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Aquela Runner Obcecada

Aquela Runner Obcecada

10 mitos sobre correr (na minha Perspectiva )

Buenas Tardes Peeps 

Com as férias judiciais, sobra-me algum tempinho extra para vir aqui ao blog escrever.

Hoje quis abordar um tema diferente, porque em conversa com uma colega de trabalho afirmou coisas acerca da corrida que não faziam sentido, ou seja, não corre mas baseou-se no artigo Y de médico X.

Antes de escrever, menciono que estes são alguns que conheço e ouvi falar e que outros digo que é mito por experiência própria, pode sempre ter essência de verdade para algumas pessoas . :3

 

1º Mito

As Grávidas não podem correr

A questão da gestação... Apesar de actualmente já se ver as grávidas a praticar desporto, ainda está muito enraizada a ideia de que as grávidas não podem fazer nada. É quase como se tivessem uma doença grave. No entanto, a corrida é um desporto de impacto, portanto na minha opinião é que no primeiro trimestre a mulher (se já tiver hábitos de correr) pode e deve fazê-lo, desde que devidamente autorizada pelo seu médico(a) e em intensidade e quantidades moderadas. É importante, quando se carrega uma vida, junto do médico perceber se pode ou não, pois existem casos de gravidez de risco. 

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2º Mito

Correr causa flacidez

Lembro-me que quando frequentava o ginásio, ouvir uma rapariga que levava muito a sério o tema da musculação e dizia que actividades como correr causavam flacidez. É inegável que a prática de corrida causa perda de massa magra, no entanto eu pelo menos não senti isso. Quando comecei a correr (estava mais gordinha) pesava uns 58 kg, perdi imenso peso, porém não fiquei nada flácida. Pelo contrário. Ganhei perna e tonifiquei bastante. Depende um pouco. Correr provoca sim catabolismo, por isso é importante fazer treinos de corrida variados (incorporar as séries, rampas, fazer técnica de corrida e exercícios complementares sem peso), consumir proteína suficiente e beber muita água. Por isso, eu falo por experiência própria que faço km e km e não sofri com isso da flacidez, pelo menos a nível das perninhas. 

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3º Mito

 

Quanto mais correr, e mais rápido, melhor será a minha performance

Este é sem dúvida para mim um dos maiores. Mais uma vez falo por experiência própria. Tenho o exemplo prático. No ano passado (2018) corria menos e a minha performance estava melhor do que neste corrente ano (já falei nisso em posts anteriores). No fim do ano de 2018 lesionei-me, e quando regressei às corridas meti mais km, mais velocidade e o resultado disso, foi que cheguei às provas com um nível indesejado de performance, ou seja, cheguei cansada, esgotadinha. É importante sim ter volume consoante as provas que pretendemos preparar, e ter treinos de velocidade. O que me apercebi, foi que abusei disso e a minha performance caiu porque exagerei na carga e na velocidade que colocava nos treinos. Não importa a quantidade, mas sim a qualidade. Por isso é importante ter um plano estruturado (corridas regenerativas, treinos de séries, treinos intervalados, treinos longos...).

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4º Mito

Pessoas de idade  não podem correr

Este é ridículo. Já ouvi médicos a dizer que os "velhinhos" não podem correr por causa das articulações. Vejo tantas pessoas séniores a fazer um jogging no seu passinho, outros mais audazes a correr bem melhor que muita gente novinha. Tenho que dar aqui o exemplo infra, o Senhor Arménio que é um atleta nato. Já fez atletismo no passado, mas continua muito activo e a fazer grandes provas. Recentemente fez a sua primeira Maratona ( a Maratona da Europa). É a prova viva de que a corrida na sua vida só lhe trouxe benefícios . Sou fã dele. É certo  que um corpo de 20 anos não é igual a um de 50 anos, mas como tudo na vida, há que adaptar e individualizar o treino de acordo sempre com a faixa etária, estilo de vida, entre outros factores.

