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Aquela Runner Obcecada

Aquela Runner Obcecada

E um problema virou mil !

Boa noite ,

 

Há quanto tempo não vinha aqui... Infelizmente pelas razões óbvias... Estarmos em plena pandemia e ao acréscimo da pandemia, estarmos a viver uma outra realidade.

 

Apeteceu-me vir aqui hoje (venham os críticos, I can deal with it)...

 

Mas vou fazer um resumo da minha experiência com o menino vírus e o quanto ele me levou ao ponto em que estou hoje.

 

Plena pandemia, estava eu a preparar-me para fazer a minha primeira prova de 1500 metros. Sonhava com a maratona de Valência, a minha primeira... Um sonho... Nas notícias falava-se do vírus, da doença SARS CoV-2... Covid... Corona (whateaver)... Na altura não parecia nada de mais, aliás houve quem gozasse com isso e nem desse importância... Bem, eu fui uma dessas pessoas... 

Até que... Estamos em Março, é decretado Estado de Emergência em Portugal... Eis que alto! O pessoal começa a perceber que afinal isto é grave. Grave ao ponto de levar inúmeras pessoas para o desemprego, grave ao ponto de proibirem ver os nossos entes queridos, grave ao ponto de parar a economia, educação, eventos... TUDO! 

Nunca ninguém imaginou, que virar a página do calendário, trouxesse um ano tão atípico, em que uma pessoa se vê privada de coisas que tinha como garantidas... O ir dar um passeio na rua, o ir a uma festa de aniversário, casar... Baptizar, competir... Meu deus . Que vírus letal é este que nos rouba mais que a saúde física, nos rouba a alma, a razão de viver?

 

A verdade, e a minha pequena introdução ao vírus é apenas para justificar como uma coisa pode levar a muitas pequeninas coisas...

 

Em Março, decretava-se o Estado de Emergência, e eu, não sabendo o ponto em que podia afectar a minha família optei por não sair de Lisboa ... (só voltei a casa dos meus pais em Maio e a última vez que os tinha visto tinha sido no Natal de 2019)... É duro. 

 

Pandemia querida, que me fizeste estar isolada de amigos e família durante meses, que me viraste para a única coisa que me preenchia o vazio de não ter os meus e que me fazia, sentir no mínimo, livre ou normal... Obrigada pandemia por me virares ainda mais para a corrida

 

Em plena pandemia eu corri como uma tola. Bi diários para aqui e para acolá... Sentia-me perdida mas sentia alguma coisa, nem que fosse o cansaço ao fim de um dia mais em que só ouviamos corona, mortos, hospitais cheios, crise ... 

Parou tudo certo? Lá se foi o tratamento aos dentinhos... E com isso vieram as infecções, e com elas as dores...

E como se isso não fosse suficiente eu continuava a correr como uma perdida... Porque não sabia o que fazer. Mil comprimidos ali, alimentação má como de costume, e ainda piorou, porque ir aosupermercado era uma aventura. Encontrar uma cenoura ou uma latinha de atum era como encontrar uma agulha no palheiro. As pessoas enlouqueceram, e eu própria devia estar louca, na minha nuvem mágica porque, sozinha em Lisboa, o que fazer mesmo senão enlouquecer sozinha?

 

A verdade é que tudo começou com uma pandemia, e eu ainda hoje não me sinto bem... Não sinto medo de ser apanhada pelo vírus (e quem me quiser julgar, que o faça)... Eu tenho é medo da falta de respostas, do mal que isto está a fazer na cabeça das pessoas e no mal que está a criar nas famílias e nas crianças, nos idosos que estão no lar, e que mal ou bem, viviam de um pouco do carinho de quem os visitava...

A mim afectou-me psicologicamente ao ponto de se virar para o físico. Consegui dar cabo de mim com o stress e por me sentir deprimida. As pessoas na sua essência têm mecanismos para se sentirem melhor (ou comem, ou ouvem música, ou falam com um amigo...) Eu refugio-me na corrida ao ponto de a corrida me deixar fraca, débil e sem saúde... Março e Abril, fiz mais de 500 km em cada mês... Dores de dentes e muito ipofrubenno e clonix, porque dentistas nem vê-los , pelo menos em Lisboa... Safei-me com o Gonçalo e a Catarina (bem hajam) porque em Lisboa cagam-te de alto a cima, bem podes espernear na clínica, porque só fazem teleconsulta . 

