Lembro-me que fiz o meu primeiro trail à séria (26 km) , ter caído ao 7º km, ter dado uma cambalhota por ali abaixo e choramingar 2 minutos e pedir para não chamar ninguém, levantar-me com o joelho embatatado a sangrar como se não houvesse amanhã e completar a prova ... Sem água...

O porquê de eu ser assim não sei... É mais a cabeça a dizer-me para não desistir... Mas quando me dói mesmo é porque dói... Mas esta última lesão que tive não sei bem ao certo como fiz. Pode ser tudo e nada, mas o que me levou a chegar ao ponto de "OK. NÃO CONSIGO." foi o facto de eu ter ignorado aquela dor... Foi simplesmente ignorância. Associei ao facto de ser uma coisa que poderia ser normal (tinha feito quase 500 km em Outubro) cheguei a 11 de Novembro com quase 200 km... Claramente aquela dor era só o corpo a dizer (andas a abusar sim mas não é nada de grave). Grave, grave não foi. Grave é quando te magooas ao ponto de não conseguir fazer nada o resto da tua vida. 

 

Onde quero chegar com isto?

 

Por muito que sejamos resistentes às dores, ao cansaço muscular e tudo quanto o corpo nos grita (ABRANDA)... Temos que entender determinados sinais que o corpo nos dá antes de ser tarde demais...

E eu digo que todos os atletas devem ter isso presente (nomeadamente sofrer uma lesão) para poder conhecer melhor o próprio corpo, as suas limitações, a forma como recuperamos (o tempo, tratamento...) para no futuro criar uma base de defesa para não voltar a acontecer. Pode soar um pouco estranho mas este mês e meio em que estive parada, quase a arrancar cabelos, a ser insuportável e negligente, perdi imenso tempo a pensar nas coisas e na forma como lido com elas. 

Se me perguntarem se foi fácil para mim estar parada este tempo ovbiamente que irei ser frontal e dizer que não, não foi. Foi duro e só tinha uma pequena fratura de stress num osso insignificante. Imaginem se tivesse sido uma fratura no fémur (o quão desesperada iria ficar)... Se me perguntarem se fiz tudo certinho? Irei novamente dizer que não.

Logo no primeiro exame rx que fiz em Novembro (muito antes de saber que tinha uma fratura) devia ter sido inteligente e não inventar... De facto disseram-me que tinha uma inflamação... Que eventualmente decorridos 15 dias voltaria a correr, mas esperta que sou decidi contrariar e fazer exercício igual - não consigo correr ok! Mas posso ir ao ginásio. Fazer o quê? Bicicleta dizia o médico, mas não especificou...Logo bicicleta o cycling está incluído ... 

Já estão bem a ver...

 

Cycling impõe que te ponhas em cima da bicicleta a suportar o teu peso, logo, eu mesmo sem correr consegui agravar a inflamação... Verdade seja dita, fiz as aulas e senti imensas dores no tornozelo... Mas obrigava  a minha cabeça a afirmar que era uma mera inflamação... De certo iria passar após tomar o anti-inflamatório...

Já sabem o resto da história... 

O que aconteceu em suma foi ignorar todos os sinais físicos que o meu corpo me dava e tentar convencer-me que não era nada de mal... Que iria passar como sempre me passou... 

Foi diferente neste caso. 

Já fiz pequenas microruturas, inflamações, distensões... E tudo passou... Eu pensava que aqui ia ser diferente.

 

E agora o cerne da questão...

 

Porquê ? Porque é que um atleta (seja ou não profissional) deveria passar por isto?

Para ser responsável. Para ser respeituoso com o seu corpo. Para aprender que não, não somos nós que mandamos, mas sim as nossas necessidades. 

No dia em que comecei a ter as dores o meu corpo pedia apenas uns dias de descanso... Só isso (Miriam por favor abranda um dia ou dois... Não vais morrer por isso...) Mas teimosa e má como sou para comigo mesma ignorei-o... E sabem que mais... O meu corpo sofre demasiado...

Seja porque como mal e obrigo-o a passar horas sem comer...

Seja porque o obrigo a suportar horas e horas de exercício ... (sendo franca e brutalmente honesta, em Janeiro consegui fazer cerca de 350 km só em caminhar, fora a natação e isto com parcas calorias por dia...)

Seja porque sofri um acidente e o crucial para mim era trabalhar e estudar e não estar de repouso na cama

Porque tive anorexia nervosa e tenho porque continuo com pensamentos e comportamentos errantes que fazem com que o meu corpo clame por ajuda...

Seja porque eu ignoro o cansaço e ao invés de tentar dormir penso nas preocupações e nas incertezas e nas inseguranças...

 

Eu sou o meu próprio inimigo e escrevo isto, não como forma de dizer : - hey olhem para o meu mau exemplo - e não o façam!...

Não...

Escrevo isto para dizer que uma simples lesão me fez pensar tanto e afectou tanta gente que isso fez-me descer um pouco à terra.

Prometi à minha mãe que iria à consulta de distúrbios alimentares... Prometi a pessoas que me importo...E no fundo eu devo isso a mim. O que eu sofro faz sofrer as outras pessoas...No dia em que perdi as estriveiras por causa das escadas rolantes consegui pôr a minha mãe a chorar...

Consegui pôr a minha mãe a chorar um dia em que lhe liguei desesperada a dizer que a fisiatra me disse que não podia fazer desporto nenhum e lhe disse vou deixar de comer. Nesse dia não comi nada mesmo... Aliás a raiva que sentia era superior a qualquer fome ...E a partir daí a minha alimentação ficou ainda pior 

Neste último mês restringi-me fortemente ... Bebi água como se não houvesse amanhã e entupi a cabeça de pensamentos estúpidos. Todos os dias a ver no espelho e a tirar fotos de comparação a ver se tinha engordado ou não... E querem saber? Eu nem sei se engordei, se emagreci... Simplemente estou numa fase em que não me estou a aceitar...

E por isso esta lesão foi importante...

Não só para me dar uma lição... Mas para me fazer tomar uma decisão importante de procurar ajuda ao fim de 10 anos... 

 

O meu medo não é o que os outros pensam de mim, mas é de mim. Porque sei quão instável e perdida eu posso ficar das ideias...Ser incoerente e tratar mal as pessoas sem sequer me aperceber. 

Uma lesão física faz-nos pensar nas razões pelas quais chegámos a ela e isso parece dramático, contudo, aprendemos muito. Mindset... Eu até acho que fui muito resiliente a aceitar que tinha que efectivamente estar parada.

 

Dia 30-01-2019 

 

Primeira corrida do ano.

Primeira corrida após a lesão.

Felicidade define.

Eu adoro correr... A razão? Vai além do benefício emagrecer ou não ter que me preocupar com o peso... 

Eu adoro correr porque me faz sentir viva, me faz ser uma pessoa melhor, resistente a tudo e todos e capaz de fazer mais e melhor. Correr faz-me sentir realizada. Não são só as endorfinas. Não é só o facto de quase ter perdido a mobilidade com o acidente que gosto...

Corro desde que aprendi a gatinhar... E a sensação de ser livre e ser eu mesma sem ter que me preocupar com os problemas. 

Há quem diga que sou maluquinha (ou vais correr à chuva, granizo, calor e tra tra...)

 

Não é uma coisa que se aprende só a gostar. Há pessoas que aprendem a gostar e as que nascem com uma paixão que acorda em alguma altura da tua vida... E eu lembro-me desse dia.

 

E pronto...

 

Espero não ter sido demasiado confusa e incoerente... Escrevi aquilo que me ia na mente.

 

E aqui fica o registo de ontem :) e see you num próximo post num blog perto de si, aos pacientes que leêm os meus desvaneios e aos apaixonados da corrida como eu. . E pornto vou ali correr , porque tenho todo um ano para poder fazer aquilo que gosto sem me lesionar 

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Miriam Martins ... 

Lesões - Como lidar com elas quando o lesionado és tu?

Uau...

 

Há quanto tempo não escrevia por aqui. Funny fact. A partir do momento em que a tua vida dá uma volta de 360 º e te vês minada de tempo eis que começam a persistir prioridades e manter o blogue activo não foi uma delas.

 

No entanto, com a aproximação das férias de Natal e estando com algum tempinho livre (isto porque também tive mudanças a nível interno no Tribunal) eis que aqui me encontro a escrever e atento o título deste post bem... Bora lá..

 

Não sei bem como começar. Sei que neste momento um turbilhão de emoções passam na minha cabeça, mas em modo cru e nu digo :

ESTOU LESIONADA.

 

Uau. Miriam... Parabéns, volvido um ano em que estavas parada (não por razões que assistem à tua responsabilidade mas porque tinhas de ser operada) eis que te encontras lesionada por estupidez e negligência.

É certo e sabido e quem me conhece que eu não sou de 8 nem 80 ... É até ao limite, é até partir, doa o que doer a gente insiste...

 

Mês de Outubro foi um mês intenso . Fiz quase 500 km (465 km para ser mais exacta) e bem a pessoa não anda a treinar para fazer maratonas mas adiante...

Novembro...