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5º Mito

Correr com muita roupa ajuda a emagrecer

Lembrei-me deste mito, ou melhor dizendo, lembrei-me de um senhor no ano passado que passou por mim a correr (em pleno Verão) , estava eu na minha semana de paragem, a caminhar e a falecer de calor (ia eu de t-shirt e calção), e, eis que passa por mim um rapaz/senhor, a correr em (visível sofrimento) com uma camisola polar, com um corta vento, leggings compridas e uns calções. Questiono-me se eventualmente não traria uma cinta por debaixo daquela roupa toda... Há pessoas que acreditam que correr (ou outro desporto), com roupas que aumentem a transpiração, emagrecem. Sim emagrecem de facto. Se se pesarem antes de ir correr e no final, irão ter uma grande diferença. A questão é que essa diferença de peso é só líquidos. Ao reporem os líquidos perdidos "ganham" peso outra vez. Correr vestido não faz perder massa gorda - mas uma dieta equilibrada aliada ao desporto, desde que haja défice calórico (gastas mais do que ingeres =perda de peso), é que fará a pessoa efectivamente perder peso.

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6º Mito

Correr no Inverno, com chuva e frio vai-nos fazer ficar doentes

Este é daqueles que me dá vontade de dar um tiro às pessoas que dizem que sou louca quando vou treinar com tempestade lá fora.

"Vais ficar doente!" ";"És doida, vais apanhar um resfriado que nem te conto." 

Normalmente quem diz isto são pessoas mais ou menos sedentárias e que não correm de todo. Falo por experiência. Mais facilmente fico com gripes no Verão do que no Inverno. Eventualmente o que me põe "doente", é, se após um treino à chuva eu ficar com a roupa molhada no corpo muito tempo... Noto que treinar em diversos ambientes, me tornou mais imune às gripes. Por isso, se a tua desculpa para não ir correr é : Está frio e a chover, arranja uma melhor. Se assim fosse, ninguém treinava no Inverno. 

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7º Mito

Quem corre, deve comer muitas bananas a fim de evitar cãibras

Bananinha. Nhami que bom (só que não). Eu não gosto muito, sou muito básica nas frutas e banana só consigo comer  se lhe colocar 1 kg de canela, mas como pelos seus benefícios, nomeadamente por ser uma boa fonte de energia. Quando se fala da alimentação de um atleta, a banana está sempre presente, mas é um mito quando se diz que se não a comermos vamos ter défice de potássio e consequentemente cãibras. As cãibras não surgem porque não comemos bananas (ricas em potássio). Aliás não é devido à falta do potássio, mas sim por falta de sódio e líquidos. E porquê sódio ? É um mineral que um papel primordial nos impulsos nervosos e na contração muscular, logo na falta deste, uma pequena tensão num músculo, pode levá-lo a contrair (a chamada cãibra). Por isso nunca tirem o sal da alimentação, o sal não é o vilão, mas a quantidade ingerida e quem corre deve ter sal na alimentação porque perde muito sódio.

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8º Mito

Devemos comer muitos hidratos de carbono antes de correr

Não necessariamente. Por norma antes de correr nem devemos empaturrar-nos. Há pessoas quando vão fazer a maratona (pela primeira vez) comem quantidades industriais de comida ao pequeno almoço, digo maratona mas falo nas provas ou corridas no geral, e na maioria dos casos, essas pessoas têm uma dor de burro. É essencial ter energia antes de treinar, especialmente se o treino for superior a duas horas, mas não é preciso comer uma quantidade absurda de corrida. Até porque é preciso algum tempo para se digerir a comida. Uma peça de fruta (a tal banana), é ideal, é prática e de fácil absorção e digestão, juntando uma fonte proteica (ovos) e estão prontos. Mas isso vai do conhecimento de cada um. Comer muito, em quantidade não vai ajudar, pode até prejudicar o treino. Após o treino sim, aí justifica-se comer um pouco mais. Mas antes só vamos ter dor de barriga.

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9º Mito 

Correr faz mal aos ossos, aos joelhos e às articulações no geral

Depende!!! Se eu correr com umas sapatilhas que não são adequadas ao meu tipo de passada, não tiver um treino devidamente estruturado e consistente, correr sempre no mesmo piso e tiver uma técnica de corrida péssima, aí sim vou estar mais vulnerável às lesões. No entanto, não é o correr que faz mal às nossas articulações. A corrida tem sim impacto nas articulações, mas fica mais gravoso se a pessoa tiver excesso de peso e não tiver orientação certa de como correr. Por isso, não é um mito absoluto, na minha opinião, e relativamente aos ossos, a prática desportiva ajuda a aumentar  a densidade óssea, desde que o façamos em conta, peso e medida.