 

E eis que chegamos a Maio... Levantou-se o estado de emergência e voltamos a trabalhar (felizmente). Eu só queria trabalhar... Mas levei demasiado a sério tal tarefa que hoje estou, bem, para não dizer uma asneira... Literalmente destruída.

Em Maio atingi um ponto de ruptura, comecei a sentir fraqueza, falta de ar e quase a desmaiar nos treinos... Bem lá foi a menininha às urgências, fiz o exame ao COVID para despistar e voltei a tomar ferro e mais umas coisas, porque lá se suspeitou da anemia. Nessa altura parei uma semana de correr...

Eis que, volvida uma semana, já me sentia melhor, vou fazer a minha primeira corrida... E fui ambiciosa ao ponto de espetar 20 km a 4'09 .. Oh corajosa... Senti-me razoalvelmente bem... Mas só isso. Eis que na semana a seguir me aperecem duas lesões... Boa ... Resolves o problema das entranhas mas consegues fazer duas belas lesões. Quem nunca certo?

Após... 

 

Mais uma semana de molho...

 

Andei algumas semanas bem, depois de atinar com alimentação e treinos, eis que os dentes resolvem dar o ar da sua graça novamente... 

 

E porque quero falar nos dentes? Os dentes foram os responsáveis por eu estar aqui a digitar mil palavras, um pouco dispersas, porque sinto raiva. A culpa é inteiramente minha mas começou com os dentitos... Os dentitos que não tiveram assistência porque (covid), e eis que ganhei infecções ao ponto de andar com enxaquecas e não conseguir alimentar-me bem. Claro, e eu já comia bem de mais certo?

Em suma ... Excesso de treino, lesões, parar, voltar, parar, recuperar, descansar, não descansar... 

Os meus dentes obrigaram-me a parar, porque tinha dores que já não se controlavam com medicação e porque falo nisto , num dia, eu tomei 6 clonix, 2 paracetamol, um brufenn e o antibiótico... e tinha dores daqui até à lua. Sentia-me tonta, sentia vontade de bater com a cabeça nas paredes... Em contrapartida não tinha uma dor muscular... Mas enquanto lá doía menos eu treinava igual, porque queria, porque me sentia com essa necessidade...

Eis que resolvo o problema dos dentes... Nem é bom recordar a experiência mas se um dia quiserem saber perguntem... A minha única dica é ... escolham bem o vosso dentista. 

 

Entáo dentes ok ! Super check. Volvida uma semana tudo mega ok.... Sentia alguma fraqueza mas nada de especial...

Eis que , oi pernaaaaa. Alto que dói chuchu. Fonix. Mas o que fiz eu para merecer isto? Bem devo ter nascido para me queixar e ser mártir ( e hey, não é nada disso, quero apenas alertar, mas já lá vamos....). Ia ter a minha primeira competição depois de meses sem competir, mas não, após correr 9 km a 5 e sentir dores optei por parar ...

 

Bem, Miriam consciente, decide parar e ver o  que tem a perna, porque suponhamos, eu em 2018 fiz uma bela fratura e não  gostei nada... Portanto, Miriam tens 28 anos, comporta-te como adulta, ou pelo menos tenta.

Decidi fazer uma ecografia e para bem dos meus pecados, como parei uma semana já não estava mal de todo. Uma pequena inflamação dos tendões,  e boas notícias, melhorava a correr. Festejei tanto nesse dia e ainda mais bem comportada, só decidi correr no dia seguinte (até porque sentia-me de rastos). 

Por claras razões, não quis cometer o erro de voltar a treinar à maluquinha e começar com séries e treinos fortes e fui treinando... Mas continuava a sentir -me fraca... Comecei a tentar dormir mais... Não conseguia... Demasiado absorvida com o trabalho no tribunal e com as preocupações do dia-a-dia... (pagar contas, etc e afins e uma panóplia de lista de coisas para fazer)...