Mês em que atingi o apogeu da minha forma, estava a treinar bem (porém em excesso também) e com uma alimentação, diga-se de passagem nada exemplar, isto porque eu continuo assombrada com o passado e com receio de engordar e o que aconteceu nos últimos meses foi que ter aumentado o peso (mesmo que quase nada) isso mexeu comigo e vieram à tona aqueles pensamentos : "Estás mais pesada o teu rendimento vai ser pior." "Estás visivelmente mais gorda as pessoas vão comentar e vais passar mal." "Estás mais gorda, logo tens que perder o peso para ontem." . E porque razão falo isto?Foi talvez a razão principal, locomotora para facilitar a lesão (falarei adiante de que tipo de lesão é....). Isto porque a minha cabeça, quando no que concerne ao peso e imagem corporal, ouve vozes do além que te diz o que deves fazer para não entrar em conflito comigo própria. Então eu simplesmente enfiava na cabeça que iria fazer x km naquele dia (mesmo que tivesse feito uma prova no dia anterior eu ia correr 17 km no dia a seguir). Eu sou exigente comigo e nunca me permiti descansar um dia que fosse... 

No fim de semana em que o meu namorado esteve em Lisboa, fiz eu e ele, uma prova, mesmo que em forma de treino, de forma rápida e num piso irregular. Eu terminei a prova e achei boa ideia correr 5 km de descompressão só porque sim, não vá eu engordar com o vento.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, céu e ar livre

No dia seguinte eu tinha uma prova de cariz social - a corrida da mulher que decorreu em Lisboa, em que eram somente 5 km e eu claro ... 5 km é pouco. Logo para não engordar com um almoço de 200 calorias vou correr 15 km mas melhor para ser ainda melhor ainda vou caminhar... Tudo certo, tudo favorável. O mal nem foi os 15 km mas a velocidade (15 km a ritmo de 4.07 e tendo feito prova a 3.30) Ora...

Na semana a seguir ... Fiz séries ... (rápidas quando não devia ter sido) tinha o challengue nessa semana (3.000 mil metros) - prova de pista, prova que nunca fizera antes e tendo corrido a mesma num ritmo de 3'18 tendo concluido a prova com 10 minutos e uns 27 ss'. E o que fez a atleta consciente no dia anterior à prova? Correu 12 km a 4 '20 sendo que terminei esses 12 abaixo dos 4'10... Tudo consciente portanto. Nesse mesmo dia da prova voltei a repetir a proeza de correr 15 km também a um ritmo de 4' 11 ...e já tendo corrido nessa manhã aproximadamente 10 km... Ovbiamente correr 10 km era pouca coisa... E mais nesse dia sentia-me tão gorda que nem vesti os calções mais justos e pus uns mais largos... (Neuras)

 

...

 

Semana a seguir . Tinha prova em Vagos. Tinha tudo para ser recorde... Tinha tudo para ser 35 minutos ... Sabem quando acordam a sentir que o corpo está bem e tudo se alinha? Eu sentia-me confiante. Estava  a treinar bem... Mas tinha começado a sentir uma pequena pontada numa quinta feira... 

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé

 

Tudo bem até então. Corri nessa quinta com o Fred. Tendo feito 16 km a 4'18 (isto a dois dias de prova e tendo feito séries de 400, as melhores que já tinha feito até então e sozinha).. Na sexta senti a pontada mas pensei... Deve ter sido um mau jeito ... No sábado... Dia da prova . Sentia a pontada novamente, ligeiramente mais forte mas nada impeditiva... Mas lá se revelou impeditiva durante a prova porque não consegui suportar a dor e tendo gerido a dor durante a mesma... Terminei com 37 minutos e uns pós e furiosa.... Terminei a mancar... Mas o que fiz a seguir? Fui correr mais 5 km... Porquê? 10 km é pouca coisa....

No dia a seguir, furiosa comigo e frustrada com a prova... Decidi que ia correr 18 km. O meu namorado disse para correr pouca coisa ... Ovbiamente que dei ouvidos às vozes da minha cabeça...

Nessa manhã chovia torrencialmente, mas a potes mesmo. Acordei a mancar. Nisto, vou ter com a minha mãe querida e peço-lhe bruffen 600. Mas como um não chega vão dois porque assim talvez consiga correr. Meti quinésio na canela, meti a meia de compressão e lá fui eu, com chuva até aos joelhos correr... Melhor... E como chovia e só tinha levado umas sapatilhas de corrida decidi levar as mais velhas e gastas lá que estavam em causa (não ia estragar as minhas outras não é assim?)

E lá fui eu, ainda meia que manca. A minha mãe a perguntar-me onde é que eu ia naquele estado e eu como se nada fosse... Vou treinar porque sim, porque eu quero porque preciso e eu é que sei .

E fui...

 

Os primeiros km foram no mínimo suportáveis mas lá foi passando. Lembro-me que parei ao 8 km com uma pontada  grande. Alonguei e fui... Nessa altura dois colegas meus vinham a vir de uma corrida em Vagos e reconheceram-me e perguntaram se eu estava bem e se precisava de boleia... E eu logo disse que não e voltei a correr como uma perdida como se nada fosse. Não fosse a canela estar a latejar e eu estar ensopada da cabeça aos pés e cair uma jarda de água... Mas keep it up porque eu é que sei...

E prontos... 18 km feitos a 4'11 ... E uma volta para Lisboa em que desta vez fui de comboio a carregar peso até às orelhas... E está claro... Manca. Pisar o pé no chão era só a coisa mais horrível de sempre...

Pensei... Amanhã devo estar melhor... E os dias foram passando...

A dor continuava, tinha a canela inchada e eis que numa sexta já não suportando dores decidi que era boa ideia ir às urgências (bem eu não decidi, foi o fisioterapeuta que quase me coagiu a ir , portanto obrigada João) . E lá fui eu ... Frustrada com as dores e com o trânsito, dia em que esperei umas duas horas para ser atendida...

Fiz um raio-x que acusou meramente uma inflamação e a recomendação foi uma semana de repouso e eu pensei... Ok tenho  a meia maratona de Évora... OMG . No entanto aconselhou fazer uma ecografia. E eu hmmm. Terça feira tentamos correr . Se correr bem não faço eco...

Bem o fim de semana passou, estava a ser medicada e sentia-me outra. Já não mancava. Bom sinal ... Pensei...

Então vamu que vamu correr na terça feira 30 minutos. E lá fui eu. Deixei as coisas no ginásio (sim porque eu nunca parei) e lá fui eu super entusiasmada com os auriculares . Eis que começo e ...

track...

 

Senti a dor mais fulminante que já tinha sentido... Isto a seguir a ter sofrido o acidente e ter sido operada a segunda vez... A dor foi horrível. Não corri nem 10 metros. Acabei a coxear e fazer pé coxinho.  Tentei a segunda vez... Não deu... Tentei a terceira e já com lágrimas nos olhos, um ardor no estomago e a pensar que estava a viver um pesadelo... Não deu. Eu simplesmente não conseguia correr. Voltei ao ginásio, não a caminhar mas a mancar... 

De lágrimas nos olhos comecei a ligar para as clínicas a pedir marcação para a Ecografia e só tinha data para o ano... E eu... OMG tenho distrital de estrada dia 09 de Dezembro, tenho os Açores dia 15, tenho a sao silvestre dia 31... Eu já tinha desistido de ir a Évora...

Mas como ainda há boa gente lá o meu amigo Tiago me safou e conseguiu o exame para mais cedo...

E o relatório dava periostite tibial e tendossinovite do perónio... O médico recomendou repouso (da corrida) e disse que fazer gelo e anti inflamatório e duas semanas tava ok. Tranquilizou-me... No entanto ... 3 ª semana quase a ir para a 4ª e as dores continuavam, mesmo com anti-inflamatório... E eis que o meu namorado em conversa com o fisioterapeuta dele achou por bem eu fazer um raio x outra vez... E eu pensei... Faço se a dor voltar... No entanto a dor agravou e eu ia tentar correr nesse dia uma voz sensata (aparece uma x na minha vida) disse vai ao hospital. E eu fui...

E o diagnóstico e a suspeição do fisio do meu namorado confirmou-se...

Fratura de stress no perónio..

 

No passado domingo fiz a Ressonância só para confirmar o veredicto. Chorei muito nesse dia, não só pelas dores de cabeça que tive de fazer a ressonância, das dores na canela... Mas como vi um ano inteiro de lutas a ir pelo cano abaixo. Juro que no domingo eu senti-me bem lá no fundo. Enquanto amigos e colegas batiam recordes nas provas eu chorava na cama... Eu pensava porquê eu? Porquê? Já não tinha bastado todas as dificuldades que foi voltar a correr após ter sido operada... Tinha que me acontecer a mim...

A verdade é que sim... Não acontece só aos outros e eu sei que abusei mas acho que não merecia... Eu acho que não... 

O mês de Novembro foi particularmente dificil para mim ... Muito . Mudanças no trabalho, stresses no trabalho, família longe, namorado na Alemanha, falta de descanso e muito stress acumulado... Sei que todos temos problemas mas sei que passei um mês na merda, não só porque vi-me privada de correr mas porque fui submetida a acessos de raiva constantes...

 

E agora o verdadeiro fundamento deste post... 

 

Foi um desabafo... Foi. Sinto-me melhor a berrar isto cá para fora do que o guardar cá para dentro... Mas é uma chamada de atenção... Um dia estamos lá em cima, no outro lá em baixo a olhar para trás a pensar e no se....

 

E agora o que se segue?

 

Custou-me muito aceitar que de facto estava (e estou) lesionada e que imperativamente tinha de parar (isso inclui caminhar). Amanhã quarta-feira tenho a consulta de ortopedia e a análise da gravidade da lesão para ver até que ponto posso ir (se posso nadar por exemplo) e quais os próximos passos (tratamento, repouso etc...)

Se estou a lidar bem? Não.

 

Mas quando a solução não existe, só mesmo recuperar tens de descer à terra e pensar...

Porra ... Fiz tanto mal a mim própria e o meu corpo grita por descanso que eu teimo em não dar só porque a cabeça o assim permite.