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10º Mito

Deve-se alongar antes de correr

Não necessariamente. Ouve-se muito dizer que para evitar uma eventual lesão DEVE-SE alongar antes de correr mas não é verdade. Para evitar lesões, o ideal é fazer um aquecimento antes do treino principal (e aí sim alongamentos dinâmicos podem fazer sentido) e depois no final alongar bem. Alongar com o corpo a frio pode ser prejudicial e não benéfico.

 

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E pronto, foi isto e para vocês que correm , que mitos conhecem ou acham que são mitos e não verdades ?

 

Sintam-se livres de partilhar

 

Até à próxima

 

******

 

A importância de fazer RESET ao corpo

Buenas Tardes,

 

Em primeiro lugar (antes de vir sempre aquele ódio de que eu não percebo nada disto), quero deixar a ressalva de que este blogue apenas se trata das minhas experiências pessoais, não serve de exemplo e apenas serve para quem de alguma forma se identifica.

 

Posto isto, alerta dado let's go 

 

 

 

O nosso corpo é uma máquina certo? Uma máquina não funciona sem combustível, assim como passado um determinado tempo pede alguma revisão, mais não seja uma manutenção.

 

O meu carro quando atinge um nº de km vai precisar de óleo, filtros, eventualmente os pneus começam a ficar carecas e precisam de ser trocados... Etc. 

 

Então o nosso corpo também precisa de manutenção? Claramente que sim.

 

Ao longo do ano devemos fazer análises regulares, sejamos atletas ou não. Todo o ser humano precisa de ver se a saúde está em dia. 

 

E o atleta que passa o ano todo a competir?

 

A época desportiva tem várias fases. Existe uma altura em que a chamada época termina, épca essa que pode ser diferente para alguns atletas. Mas falando também do comum atleta de fim-de-semana, ou o atleta que basicamente treina para se manter saudável, o corpo precisa de descanso. Não falo daquele descanso pontual de uma vez por semana, mas sim aquele mais extenso (por norma 1 a 2  meses) dependendo da modalidade e da intensidade que o atleta aplicou durante a sua época desportiva.

 

Agora vou dar o meu exemplo prático...

 

Lesionei-me em Novembro, e retomei os treinos em fins de Janeiro e os meses que se seguiram traduziram-se num aumento de carga sucessiva. Apesar de ter progredido, cometi erros crassos (nomeadamente não seguir um plano de treino), ou seja, limitei-me a correr o que queria, quando queria e as vezes que queria. Sem interrupções. Posso dizer que o meu mês mais intenso foi Março (550 km)  e o mais calmo foi Junho (410 km). Em termos de competições fiquei aquém do que pretendia e do que valia mas também não fiz muitas provas:

 

Corrida da Mulher em Março - 19 minutos em que estava a voltar, mas estava com uma carga intensa (mais de 500 km desde a lesão);

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Fiz a meia de Ílhavo em Abril (1hora24min);

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Fiz a corrida da liberdade em Lisboa, Abril, em que fui primeira da feminina geral, com o tempo final de 39 minutos na distância de quase 11 km;

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Fiz a meia maratona de Cortegaça que foi em Maio, em que desmaiei no final (anemia instalada, mas terminei a prova após parar 7 vezes com o tempo final de 1hora29min;

 

Corrida EDP - A mulher e a vida (5km) com o tempo final de 18:51 mas sendo TOP 10 com excelentes atletas a nível nacional e duas estrangeiras

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Fiz 4 provas de pista pela primeira x:

 

10 km - 39:14

5 km - Meeting de Lisboa, em que estava muito bem , fiz mínimos para os campeonatos de Portugal de pista - 18:07

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5 km regional de Aveiro com imenso vento -18:57

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3 km regional de Aveiro com imenso vento - 10:55

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Basicamente não competi "Muito".

 

O que retiro destes últimos meses é que gostei imenso da experiência em pista porque é diferente de correr em estrada, é preciso saber sofrer mais, é necessário saber correr na pista (táctica, gestão, técnica...)

 

Fiz no geral mais bons treinos que boas provas.

 

No entanto, considerações à parte, não posso dizer que fiz uma boa época desportiva porque matei-a logo quando me lesionei, e este mês comecei a ver a minha vida a andar para trás.

Depois de fazer os regionais de pista, fiquei sem tomar o ferro para a anemia (não vou dizer a razão de ter deixado de tomar) e o que se passou foi o seguinte:

Fiz uma prova que não contava fazer (os 5000) ao invés de 1500, o que já provocou logo um desgaste físico nesse fim-de-semana e considerando que já levo mais de 1000 km nas pernas desde a lesão, uma anemia era tudo o que não esperava e começou a trazer as primeiras consequências (cansaço extremo, insónias, tonturas…)

Mesmo assim, queria fazer os 5000 nos campeonatos de Portugal e como tal, continuei a puxar pelo corpo e fazer os treinos como no resto do ano, logo tive que me esforçar o dobro para conseguir treinar.

Até certa altura tive rendimento. Estava efectivamente a andar bem nas séries mas comecei a sentir dores fortíssimas nas canelas.

Quem já me conhece, sabe que no ano passado por esta altura, fiz uns exames à circulação venosa e foi-me dito que tinha síndrome compartimental crónico, tendo o médico sugerido operar, no entanto, pedi uma a opinião ao fisioterapeuta, que me aconselhou a não fazer qualquer intervenção cirúrgica, porque eventualmente ficava boa durante alguns meses mas que seguramente tinha muita probabilidade de ter o mesmo problema mesmo operando, passados uns meses. A par com isso tinha dores nas canelas…

Neste momento que escrevo isto, vou na minha segunda semana sem treino (de corrida). Tenho optado por nadar, caminhar e fazer algum reforço ligeiro só para manter o corpo activo. Isto porque eu no dia 13 de Julho, a fazer o meu penúltimo treino de séries até à prova dos 5000 decidi que não podia arriscar uma lesão mais grave... Mas não foi uma decisão leviana... Fiz o treino nesse dia, nesse dia andei a chorar que até fiz uma ferida debaixo dos olhos ...

Nesse treino (que não era difícil),  consegui não fazer o que me propus (sofri no aquecimento, nas séries que fiz que eram apenas 3 e com 3 minutos de descanso e o pior, é que sofri na descompressão, a correr devagar, descalça e na relva…

No final do treino tinha as pernas (desculpem a expressão) “bambas”. Sentia uma dor tão aguda, queimação, como se tivesse alguém a espetar facas nas pernas. E a dor não passava. Estive cerca de 10 minutos sentada na relva sem conseguir alguma reacção das pernas e pus-me a pensar…

“Que raio estou a fazer a mim e ao meu corpo?” – É que o pior nem eram as dores, mas sim o ter dores e ainda ter tomado um anti-inflamatório. Tudo maus  sinais! Se tomas um medicamento para as dores, é suposto elas diminuírem um pouco… Digo eu...

Nesse dia e após ouvir o meu namorado e o colega de que não adiantava massacrar,   mais que isso, pensei, porque raio ia arriscar uma lesão? O objectivo passaria para ir fazer a prova a dar o meu máximo, o meu melhor...Até ia conseguir chegar ao dia e fazer a prova, contudo ia sofrer bastante e não ia competir no meu melhor. Obvio que a intenção não era ganhar às melhores atletas nacionais, mas sim fazer uma marca melhor do que a que fiz na primeira vez que me estreei na pista nesta distância.

Eventualmente fazia a prova sim, fazia um tempo igual ou pior e talvez fizesse uma fratura de stress nas duas tíbias e quiçá… Mais uns meses parada, não 3 mas mais… Valia a pena o sacríficio?

Foi isso que pensei …

Chorei imenso nesse dia, pensei 30 vezes se sim ou não (o que demovia eram as dores nas pernas sem correr). Eu sou a pior pessoa para ouvir os sinais do corpo, mas felizmente consegui ir contra a minha teimosia e dizer não! Não e não. A cabeça é um pilar importante num atleta, mas não basta isso.