 

Então lesões e lidar com elas tem muito a ver com a capacidade de força de vontade que têm.. Eu quero mesmo muito voltar a correr. Tenho imensos objectivos, desde fazer provas em pista como bater os meus recordes na distância que eu sei que consigo.

Mas para que tal possa ocorrer tenho de parar e pensar que sem saúde não há nada e de nada me adianta lamentar o mal que já está feito. Tenho de agarrar neste evento e usá-lo no futuro quando estiver bem...

Não ignorar sinais que o corpo dá (uma ligeira dor por insignificante que seja) pode ser o começo de algo mais grave que foi o que me aconteceu...

Infelizmente eu ignoro todos os sinais que o meu corpo me dá porque eu sou de extremos... Mas os extremos levam-me neste momento ao ponto actual - em que me vejo impedida de fazer algo que amo de coração com todas as forças que é correr.

 

Posto isto vamos ver se em Janeiro quiça posso voltar a calçar os pneus e gastar alcatrão, tartan e quanto tudo que é percurso...

 

Uma promessa eu faço que sei que vou cumprir.

A imagem pode conter: 7 pessoas, pessoas a sorrir, sapatos e ar livre

 

Voltarei ainda mais forte . 

 

 

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Meia Maratona de Ílhavo - Reflexão

Boa Tarde,

 

Hoje o post é dedicado à prova que decorreu no passado domingo , 8 de Abril em Ílhavo.

Vou fazer uma súmula do que foi a minha prova, as sensações que senti, os erros que cometi e claro fazer uma pequenina reflexão.

 

Em 2017 participei na 1 ª edição, tendo participado de quase todos os treinos organizados pela Atletas NET, contudo por na altura a minha condição física estar condicionada ao que vocês já sabem, tive que abdicar da minha participação e decidi na altura ser parte integrante na organização como pacer. Como alguns não devem saber, um pacer é uma pessoa que vai na prova com uma bandeira ou um balão com indicação de um ritmo que os participantes tem a seguir quando têm um determinado objectivo de tempo na prova. No meu caso, já não me recordo ao certo fui como pacer de 5'15 ou 5'30. Na altura tinha o pé torcido, mas isso vim a descobrir dois dias depois quando fui ao fisioterapeuta.

Portanto este ano decidi que iria à prova competir por ser especial para mim. Tenho duas meias que considero especiais, a de Ovar porque foi  primeira que fiz após uns meses de ter tido o acidente e a de Ílhavo por ser parte do distrito onde vivo, a minha casa, onde as pessoas são de um carinho enorme e sobretudo pessoas que são minhas amigas. Estar do lado competitivo este ano foi algo que quis muito e decidi inscrever-me, não com vista a obter algum lugar específico mas sim superar-me.

Se me perguntarem se ia com intenção de ir ao pódio, a minha resposta é esta. Não. Eu não contava ir ao pódio, ia sim com objectivo de estar nas 10 primeiras classificadas mas ia mais com o comprimisso de tentar novamente recorde pessoal o que consegui sem grandes dificuldades.

Durante a semana que antecedeu a prova cumpri com o meu plano de treino (sim eu é que tenho na cabeça delineado o que vou fazer e o que resulta comigo de acordo com aquilo que eu vou conhecendo de mim própria). Cometi um erro no início da semana. No domingo da Páscoa fiz um treino rápido com média de 4'01 (quase 18 km) e no dia seguinte fiz novamente a mesma distância também esta a um ritmo rápido de 4'08. O erro não foi fazer estes km no espaço destes dois dias, mas sim ter passeado a minha cadela a Lady na segunda feira, numa caminhada de duas horas. Basicamente 10 km a caminhar e isso foi suficiente para eu durante a semana andar um pouco moída. Fiquei preocupada sim porque durante a semana andei a pagar a fatura (continuei a correr, a tentar ir num ritmo mais baixo,uma vez que ando sempre a "rolar" quase à velocidade que compito em prova e consegui, embora tenha andado meia empenada nessa semana. Fiz séries na quarta feira só para dar um boost às pernitas, mais uns km no dia a seguir e na sexta decidi ir à piscina fazer uma espécie de recuperação activa que verdade seja dita foi o que me safou porque no dia seguinte estava impecável, tendo feito no dia antes da prova 10 km rápidos sem dar por ela a 4'05. Mas adiante... Falo nisto porque considero que a semana que antecede uma prova deve ser mais soft para garantir que chegamos ao dia D impecáveis e uma boa recuperação nesses dias antes da prova é fundamental, isso inclui descanso, uma boa preparação física, uma alimentação regular e claro dormir bem...

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Treino da Páscoa (1 de Abril)

 

 

 

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Sábado 7 de Abril um dia antes da prova

 

 

 

Posso dizer que no sábado dormi umas míseras 4 horas resultado das minhas insónias e claro ansiedade...

 

Dormi pouco é certo porque estava demasiado anciosa. Posso dizer que esses nervos vinham do facto de os meus amigos e pessoas que me seguem terem expectativas elevadas quanto ao que eu iria fazer na prova e mesmo eu não querendo provar nada a ninguém, mexeu comigo emocionalmente porque não quero iludir ninguém e porque verdade seja dita eu sou a pessoa que mais duvida de mim e das minhas capacidades. Eu sou assim, na minha humildade de atleta amadora, sendo que muitas pessoas dizem que eu sou uma máquina e eu apenas sou uma comum mortal que ama correr...E isso será sempre o meu shot que me fará calçar as sapatilhas e ir correr e não porque alguém me diz que vou longe... Eu sou assim e orgulho-me de o ser. Serei sempre fiel a mim mesma com a premissa de que os meus objectivos não é ir aos jogos olimpicos ou ser uma atleta super profissional pois não faz parte da minha lista de ambições.

 

Agora o dia D. 

 

Foi incrível desde o início ao fim. Estava muito nervosa mas os nervos começaram a ser substituídos por abraços e beijos de gente que já não via há imenso tempo, conheci pessoas que queria conhecer, estive com os meus amigos e os nervos começaram a dissipar. Eu estava em casa e ia correr em casa.

A estratégia inicial era acompanhar o meu manito, o Milton, iamos os dois focados na 1'20. No entanto por algum entusiamos inicial e por mais uma vez não olhar para o relógio, comecei rápido demais e deixei o Milton para trás (ele veio apanhar-me depois mais à frente). Dado o tiro de partida sem ter noção ia em primeiro que não era  a minha intenção, pois tinha duas grandes atletas a correr aquela prova, a Carla e a Vera e sei que impor um ritmo semelhante logo de início foi só por mera distração. 

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Eu com o fogo no cu, que pensava que a Vera e a Carla iam lá à frente xD

 

Quando dei conta encaixei naquele ritmo meu e elas seguiram no seu, mal sabia eu que iria ser a 3ª mulher até cortar a meta. Durante a maior parte da prova mantive-me sempre certinha (quem me segue no strava vê) e mantive sempre uma gestão ponderada. sentia-me super bem mas cometi um erro crasso e levem para vocês porque faz enorme diferença.

Desidratação!!!

Eu não bebi nenhum gole de água durante toda a prova, parei sim em todos os abastecimentos mas para pegar na garrafinha de água e molhar o corpo, porque eu sou o tipo de pessoa que não toma géis, não bebe água, basicamente eu sou um alien xD. Mas nesse dia paguei a factura. Ao km 17 comecei a ter dores  de barriga, bem cólicas chamem-lhe assim. E isto foi assim durante os restantes km até chegar à meta. Estratégias? Não impor demasiada velocidade porque iria piorar então abrandei um pouco sem me preocupar com o relógio ( já não ia a olhar e não) e tentei manter-me abstraída. Sempre no meu mundo como já sabem. Sinceramente e porque não ia a olhar para o relógio não sei bem que tempo iria fazer, foi uma enigmática... Soube que ia bater recorde pessoal quando cheguei à meta e vi o cronómetro... E eu vou um pouco assim pela surpresa e é nestas alturas que fico feliz porque me surpreendo com as minhas capacidades. 

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Altura em que o manito me veio apanhar 

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Devo agradecer ao André Nobre por me ter feito companhia quase a prova toda, ao senhor ciclista que teve de ir ali ao meu lado com a placa de 3ª mulher, ao meu treinador chato que me ia buzinando para me manter como estava, ao meu namorado que é só incrível por me aturar e a toda a gente que gosta de mim como eu sou, amigos que correm e que não correm e que me deram sempre uma palavra de força. 

A minha chegada à meta não foi digna de capa de revista (ver foto infra xD) mas cheguei. Peço desculpa ao José por o ter despachado, porque ali o objectivo era correr ao WC xD .

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Funny story.

 

Assim foi a minha prova em Ílhavo em que o objetivo era ser feliz e sentir-me bem o que aconteceu mesmo apesar desse condicionalismo a partir dos 17, uma prova em que dei abraços fortes e estive com amigos, onde partilhei o pódio com duas grandes atletas, onde o meu namorado também ele fez uma bela prova nos 7 km (és o meu orgulho apesar de seres mau feitio), onde fui brindada com carinho e bem recebida...Simplesmente um misto de emoções, emoções fossem elas "intestinais" ou meramente sentimentais... Senti-me bem, senti-me em casa e isso é mais uma das coisas que me faz gostar tanto de correr, porque correr não é só correr, é as relações que nós ganhamos, amigos que se ganham para uma vida, partilhas de recordes e objectivos, é viver aquele momento e pronto...

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E aqui segue então, não foi 1'20 como queria mas foi 1'21, 23 segundos. Se ter ingerido água podia ter sido crucial para um tempo diferente, talvez sim, talvez não, não me ralo com isso, apenas me ralo quando falho um comprimisso e o comprimisso ali era ser feliz e eu fui.

 

Beijinhos :)

O limite do exagero, até onde vai uma rede social?

Bom dia,

 

Agora que estamos quase nas férias da Páscoa e tenho o trabalho em dia e mais um tempinho para dedicar a este cantinho, venho hoje falar de uma coisa que tem sido fulgrante os últimos meses e vou ser sincera, nua e crua porque eu sou assim e quem não gostar sabe o caminho da serventia.

 

Recentemente recebi várias mensagens (pessoas que não me conhecem pessoalmente) a dizer que estou magra. Ok. Eu já tinha percebido isso, não fosse eu ter consciência do meu corpo, mais de metade da roupa não me servir acrescido ao facto de que felizmente sou uma pessoa que tem espelhos em casa. No entanto, houve alguém que decidiu-se no direito de afirmar sem pó de dúvida que eu estava desnutrida e com claramente problemas hormonais ou então que os viria a ter...

Mas em que contexto vem esta conversa perguntam vocês?

 

Simples.

 

Nos últimos meses tenho assistido, essencialmente na rede Instagram um crescimento de páginas ditas "fitness", ou melhor, um crescimento de contas em que as principais preocupações é promover marca Y e promover alimentação X. Trocando por miúdos, de repente oda a gente tem uma visão sobre a alimentação e decide incutir nos outros aquilo que considera "cientificamente correcto", ou moralmente correcto... Quer isto dizer, se não comes frango e batata doce, arroz basmati e salada todos os dias já não és fit, se fazes uma cheat meal ao invés de comer um pedaço de chocolate todos os dias já não és flexível, se não és vegano porque não compras as mil barras das Iswari ou as paleo, ou as RAW  ou tudo o que valha, estás a destruir o planeta terra e a envenenar o teu corpo, se não fazes as panquecas da moda e preferes comer uma tosta mista perdes um seguidor ou dois porque não estás na moda, és só uma pessoa vulgar a comer uma coisa normal...

 

Acho que me fiz entender.

 

Existem inúmeras contas no IG, umas com mais seguidores outras com menos, mas o que é real e triste é como estas contas e quem as  gere luta uns contra os outros para afirmar a sua premissa, tanto que secalhar se esquecem um pouco da humildade que originalmente tinham antes de ter k follower's. Know What I mean? 

 

Por exemplo a dita cuja pessoa que me abordou não sei bem porquê e ironicamente ser alguém cujo peso é mais baixo que o meu, disse que eu estava desnutrida. Como é que alguém tira uma conclusão assim sem saber os meus hábitos e rotinas, sem saber quais os meus objectivos e conhecer o meu metabolismo? O que se passou foi uma invasão ao meu estilo de vida que é o meu, que é algo que eu não tento impor a ninguém, com a premissa de que deverias fazer assim porque eu é que sei. Não o disse directamente mas sente-se ali a vontade de moldar o cérebro e toldar aquela que é a sua premissa. Com muita pena minha acho que o número de pessoas que alcançamos e que nos agradecem acaba por nos subir à cabeça e essas pessoas que de repente tinham alguns seguidores mas que transmitiam uma determinada mensagem de repente surgem com milhares de seguidores e aí é que a coisa se torna exagerada, ou seja, de repente uma mensagem tão simples para a ser obrigatoriamente o correcto para todos e bora lá promover à força essa mesma mensagem criticando outros conceitos...

 

As redes sociais podem ser uma coisa muito boa como podem ser uma coisa muito má e na minha óptica de utilizadora acho que estes últimos meses é tudo uma panóplica de postagens ridículas e discussões e pragmáticas sem fundamento...

 

Vamos lá ver. Todos nós crescemos num seio familiar onde nos transmitiram valores e acrescendo também nos foi incutido, na maioria de nós a ter uma alimentação saudável, onde comesses tudo, vegetais, arroz, carne ou peixe e podias comer aquela sobremesa ao fim de semana... Pelo menos comigo foi assim.

Se eu já caí nesta rede do mundo "fitness"? Sim já e só me arrependo mas assim foi uma maneira de eu aprender que o ser humano não nasce para ter uma alimentação da moda em que a primorzia é comer esparguete proteico, pao proteico, pao sem gluten, leite sem lactose, em que deves fazer bolos fit e não bolos normais... Por amor de deus... Eu sempre comi uma fatia de bolo caseiro e nunca morri e se me perguntarem se como, claro que sim! 

 

Sim estou magra. Peso 48,5kg. Mas como várias vezes ao dia. Como aquilo que resulta comigo e que me sabe bem, pode ser o mesmo todos os dias, ninguém tem nada a ver com isso. Como todos os dias chocolate e não falo só do 80 %. Como de todo o tipo. Se houver um aniversário no tribunal não vou negar uma fatia de bolo porque eu treino todos os dias e não vou engordar por isso...

Como bolachas normais, como arroz, massa quando me apetece, como pão praticamente todos os dias, bebo leite vegetal simplesmente porque não digero a lactase do leite e fico mal disposta, como aveia normal ou com sabor, se me apetecer um panado de frango como pois. Who cares? O que diferencia neste caso, eu na minha conta não publico tudo o que como porque não tem qualquer sentido para mim. Porque raio vou postar sempre o que como? De vez em quando lá meto a minha sopa nos stories ou a minha panqueca e o incrível é que só o facto de publicar estas duas refeições as pessoas logo que institivamente mandam-me mensagem a adizer Miriam só comes duas vezes ao dia? Por isso é que estás tão magra. Gente!!! Eu se comesse duas vezes ao dia não conseguia fazer 1 km, quanto mais 17 ou 18...Tendo em consideração que eu trabalho de segunda a sexta e muitas vezes com carga horária superior a 8 horas. Já saí do tribunal às oito da noite e sim já fui treinar de seguida. Acham que não comeria?

 

É para perceber o impacto das redes sociais, nem tudo o que parece é! E cada vez mais me afasto desse tipo de páginas porque não aprendo nada senão somente vejo alguém com unhas e dentes de punho cerrado a dizer, faz isto! E pronto assim nascem vários tipos de rebanhos de ovelhas que simplesmente não tem uma cabeça para pensar, que fazem determinada coisa que secalhar não será o ideal para elas mas porque alguém lhe disse ou alguém publicou já é ideal...

 

Quando eu penso no Instagram, já não penso como uma rede social em que o objectivo inicial era colocar fotos... Assim de repente quando penso no instagram penso em 3 coisas: Cupões de desconto, dietas X,Y,O,M e falta de genuídade... 

Longe vai as postagens em que alguém publicava algo motivador, poucas são as contas com um texto diferenciador que realmente te inspira e que não tem necessariamente que te toldar o juízo, agora um texto vem acompanhado de marca suplemento tal, roupa marca tal...

 

Já há algum tempo em que queria espelhar a minha revolta... Porque não bastava me afastar como ter de ser perseguida... Deixei de seguir pessoas que eu achava que tinham discernimento para dizer algo até que percebi que era tudo para ter mais seguidores e que de facto aquela arrogância não era fingida era autêntica... É triste ver como as coisas evoluiram para o pior nestes últimos tempos. Num país em que os ordenados não são milionários uma simples conta pode te dizer para comprar um pão proteico ao invés de ires à padaria da terra e comprar um pão feito com água, farinha e fermento... Ou comprar esparguete proteico que custa um absurdo na vez de comprar um esparguete normal, ou comprar uma barra na vez de comprar um lanche ou comer uma fruta, comprar mil suplementos que te prometem fazer perder peso, que prometem aumentar a massa... Se fosse verdade tinhamos um país todo sarado não era? Não havia obesidade, só corpos bem esculpidos e trabalhados...

 

E pronto e basicamente o meu post de hoje em nada tem a ver com as corrridas porque hey, I Have a Life!!! Sim eu sou das pessoas que partilha os treinos, mas partilho às vezes o meu dia-a-dia de comum mortal. Porque eu não tenho necessidade de ser alguém que não sou, para que me daria ao trabalho de fingir algo que não sou e pior tentar converter em algo que é insustentável..?

 

Posto isto a lição que retiro deste apogeu do que é o Fitness, o culto do corpo etc etc, é que sejam mais autodidactas. Não digo para não deixarem de seguir contas, para não se sentirem identificados com algumas...Mas sejam fiéis a vocês próprios e perguntem, uma,duas as vezes quantas forem necessárias o que vos leva a ser assim e não de outra maneira e se de facto isso vos faz felizes. Porque acima de tudo, um equílibrio do corpo só se consegue com o equílibrio que começa na nossa sanidade mental e no nosso coração.

 

 

*****

 

 

Sejam felizes e por amor de Deus caguem nas receitas fit da Páscoa xD

 

 

E depois da operação, onde estou hoje?

Não sei como começar este post. A falta de tempo, as mudanças que ocorreram num curto espaço de meses foram tantas que isto vai começar sem grande raiz, porém siga.

A última publicação que fiz foi antes de ser operada. Na altura andava muito em baixo, foi um ano conturbado, onde trabalhei todos os dias, tinha dois trabalhos, tinha a corrida, tinha pessoas a quem tinha de dar atenção (e eu não dava)... Até que em Novembro surge a operação à coluna (a operação pela qual eu aguardava há cerca de 3 anos, que por negligência do hospital e minha, não fui operada na devida altura). Seguindo...

Em 2017 estava a trabalhar numa empresa, abriu concurso para os tribunais, a minha área de estudos e eu decidi arriscar e consegui. 