Temos que estar focados, temos que nos conhecer, saber e entender as necessidades do nosso corpo. Não fazer o treino porque está lá na agenda, mas nesse dia caíste das escadas e estás todo magoado, mas vais porque está lá… Eu confesso que sou dessas. Posso estar com um pouco de gripe, ou ter acontecido algo que me prejudique na saúde, vou igual. Fiz isso na meia de Cortegaça e o corpo deu todos os sinais com uma semana de antecedência. Que fiz eu ? Fui na mesma. O que fiz na prova? Fui até ao fim. Que repercussões teve a minha teimosia em não ouvir o corpo? Uma febre, um dia a menos no trabalho, frustração, perda de sinais no final da prova…

Por isso sim. É preciso ter uma grande capacidade mental e de força (não física) mas mental para fazer treinos, provas sem ceder aquele sofrimento característico… Mas há o sofrimento em que :

-sofres agora mas recuperas depois;

-sofres, voltas a sofrer e no dia a seguir ainda sofres…

Quer isto dizer…

 

Atletismo de competição não é saudável.

Desporto em excesso não é saudável.

É preciso parar algumas semanas para o organismo se “preparar” para outro mesociclo. Cada vez mais fico consciente da importância do papel do descanso. Efectivamente estive de férias nessa semana em que decidi parar… Mas o mais  grave e flagrante é que não estava a trabalhar, só a comer e a dormir. Por isso seria de esperar estar bem recuperada para treinar... Mas até sair da cama era um acto heróico.

 

Por fim...

 

A importância de fazer um RESET ao corpo vai além dos benefícios físicos... 

 

É importante a nível psicológico e porquê?

Chega a um ponto de meses e meses a fios de treino, em que o desgaste físico sente-se. Mas e o psicológico?

Quando treinas bem e os resultados ficam aquém do que treinaste isso desgasta. Pelo menos eu senti-me assim estes últimos meses. Mesmo fazendo 30 por uma linha, deveria estar melhor nas competições... Chegava ao ponto de não me sentir bem mentalmente para fazer uma prova. A ansiedade incontrolável, aquela paixão íntreseca não estava tão vincada... Eu comecei a sentir pressão, não dos outros, mas de mim própria. Queria exigir do meu corpo tudo e mais alguma coisa... Isso a nível psicológico é frustrante porque queres tanto uma coisa que fazes de tudo mas fazes tudo mal... 

No outro dia publiquei uma foto com esta citação (minha by the way) ...

Know yourself is the first step to you Don't Be responsible for your failure, so it's About time to focus on that really matter... You. 
When you learn how deal with your Mind issues you became your own heroe not your enemy. 

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e sapatos

Acho que este ano não sabia bem o que queria. 

É importante ter os objectivos bem definidos. Ora, eu queria voltar logo a competir após a lesão, ora eu queria fazer meias maratonas, ora queria fazer pista, ora queria fazer provas de 10 km... Mas afinal o que é que eu queria? Nem eu sabia, queria fazer tudo e nada.

Não me encontrei nestes últimos meses, basicamente andei a vaguear e a treinar sem cabeça... Simplesmente não sabia o que queria, não estava focada em nada senão em recuperar... Mas recuperar o quê e para quê? 

Simplesmente quis voltar e quando voltei, cometi muitos erros.

Por isso PARAR.

A importância de parar serve para regenerar o corpo e serve para refletir naqueles dias em que estás sem correr para pensar:

-porque corres?

-quais os teus objectivos de correr?

-o que é que procuras atingir a curto/médio/longo prazo?

-o que correu mal?

 

Isto serve não só para a corrida mas para o resto dos desportos.

 

Neste momento com a minha segunda semana off de treino tenho a cabeça mais assente, estou visivelmente mais recuperada, sinto-me fisicamente melhor apesar de continuar activa mas a um ritmo moderado tendo em consideração que estou a tentar recuperar da anemia... Mas acima do bem estar físico e psicológico, sinto-me mais madura, mais consciente do que quero. 

Fui assistir aos campeonatos de Portugal neste fim de semana e dei por mim triste por não poder ir... Poder podia... 

Mas no 2º dia comecei a pensar ...

Vi a prova na qual eu eventualmente ia correr e pensei...