No mesmo ano e isto foi um culminar de mudanças, em Novembro estava previsto entrar nos tribunais a início de Dezembro, sendo a minha operação uma semana antes... Conseguem imaginar?

Acho que entrei num estado de colapso, entre o medo de ser operada e o receio de me mudar para tão longe de casa mas como medos não alimentam mudanças positivas decidi encarar tudo de ânimo leve.

No dia da operação fui à piscina ainda para "desanuviar", uma vez que correr andava cada vez mais difícil e eu não sabia bem porquê...

Já tinha abrandado os treinos, tomado medicação, já tinha feito descanso da corrida mas nada era suficiente...Iria descobrir no dia da operação que foi tardia. Estava agendada para as 11 da manhã e fui para a sala de operações às 23:00... A minha mãe foi-me levar até Coimbra e fiquei sozinha... Tenho 25 anos mas mãe é mãe e custou-me muito ficar ali sozinha, mas ser adulto é isto...É enfrentar o mundo sozinho. É assim que crescemos.

Saltando para a maca, já na sala de operações...

 

Duas grandes descobertas. O médico perguntou:

-Estes últimos tempos não te tens sentido mais cansada e com mais sono?

Ao que eu respondi que tinha passado os últimos meses a trabalhar todos os dias, muitas vezes mais que 10 horas e que ainda tinha outro trabalho e seria normal eu por vezes andar mais exausta...

E ele disse:

-Fica a senhora a saber que tem uma grande deficiência na hemoglobina, o seu sangue não circula como deve ser pois está com anemia.

 

Esta foi a primeira grande descoberta e a razão pela qual me doíam as pernas. O sangue não estava a ser devidamente oxigenado e eu continuava a treinar... Ovbiamente que as dores ao correr eram elevadas. Para terem noção da dor que sentia nas pernas... É como se tivessem as pernas com o dobro do peso, como se tivessem ido ao ginásio no dia anterior e tivessem de tal forma se esforçado ao ponto de andar a mancar... Eu andei assim cerca de 4 meses...

 

A segunda grande descoberta e a que me deixou em estado choque.

O médico informou-me que tinha uma das placas partidas numa das vértebras e que o material estava de tal forma deterioado que nem sequer sabe como é que eu conseguia correr. Engraçado é que o médico disse que eu podia viver bem com o material até ao resto da vida, quando na verdade o material estava a detiorar-se no meu corpo e a ser recusado. Relembrando que quando fui submetida à primeira cirúrgia após o acidente a médica disse que que teria de remover o material ao fim do ano. Em 2014, em Setembro fui operada para unir as vertebras e só passados uns anos, em Novembro de 2017 é que fui operada para remover...

 

Na consulta pré-operatória disseram-me que ia ser um procedimento simples...

 

Foi tudo menos simples e a recuperação nas semanas subsequentes foram dolorosas. Sofri mais que a primeira operação que fui completamente abaixo, mais em baixo fiquei quando soube que tinha 8 dias para me apresentar a serviço nos tribunais... Ainda não tinha casa em Lisboa ... Foi uma loucura.

Para terem uma noção, eu fui operada quase de madrugada e no dia seguinte estavam a mandar-me para casa... Mal me conseguia mexer mas como tenho alguma resistência à dor, liguei ao meu pai para me ir buscar... Ia ser praticamente uma hora de condução até  chegar a casa. Custou? Sim. Mas assim é o SNS...

 

Depois de 2 a 3 dias quase 80 % na cama, decidi que tinha de me começar a mexer e comecei a caminhar. Estava determinada em voltar a correr e a ser activa. E foi assim...

Comecei a tomar medicação para a anemia porque a minha alimentação não estava no seu apogeu (muita falta de apetite)... O peso começou a decair...

E os meses foram passando... Dei a minha primeira corrida em Lisboa, na segunda semana depois de ter iniciado funções no tribunal. Fui de madrugada e após chorei de alegria. Corri a umritmo médio de 5:15 mas feliz por ter corrido...

Andei assim  a correr somente uns km aqui e acolá e comecei a acumular km...Mas sentia que não conseguia voltar a correr mais rápido, sentia-me de alguma forma limitada e não sabia bem o porquê...Até que um dia o meu amigo Telmo decidiu pegar em mim e levar-me ao Jamor e conhecer o grupo de marcha e corrida e a atleta Sassi (Sandra Teixeira do Sporting) que tão bem me acolheu. O grupo é enorme e as pessoas são fantásticas. Naquele dia fomos todos divididos em grupos de ritmo. O Telmo disse que eu deveria ir com o grupo avançado mas eu disse que não me sentia preparada e que deveria ir com o intermédio (ou seja no grupo dos 4'50 a 5:15). O que não aconteceu. Não sei se por alma do destino ou por aquele bichinho que eu tenho em provar a mim própria o oposto daquilo que consigo fazer, fez-se uma luz. Acabei no grupo dos avançados (a começar entre 4'20 a 4'30) e assim foi... Terminei em bom, terminei feliz e dei uma chapada de luva branca aos meus acessos de falta de  confiança. 

A partir desse dia acho que foi sempre a evoluir. Mas desta vez eu tinha de ter juízo e ser consistente. Deixar as manias de lado e treinar de forma inteligente e não massacrar o corpo...

Os resultados foram aparecendo...

Eu comecei a pensar... Ou eu ando dopada ou então não sei. 

Em Janeiro foi quando fiz o campeonato nacional de estrada no Jamor. Nesse dia senti-me tão bem e não dei o que deveria dar (mais uma vez não olhei para o relógio). Quando cheguei à meta e vi que ia fazer 41 minutos nem queria acreditar... Comecei a ter mais confiança em mim e nas minhas capacidades. Já disse várias vezes, não sou nenhuma atleta profissional e para mim ver aquele tempo fez-me pensar que eu consigo ir além daquilo que eu nunca pensava ir...

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"Campeonato Nacional de Estrada no Jamor, ia totalmente tranquila e sem olhar para o relógio, podia ter ido abaixo dos 40 minutos se fosse esperta xD"

 

E comecei a ficar mais focada em treinar, a tentar gerir muito trabalho ( a fazer mais de 8 ou 10 horas de serviço e quem está num tribunal entende) e por muita insistência do meu namorado lá decidi começar à procura de uma pista para voltar aos treinos de séries...E comecei a ser orientada por ele uma vez que moro em Lisboa e o meu treinador é da associação de atletismo de Aveiro, mas continuei a treinar sozinha mas com orientação (às vezes a fugir a algumas orientações mas a ser consistente).

Comecei a sair da minha zona de conforto... Fiz o meu primeiro corta mato curto e depois fiz o segundo, em que mais uma vez lá consegui melhorar e sofrer um pouco mais...

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"Eu fora da minha praia num corta mato curto, em que foi duro mas mais uma vez me superei e trouxe a primeira medalha de atletismo de bronze para casa "

 

 

 

Fiz a corrida do Fim da Europa, mais uma vez superei as minhas expectativas que não eram nenhumas e consegui o primeiro lugar com 1,09 nos 17 km da prova, uma prova dura pelo seu sobe e desce...

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"Neste dia na Corrida do Fim da Europa, 0 expectativas, um primeiro lugar para mim e para o meu panda :3"

 

Bati o recorde aos 10 km sem ir em prova numa prova e acabei em primeiro, pese embora quem fosse a competir também ia a treinar, mas fiquei super orgulhosa do que alcancei nesse dia...

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"Em Penalva de Alva na prova distrital onde o meu namorado ia competir e eu treinar e cheguei em primeiro (embora quem tivesse ganho ia em treino "

 

 

 

E chegamos ao dia D... O dia em que eu queria muito fazer a meia maratona de Lisboa, não pela beleza do percurso (porque não é bonito) mas por estar a residir em Lisboa e estava curiosa em saber até onde a minha cabeça era forte o suficiente para dar força às pernas para correr aquela prova.

 

Volvendo atrás no tempo...

 

A minha melhor marca na meia maratona era de 1'35, em Lisboa lesionada... Depois dessa prova fiz uma prova a nivel distrital e rebentei e nunca mais voltei a correr bem. Sempre com lesões, parava e retomava e sempre com a plateia dos críticos a dizer-me que eu fazia tudo em excesso... Mas eu não sentia que fosse pelo excesso, sentia que algo em mim não estava bem...Até ter sido operada e tirado todas as teimas.

Consegui provar a muita gente que não era eu e a minha teimosia, eu quando dizia que não estava bem era porque não estava e não por querer fazer por estar bem. Porque eu tentei muitas vezes estar bem e seguia os conselhos, desde ir aos fisioterapeutas desde respeitar o descanso e alimentar-me bem, mas não saía daquele desconforto. Isso consumia a minha confiança e gradualmente correr já estava a deixar de ser prazeroso. E eu não queria desistir do meu amor à corrida.

 

Dia 11 de Março de 2018. A minha primeira meia maratona oficial após ter sido submetida à operação. Não tinha expectativas nenhumas, só um objetivo. 1'30 era o objectivo. Até aos 10 km fui olhando para o relógio, quem me conhece sabe que eu nunca olho para o bichinho mas nesse dia sentia-me tão bem que decidi ver quanto é que conseguia fazer aos 10 km.

Quando apitou aos 10 km, olhei e nem queria acreditar que dei um mini pulo quando corria. 37 minutos. Fiquei em êxtase. Estava a correr uma meia maratona e a atingir um objectivo que já tinha há 4 anos... Baixar dos 40 minutos aos 10... E consegui. Depois dos 10 km decidi que não iria olhar mais para o relógio e ia deixar ir onde o corpo me permitisse porque foi uma luta até ao 17 km com o vento que se fez sentir, tanto que no dia antes da prova a organização teve de alterar a partida original que seria na ponte 25 de Abril. 