Se eu estivesse aqui hoje como estava na semana passada ia SOFRER, ia penar por um tempo de merda ...E pensei ... Em condições normais faria um tempo exelente mas neste momento não estou.

Um atleta não é obrigado a estar a 100 % o ano inteiro. Nem os grandes estão sempre no máximo das suas capacidades. O que dizer de amadores que dividem o tempo pela carreira profissional, não tem estágios e apoios, outros que têm filhos para criar, estudam e afins?

Estou mais madura.  Digam sim ou não, mas eu sei que estou.

Orgulho-me de dizer que me lesionei por uma coisa facilmente recuperável, porque agora a conversa podia ser diferente, eu podia ter optado por ter ido aos campeonatos e dizer neste post , opa lesionei-me com uma fratura e fiz um tempo de merda... E vinha aqui chorar baba e ranho.

Então eu orgulho-me por finalmente ter parado antes do "Tarde demais". Abdiquei de algo que queria muito mas que sabia que não estava em condições para o fazer bem porque sei que que tenho as capacidades para fazer "X", porque raio me iria contentar por fazer "Y"? Só para dizer "Hey estive presente nos campeonatos mas arrastei-me?".

 

Por isso, pessoal viciado como eu...Ou que por outras questões acha que parar não é importante, é importante sim.

A vida não é só correr. 

Confesso que ainda tenho pancas em treinar todos os dias mas cada vez menos , não vou ficar mais ou menos gorda por isso, não vou perder a forma com umas semanas de descanso, muito pelo contrário.

Pessoal que pensa que se estiverem uma ou duas semanas sem correr vos faz perder a performance, esqueçam... Nada disso. 

Já dizia o meu fisioterapeuta que me tratou da fratura (TODOS OS ATLETAS DEVEM PARAR NO MÍNIMO, SUBLINHO, MÍNIMO , 1 vez por mês para ficar OFF - façam caminhadas ligeiras, deem um passeio de bicicleta, façam uma meditação, uns alongamentos, uns exercícios básicos... Esqueçam o tal desporto de competição uns tempos) .

Não é saudável nem é sustentável, especialmente se não fizeres disso a tua vida profissional.

Tenho colegas que à minha semelhança, lesionados há alguns tempos, continuam a treinar condicionados com medo de perder a forma... Mas estagnaram...

De que adianta treinarem condicionados? Não ganham nada com isso, senão ficarem frustrados por os resultados não aparecerem... Pior que isso, vão acabar por criar problemas que podem não ter solução...

 

E o post já vai longo :) 

 

Por isso quem estiver a ler, se se indentificar de alguma forma e se neste momento está de férias, aproveita para  dar uns dias de folga ao corpo. Deixa-o "engordar", deixa-o ficar de "papo para o ar", deixa-o respirar de alívio após meses e meses a pedir-lhe esforços insanos...

Ele merece, a tua cabeça merece...

Tirei esta foto após vir dos campeonatos e vinha muito animada :) . Custou no primeiro dia, no segundo já só pensava nos benefícios de ter parado e que vai valer a pena. Especialmente porque além do RESET ao corpo, está a ser uma desintoxicação à cabeça. Vou voltar com tudo, mas com regras.

O nosso bem estar precisa disto como precisamos de oxigénio para sobreviver.

 

E com orgulho acabo este post a dizer que estou super mega feliz por não estar a colapsar da cabeça por não correr e ansiosa por ir de férias com o meu namorado e passar uma semana só a desfrutar da vida, a passear, sem ter que me preocupar em acordar cedo para treinar ou sem me chatear com as calorias que vou ingerir. A vida não se resume a treinos e trabalho... A vida é tão mais que isso.

E dedico-te a ti este texto gigante (meu querido namorado), um pouco em tom de desabafo para agradecer o bem que me tens feito e que mesmo que aches que não, os teus conselhos vão entrando devagarinho a um pace de 7 minutos ao km na cabeça oca... Vão devagar mas vão fluindo. E claro pela GRANDE paciência que tens em me ouvires a chorar e a lamentar... Agradeço-te tanto, mas tanto, que não consigo pô-lo em palavras... Mas acho que lá no fundo tu sabes, mesmo que não acredites que não ligo nenhuma ao que dizes.

E posto isto boas férias <3

 

Sejam felizes ****

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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