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"A chegar à meta"

 

Durante a corrida ouvi imensa gente a berrar pelo meu nome e eu ia tão no meu mundo que só queria que me deixassem no meu mundo (perdoem-me por isto) quando estou a correr só quero estar comigo própria porque já o disse inúmeras vezes, eu corro contra mim mesma e não contra ninguém. Porque para mim correr é desafiar a mente e o corpo, é ser resiliente e corajoso e ter a capacidade de sofrer. Já aprendi muito enquanto corria só a refletir, tanto que ás vezes levo música e nem sequer me dou ao trabalho de concentrar o ouvido no som ou na letra mas sim nos meus pensamentos. Sou uma pessoa anciosa por natureza e estou constantemente a pensar. Quem me conhece bem sabe que às vezes disperso e fico distraída. É um defeito mas eu sou assim.

 

E posto isto. É um mega apanhado de como começou 2018. Começou em bom, com algumas dificuldades sentidas por me ter mudado para Lisboa. Perdi penso que quase 10 kg. Neste momento o meu peso oscila entre os 48,5 kg e os 49 kg. Confesso que nunca foi segredo que sempre quis perder peso para estar mais leve para correr mas tenho noção de que o peso que perdi não foi por ter uma recaída, foi porque quis e as condições o permitiram, tendo em conta a minha anemia (dá-me falta de apetite) e a agitação que é a minha vida, que é trabalho, treino, descansar, preparar refeições ...

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E a minha motivação para aguentar estar longe dos que amo e ter imenso trabalho aliado às preocupações que é viver sozinha qual é? O facto de eu já ter batalhado tanto para estar onde estou hoje e digo humildmente que me orgulho de tudo o que fiz para o conseguir porque não tive que recalcar ninguém e fi-lo por mérito meu porque eu sou determinada e de ideias fixas.

 

Objectivos na corrida, sinceramente não posso dizer que os tenha delineados porque cada dia é uma aprendizagem e Deus sabe que eu passo a vida a aprender com os meus erros e ainda bem que é assim. Os meus treinos são sempre sozinha e os da pista os mais custosos para mim também o são. Mas o que me faz ir sem queixas com um sorriso na cara é o facto de eu ter tido a oportunidade de voltar a correr com saúde e com felicidade que já não acontecia há muito. Tenho imenso prazer em correr, mais ainda quando partilho os treinos com os meus amigos mas tenho maior prazer em chegar ao fim do treino e dizer a mim própria que superei a cabeça, o cansaço físico e mental e que sou mais forte de dia para dia. O objectivo principal que tiro da corrida é o facto de me tornar uma pessoa mais resiliente e passo a citar quem corre tem que saber sofrer e esse sofrimento torna-nos mais resilientes na vida pessoal e profissional.

 

E posto isto, aguardem um próximo post.

 

E uma grande novidade que foi o auge ... Ganhei prémio monetário na meia maratona :D . Ora digam lá que batalhar todos os dias um pouquinho não tem repercussões que não esperávamos vir a ter? 

 

Um conselho...

 

Lutem muito e muito, mesmo que doa, mesmo que chorem, mesmo que digam que não são capazes porque vocês são mais que aquilo que pensam ser, nós somos mais que um pensamento de limitações, nós criamos teias de aranha na cabeça com problemas que nós próprios criamos, por isso se estás a ler isto e achas que não és capaz de fazer uma coisa pergunta a ti mesmo quantas vezes tentaste. Pergunta a ti próprio a razão de ser que te inviabiliza a prosseguir com o teu sonho. Tu és o teu próprio inimigo mas a vantagem disso é que tu te conheces melhor que ninguém e só tu sabes como ir contra ti.

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Um beijinho enorme *****

 

De mãos dadas com a ansiedade

Uau.

 

Há quanto tempo não vinha cá publicar. Tudo tem uma razão, um motivo, um fim.

2016 passou, 2017 foi um ano intenso em todos os níveis, e verdade seja dita que há tanto tempo não vinha aqui e deparei-me com um comentário infeliz. Porém a vida continua, e a minha "consciência" não podia  estar mais limpa que nunca.

Porém o que venho aqui falar é algo que é comum a muita gente.

Ansiedade e as crises.

 

Nunca disse a ninguém, ou sequer procurei ajuda clínica para as minhas crises de ansiedade, porque de certa forma eu conseguia controlá-la.

Este ano houve finalmente a abertura de concurso público para oficiais de justiça. Quando o concurso abriu eu estava a trabalhar numa empresa como administrativa e tinha responsabilidades acrescidas e o ambiente de trabalho era algo que não conseguia digerir, nada com as colegas de trabalho, porque foram incríveis, mas sim como as coisas de processavam. Adiante. Tudo isto contribuiu para eu andar num stress caótico com a minha própria cabeça, pois durante esses meses andei numa panóplia de acontecimentos...

 

Com a abertura do concurso, decidi por não continuar na empresa e arriscar em ingressar no concurso e assim foi.

Passou-se algum tempo e eis que dou por mim na sala de realização da prova de acesso. Pois a pessoa não pode somente ter a licenciatura, tem que fazer uma prova de modo a avaliar os conhecimentos. 800 candidatos, 400 vagas. Conseguem perceber a minha frustração no meio disto? Eu sou uma pessoa que tem pouca confiança. Sentia-me insegura. A prova foi realizada em 8 de Julho, no dia a seguir ao meu aniversário. No dia do meu aniversário senti-me a pessoa mais melancólica do mundo. Sabia que tinha estudado pouco, pois o meu tempo era dedicado ao trabalho, e quanto mais trabalho mais stress, mais treino...

Comecemos por aí...

Eu estudei muito pouco para o exame, de tal forma que o mesmo correu mal... Todavia mal ou bem consegui ser admitida. O exame de forma muito geral era dificil e com isto muita gente não passou. Azar de uns, sorte doutros.

 

Adiante...

 

Passemos agora à outra fase. Após saber que tinha sido admitida restava apenas concorrer aos lugares desejados e após, sairiam as listas de colocações.

Como o processo de ingressar no tribunal iria demorar algum tempo e eu não podia estar sem trabalhar (pois a pessoa não vive do ar), andei numa busca por trabalho temporário, ou melhor dizendo trabalho de Verão.Não ia estar de papo para o ar.

Inicialmente era para trabalhar na Figueira da Foz no casino, na vez disso acabei a trabalhar numa padaria e a par com isso, não satisfeita achei uma exelente ideia fazer serviço em casamentos, que mais não é do que trabalhar como uma negra...

 

Comecei os dois trabalhos em Julho...

 

Após ter saido do ginásio e perdido peso, comecei a correr novamente bem e sem lesões... Mas a partir de meados de Agosto comecei a sentir dores nas pernas, mais precisamente nos gémeos.

Houve mesmo um dia em que estava na pista com o meu amigo Pedro e sentia dores nos gémeos. Não era nada muscular...E lembro-me do Pedro dizer que eu corria muito porque tinha o gémeo bem desenvolvido... Não era bem assim.. Não me lembro de ter as pernas assim tão cheias...

Entre trabalhar todos os dias, sendo que de sabado para domingo trabalhava nos dois lugares (era sair da padaria,fardar-me para o casamento e sair do casamento para abrir a padaria). Sim eu era responsável por abrir a padaria. Tão grande acresceu a responsabilidade que a minha patroa deixava-me sozinha na padaria. Em pleno Verão, numa altura em que o movimento afluia... E eu sozinha numa padaria gigante. Pequeno almoço? Impossível . Almoçar , ou era as 4 da tarde ou não comia. Comecei simplesmente a retroceder. Uma pessoa que teve anorexia vê-se na iminência de não comer, começa a regredir porque o peso vai diminuindo e eu não tinha tempo para espirrar quanto mais enfiar algo na boca. Foi inevitável. Com  tanto trabalho eu comecei a deixar de comer e inevitavelmente a fome era nula ou inexistente.. Quem passa por isto sabe que não é fácil comer...

 

Mas houve um dia...

 

Eu continuava a trabalhar feita louca, a comer pouco e mal, a dormir entre 3 a 4 horas... continuava a treinar feita tola, a dar as caminhadas com a amiga.. Basicamente eu andava a fazer tudo.

Eis que chegou uma altura na padaria em que houve a festa da terra e como eu não sei dizer não, acabei por fazer os dois horários. Trabalhar de manhã  e à noite ...E ficava mesmo a dormir na padaria,uma hora senão mesmo com a roupa no corpo vestida...

Na altura trabalhava uma brasileira no turno da tarde, e ali a dita cuja não fazia o trabalho da tarde... O que se passava assim era que além de ter todo o trabalho da manhã, ainda tinha de ter o cuidado de organizar tudo o que ficava por fazer da tarde (o que envolvia ter os locais de manuseamento de alimentos limpo, arcas cheias,lixos devidamente no lixo...) O que não acontecia e para meu mal, sendo eu obecada com limpeza e organização ficava completamente descordenada da cabeça.

Houve um dia em que  a padaria encheu de tal forma que eu nem sabia onde me meter. A padaria tem duas salas... Nesse dia encheram as duas,fora as pessoas em pé...Nesse dia tinha a padaria organizada como o usual, isto dito de curto modo, tinha frios  a repôr entre outras coisas por fazer... Para quem trabalha, ou já trabalhou na restauração consegue entender os dilemas de não ter condições para trabalhar...

O que aconteceu nesse dia, é que um maldita peça da máquina de fazer sumo e o desejo dos clientes (a maioria emigrantes), juntou-se. Nesse dia toda a gente parecia ter acordado com desejo ânsio de beber sumo de laranja e comer torradas... Agora imaginemos que a padaria tem mais de 8 mesas , nunca contei e tem bem mais, e cada mesa pedia 5 ou 6 sumos naturais mais x torradas... Eu memorizava os pedidos e a ordem de atendimento, mas alguém não soube deixar as coisas organizadas para o dia seguinte... E com isto o que aconteceu?

Tive uma crise desde há anos... Comecei a hiperventilar, a chorar e quase desmaiei porque não aguentei a pressão. Foi um dia infernal em que juro por Deus que não fui gritar e partir tudo porque consegui regressar a mim própria... Tive 5 minutos assim sem saber se estava a respirar e a ficar branca... Não por uma peça, mas pelo transtorno de estar sozinha e sem saber o que fazer. Porque eu sou imperativamente responsável e sinto a necessidade de ser boa  a desempenhar determinada função. Eu exigo mais de mim e exigo ser eficiente nem que isso me custe a saúde e foi isso que aconteceu...

Estes últimos meses andei de mãos dadas com a ansiedade e tudo o que ela acarreta. Andei irritável, com crises de choro umas vezes e de repente super alegre...Não dormia o suficiente... Cheguei a adormecer para ir trabalhar tal era o meu ritmo de vida...Todos os dias...Todos... A acompanhar isto tudo uma péssima gestão dos patrões, que juro que nunca tal vi...Coisas que vi e que ouvi foram o culminar de muitas emoções.

No meio disto tudo, da exaustão o corpo começou a falhar.

As tais dores nos gémeos... Bem basicamente este estilo de vida nas férias conseguiu tirar-me alguma saúde...E as pernas incharam... Criei edemas nas pernas, mais não é que um acumlar de ácido lático (derivado dos treinos) e o sangue a acumular... Não conseguia correr sem uma dor que fosse, porém eu ia na mesma...Porquê? Porque a minha única maneira de controlar as crises era a corrida. Sempre foi...Porque ninguém olha para mim e diz que eu sou workaholic, só quando me vê a trabalhar é que percebe que eu tenho uma genuína afinidade com o trabalho, mesmo que ganhe uma miséria... Sou uma pessoa que exige perfeccionismo... E deixei-me ir. Até atingir a rutura total. Recentemente tive algumas sessões de fisioterapia para recuperar alguns dos danos resultantes deste estilo de vida frenético...

 

E as opinões dos especialistas são cruas e duras. Nunca vais melhorar este problema quando não parares e tendo em conta a tua situação... (e agora falando da coluna).

 

Já faz algum tempo em que sofri o acidente. Remontando em 2014 ... Agosto. Dia 31 tive um acidente estúpido...O maldito acidente de karting. Muita coisa mudou desde aí... Senti-me abençoada por ter tido sorte em não ter ficado de cadeira de rodas,uma vez que no dia do acidente cometi vários erros, como sair do kart a andar e caminhar uma série de minutos...

Em Setembro fui operada, e mal tive alta, isto depois de reaprender o básico (caminhar...), tive a cominação de que após um ano da operação deveria ser operada para remover o  material... Portanto em 2015 deveria ter sido operada para remoção do material e não aconteceu...Fiz o último TAC em 2015, exame que serviria de base para seguir os pressupostos...Mas os anos passaram e chegamos a 2017 quando os problemas começaram a aparecer (as chamadas sequelas que a médica falou que surgiriam se não tirasse o material...) Ovbiamente continuei a vida normal como qualquer jovem, continuei a correr e a trabalhar...

Quando comecei a sentir dores agudas na coluna,especialmente a treinar em pista comecei a preocupar-me. E por vezes podia estar sentada e surgir espamos na coluna o que não era normal... A minha escoliose piorou e correr começou a tornar-se díficil...A verdadeira rutura deu-se este Verão, onde eu expus o corpo a um nível de exaustão elevado... Tive algumas sessões de fisioterapia onde as razões eram sempre as mesmas. Enquanto tiveres isso na coluna vais andar sempre contraída e os nervos comprimem e o sangue não irá circular etc etc... Como é óvbio o problema maior não era só eu ter titânio na coluna, porque é possível viver com material na coluna,na perna onde quer que seja. No meu caso o corpo está a rejeitar porque aqui a pessoa não pára um segundo. Eu respiro trabalho e descarrego os meus depósitos nos treinos. Por vezes vou além do que me me deveria permitir ir... Simplesmente exagero. Nada disto é novidade para vocês que me acompanham...

 

Então...

 

 

Com este post quero explicar algo...

 

Quando fui para o ginásio engordei...

 

Devo ter chegado aos 63 kg. A  minha roupa deixou de ser larga para assentar no meu corpo... Basicamente os meus 57 kg foram para a casa dos 60 e isso fez-me confusão, porque eu tenho a mania da perfeição e enraizei a ideia de ser magra porque cresci a ouvir que era magra... Portanto se eu estivesse mais forte era sinónimo de que eu estava a falhar...O pior foi ver fotos minhas e ouvir comentários de que estava mais jeitosa e redondinha...Não é o que uma ex-anoretica quer ouvir e foi aí que comecei novamente a exagerar, porque sentia uma necessidade insana de perder peso para "ontem". Comecei a deixar de comer e a auto-medicar-me com um anti-depressivo que me punha literalmente a dormir... Lembro-me bem de que no dia da Meia Maratona de Cortegaça em que acompanhei a Mariline fui em jejum...Não almocei e fui jantar a casa do namorado e acho que comi uma fatia de pizza...Muito por insistência dele...

Os meus níveis de ansiedade subiram... Sentia-me verdadeiramente em baixo. Porque eu tinha engordado e não sabia porquê...

E eis que chego ao dia 21 de Novembro...

 

Após 5 meses de trabalho dia sim dia sim, sem dormir o suficiente e comer pouco finalmente vou de férias forçadas...

Procurei ao final de vários meses de insistência insistir na operação que acabou por ficar esquecida (isto porque o nosso SNS é top #soquenao). E eis que chegamos ao dia 22 de Novembro... Em que irei ser operada...

Podia dizer que estou feliz, eu até estou...Sinto que vou ficar melhor, no entanto ao mesmo tempo penso... Vou ter de parar.. E se correr mal? E se e se.... Tenho medo, medo de não voltar a correr.

 

Correr é a minha paixão, porque desde pequenina que correr me vai nas veias. Sempre fui a menina atípica que gostava de correr contra os meninos e ganhava e a menina que corria à chuva porque se sentia plena...Hoje em dia correr à chuva é o que mais gosto, porque devolve-me a infância e traz-me alguma paz... Aquela paz em que quando corria era porque amava, hoje corro para não me sentir culpada por comer como uma pessoa normal, apesar de que a principal motivação que me leva a correr é mesmo por eu encontrar-me a mim propria e a sentir-me em paz comigo e com os outros...

 

E chegamos aqui , escrevo isto em modo desabafo porque estes últimos meses foram intensos...Porque simplesmente os nervos apoderaram-se de mim e fiz os possíveis para não ter um esgotamento mental.. E para evitar isso usei a corrida, evitei o esgotamento mental, mas consegui o esgotamento físico, em que não tenho reservas nem mais capacidade para fazer um km sem ser  a chorar... Por incrivel que pareça, os meus tempos nas séries melhoraram...Porque às vezes eu separo a dor, da dor...

 

Sou demasiado exigente, com as pessoas no geral... Mas de mim espero sempre dar tudo. Ou eu dou tudo ou sou uma falhada...

 

Mas....

 

O post já vai longo e só queria dizer isto... Tudo em excesso faz mal...Já me dizia há algum tempo um seguidor no instagram que eu poderia vir a sofrer com o excesso de trabalho... No meu caso foi o cumular de toda uma panoplia de stress e acontecimentos que fizeram com que chegasse ao dia 21 e desistisse do treino... Pela primeira x em muitos meses decidi ceder... E porquê? Porque o corpo grita que nao aguentava mais e eu ignóbil não quero saber do que me diz, pois o primordial é não engordar e continuar o compromisso de ser uma boa atleta...

 

Portanto não me alongando mais, amanhã pelas 11 da manhã irei remover o material e espero que consiga ultrapassar esta fase...

 

Obrigada a quem leu até ao fim e a quem não irá julgar os meus atos.

 

 

Miriam Martins

Aquele segredo obscuro que precisava de contar

Olá peeps

 

Após o post em que relato a minha experiência com Overtraining,  já trago boas notícias.

Compreendi que o descanso é essencial. Fiz natação durante uns dias e respeitei o descanso e a alimentação. Na parte da alimentação estou a tentar melhorar porque nem sempre tenho a fome que devia ter.

Sobre um assunto que venho falar e acho que devia falar. Para mim não é orgulho nenhum mas siga.

 

O ano de 2016 foi super díficil para mim. Se posso dizer que foi chegou a ser tão mau quando como tive anorexia, esteve lá perto. Tive uma recaída após o acidende de kart e na altura perdi um pouco mais de 10 kg. Acho que na altura andei apagada, mas sempre  a esconder isso. Quando acabei a licenciatura que tanto me custou em termos de ter de lutar para a conseguir, tanto que tive de abdiqar de ter exelentes notas por ter de trabalhar... Coisas a parte. Terminei a licenciatura e aventurei-me antes de a terminar de sair de casa dos meus pais. Erro número 1.

Depois foi  a procura de trabalho, ter passado de padaria para escritório de advogados, café... A altura da corrida da Bosh. É dessa altura. Se fosse remoer o passado, estava aqui até amanhã.

Umas semanas antes da corrida da Bosh bati com um carro que não era meu, uns tempos depois furtaram-me 500 euros (após ter ficado sem trabalho), essa mesma pessoa ameaçou-me de morte e pronto basicamente vi a minha vida a cair num buraco. Na altura voltei a perder peso e voltei....

 

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A fumar . Sim leram bem. Eu sou ex-fumadora.

 

Fumava sim, não comprava mas passei a comprar de vez em quando quando sentia o controlo fugir-me. Dizia a mim própria que isso não influenciava na corrida, que podia de vez em quando. Na altura contei a poucas pessoas do que se passava. Prometi deixar. Mas sem sucesso porque depois apareceu as lesões, as contas do fisioterapeuta, problemas em casa, fora de casa... Controlo?

 

Onde?

 

Eu sempre fui pessoa de controlar tudo, não pessoas, mas a mim própria. Ter a mania de ter ideias fixas e elas fugirem ou acontece tudo ao contrário. Sabem quando tem um dia NAO? Aqueles dias em que pensam que o melhor era ter ficado a dormir. Eu andava assim . A única coisa que ainda me fazia não perder a cabeça era o trabalho. Para sorte das sortes, após a onda de azar, consegui trabalho. Mas isso não me impediu de fumar. Continuava infeliz em alguns aspetos da vida e por isso fumava. Porquê? Não sei. Por saber que não podia e o não poder eu controlava.

 

Fumei até há duas semanas.

 

Foi repentino. Tinha comprado um maço de cigarros no fim de semana e por alguma razão senti que o fumar já não me trazia nada positivo. Chegava a ser horrível. A sensação durante e após... Um dia cheguei a casa e atirei o maço ao balcão, mais de metade cheio e disse à minha mãe (dá ao pai, sim o meu pai fuma e faz quilos de desporto). Não fiz uma boa ação. Dar ao meu pai. Ok. Ele não deixa, e quando deixa volta.

 

O que quero dizer é o seguinte:

 

Eu sou muito humana, honesta e genuína. Se me orgulho de ter estado meses e meses a contaminar os meus pulmões? Obviamente que não. Se me orgulho de ter a coragem de o escrever publicamente aqui? Sim. Mesmo que implique ter de levar um rótulo, mesmo que alguém me tenha como exemplo e eu deixe de o ser porque fui humana... Sabem porquê? Não levamos nada da vida se não formos honestos connosco e com os outros.

Fumar não me trouxe benefícios. Se posso dizer que me afectou na corrida? Talvez. Perdi rendimento que não foram só das lesões... A capacidade pulmonar foi-se deteriorando. Na semana da corrida da Bosh fiz 42 minutos nos 10 km mas eu ia de rastos, apática e com kgs de CO2 nos pulmões. O que me levou à corrida? Não sei na altura raiva...

Fumar pode ter aliviado por segundos, mas trouxe-me tonturas (porque eu fumava sim mas pouco);

Pele cansada e olhos cansados...

Irritabilidade...

Insónias..

 

E pronto eis o segredo osbscuro da Miriam, a Miriam alegre e animada que as pessoas que a conhecem e de certa forma acham boa menina fumava.

 

O facto de ter fumado não me torna pior ou má pessoa, mas sim torna-me uma pessoa que sabe viver e a lidar com  os erros. Sinto-me super bem por finalmente ter deixado sem haver uma espécie de "desmame". Fi-lo de repente porque finalmente sinto que a minha vida está a compor-se. 

 

A isto eu chamo de crescimento, e sinto-me bem por finalmente gritar este segredo.

 

 

XXXX

 

 

Vigorexia e Overtraining

Olá maltinha,

 

Venho falar de uma coisa que em abraçou estes últimos tempos e que fez com que tivesse o verdadeiro colapso. Venho falar de dois assuntos. A vigorexia e o overtraing, que estão interiamente unidos.

Resultado de imagem para overtraining

 

Quem me conhece sabe que eu não sou nem 8 nem 80. É logo tudo ao máximo. 

Sabe que tenho algumas pancas de ter tido anorexia e que o meu escape é o desporto.

Desde que me conheço sempre pratiquei desporto e sempre me senti bem. Há um mês e meio comecei a interiorizar que estava gorda ( todos os santos anos tenho uma recaída). Ou seja, como mencionei, todos os anos tenho um colapso de auto-imagem, mais precisamente no Verão quando o fator menos roupa ganha força. Este ano veio mais cedo... 

Desde que entrei no ginásio ganhei peso, não foi muito, mas o suficiente para eu me achar uma bola. Para quem corre, uns kg a mais podem fazer diferença, então para quem corre e quem já teve um distúrbio alimentar a coisa complica-se. 

Como eu sou sincera não escondo o que vai na cabeça e a natureza da maior parte as minhas lesões ter uma justificação que mais não é o facto de sentir que sou gorda e interiorizar isso de tal forma que sinto e o vejo, mesmo que me digam o oposto... Eu não acredito.

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Passando à frente e respeitando o título do post...

 

Vigorexia mais não é que o descontentamento com o corpo o que obriga a pessoa em treinar em excesso em busca da imagem ideal. Não se trata de uma anorexia ou uma bulimia, pois a pessoa não deixa de comer. Recorre notorariamente ao uso de suplementos para atingir objetivos (não é o meu caso) para cumprir com um objetivo irrealista. 

Portanto, o que quero eu dizer é que entrei num esquema de treinos magicado na minha cabeça, em que tinha de perder peso para "ontem", perder o que ganhei no ginásio basicamente. E o que comecei a fazer quando me deram carta verde para correr? Bi-diários, ginásio de manhã, corrida à tarde. Treino todos os dias com zero descanso e com exercícios sempre a recrutar os mesmos grupos musculares. 

Comecei a sentir imensas dores nos gémeos e a associar a falta de descanso, mais não fosse só isso. Continuei este ritmo alucinante até ter chegado ontem. 

 

Já tinha feito GRIT na semana passada (treino altamente metabólico) e senti dores, mas consegui suportar minimamente. Ontem fiz a mesma aula mas não contive as lágrimas a dado momento em que era necessário força nos gémeos. Parei imensas vezes, o professor disse para ir com calma e ainda ficava mais chateada e ainda insistia... Foi necessário acabar a aula sentada no chão a agarrar os gémeos com lágrimas nos olhos.Senti um grande colapso. As pernas não respondiam. Por cada vez que parava a dor intensificava-se...

No dia 9 de Abril fui de pacer na meia Heliflex. Já sentia dores nos gémeos e uma dor no tornozelo direito. Mas ignorei e tomei um bruffen. Durante 3 dias andei a tomar bruffen. Fiz a meia sem grandes problemas. Senti um ligeiro desconforto, mas apesar disso estava muito bem. Comecei a sentir dores a partir do 13 km. Mas isso impedir-me de continuar? Nunca. Continuei porque nesse dia tinha uma responsabilidade.

 

 

meia.jpg

 

Na semana a seguir continuei na minha rotina de treinos regular... Na quarta de manhã fui correr. Fiz uns 7 km a 4'39... Depois tentei fazer as séries. Mas foi aí que vi que algo de errado se passava e decidi ir ao ginásio à tarde. Mas claro o treino soube a pouco, a cabeça diz que não fizeste nada de jeito, portanto fazes GRIT e depois vais à fisioterapeuta. Ora portanto... Apos uma sofrência na aula de GRIT...Fui à fisioterapeuta do ginásio. Analisou-me o tornozelo, palpou-me os gémeos e disse-me que estava com contraturas muito fortes. Disse que os gémeos estavam muito rígidos e que tinha torcido o pé... Tinha o pé inchado e sem saber bem o porquê... 

 

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Aqui a menina não quis saber de torção, ok vamos parar de correr ok ok. Mas vamos treinar igual e de preferência com intensidade...

 

Até ontem...

 

Sabem quando tem dores fulminantes e sentem-se com uma grande rigidez muscular? Sentir que cada perna pesa 30 kg ou mais e que caminhar torna-se algo díficil. Eu sinto-me assim hoje. 

 

 

Decisões díficieis precisam de ser tomadas e eu decidi fazer aquilo que queria evitar. PARAR. Só nadar e caminhae, nem mais nem menos... Sem extremos, sem neuras, respeitar o corpo... Porque sou a prova de que teimosia em excesso pode prejudicar a saúde. Não só meramente física mas como psicológica...

 

Dei por mim a ter sinais fortes de irritabilidade e ansiedade,

Muito stress (tive inclusive uma crise e borbulhas derivado ao stress)

Perdi algum apetite

Ando constamente exausta

Insónias

Meia deprimida

O ritmo cardiaco desregular

Perda de motivação

 

No meio disto tudo, consegui alargar o tempo parada... Nada de correr. Nem sequer caminhar decentemente consigo..

 

Mas a vida é assim. Quando queres ser mais teimosa que as tuas limitações e o corpo avisa e tu insistes. Se tratas mal o teu corpo ele vai responder mal.

 

 

E pronto, 

 

 

Malta

 

Ouçam o vosso corpo. É uma máquina, mas como um carro precisa de manuntenção, o corpo também. Precisa de ser nutrido, descansado, de vez em quando receber alguma massagem... E pronto. É um templo..

 

Acabei com outra coisa que me fazia mal, e só algumas pessoas sabem, mas isso prefiro não dizer. Só quero dizer que aprendi a lição.

 

Agora é ter fé e juízo e calma para regressar às corridas de vez. 

 

 

Um beijinho 

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