Cansaço extremo como nunca senti... E quanto mais penso nisso pior é... Mas sabia que não estava bem... Porque antigamente, mesmo que dormisse 3 horas, eu conseguia levantar-me da cama e ir treinar... E ultimamente não. Não era preguiça... Quem me conhece e percebem pelo ante descrito dos meus últimos meses, é que de longe sou preguiçosa... Eu não tinha forças para me levantar... Sentia tonturas às vezes no trabalho quando me levantava de repente... 

 

Bem , e aproveitei, que vinha 4 dias de férias para fazer umas singelas análises... Análises nada animadoras mas que são uma chapada de luva branca na cara ( até a minha avó deve ter análises melhores suponhamos).

 

Isto tudo para dizer e não, não me quero de todo justificar, a culpa é minha e assumo-a, mas acredito que se nunca tivesse havido esta maldita pandemia as coisas podiam ter sido diferentes... Porque eu reago às coisas de forma pesada, ou seja, eu levo o meu corpo à exaustão quando estou sujeita a um nível de stress tão grande que a única coisa que consigo fazer para relaxar é caminhar, correr, saltar... Já que beber um chá com uma amiga pode ser perigoso... 

 

I know, estou a exagerar, mas eu em suma, estes meses foram todos para o lixo, e acho que os próximos irão pelo mesmo rumo se eu não "crescer"...

 

Não me lembro de estar com uma anemia tão aguda como esta, em que nem força tenho para sair da cama, em que por muito que coma parece que não sai energia... Quem tiver anemia, vai entender o frustrante de só caminhar 10 metros parece uma maratona... E a verdade é que eu tenho treinado estes dias, tirando ontem, em que não tinha qualquer reacção, dormi o dia todo... 

Hoje fui, já passava do meio dia, e eu, batavalha-me na minha cabecinha... Estás claramente "doente" mas vais. E eu vou porque vou porque sim e porque eu é que mando... E fui... E sofri, e chorei a correr, e parei, e faltou-me ar, e porque sentia que ia a carregar duas de mim, e porque vi tudo meio nubelado... Durante esse treino pensei em mil razões para parar e apenas uma para continuar...

 

O saber que não estás bem é óptimo, mas o não saber como deves agir para ficar bem é horrível... Aliás tu até sabes... Mas não conheces outra forma de agir, não sabes como é lidar com uma doença porque nunca curaste nenhuma, pelo menos por ti. 

A Miriam... Nunca conheceu uma forma diferente de lidar com as coisas, porque apenas tinha de lidar e pronto.

 

Quando tive o acidente de kart e fraturei a coluna, a minha reacção foi : eu tomo um bruffen que passa (mal sabia eu que tinhas 3 vertebras partidas e quase a furar-me a medula), mas eu só queria ir trabalhar... porque precisava de dinheiro e tinha uma responsabilidade.

Tendo sido operada, e passadas nem duas semanas, andava eu a trabalhar (precisava de dinheiro para pagar a universidade) e eu precisava de viver a minha vida...

Passados uns aninhos em que comecei a ter problemas com ter ferrinhos nas costas (sou operada novamente), não satisfeita ,passadas duas semanas volto a correr e também com anemia ... e com isso perco 10 kg.

Corri com febre, já trabalhei com problemas graves no estomago e febres altas, já fiz uma corrida do início ao fim ( e "borrei-me" toda no sentido literal da palavra, mas acabei a prova)...

 

Corri sem energia e com falta de ar e mesmo ter parado por diversas vezes, mas lá conclui o treino mesmo sem fôlego...

 

Hoje escrevo isto para bater bem forte quando o escrevo, para entoar na minha cabeça, e para que alguém que esteja a passar por algo idêntico se reveja e pare antes que seja tarde. Escrevo porque sinto raiva de não conseguir por vezes lutar com a cabeça... Como é que alguém, com as respostas certas, consegue fazer tudo ao contrário? É como teres um teste e teres as respostas ao lado, mas escreves aquilo que tu achas que é correcto... Eu sou assim. Sei tudo mas não sei nada, sei a minha realidade e sei o quão angustiante é sair da realidade confortável que conheço. 

Por isso é que digo, eu medo do vírus não tenho... Mas tenho medo da incerteza. Honestamente é o que me dói mais... Não saber quando isto vai acabar, se algum dia podemos voltar à nossa antiga vida, que não era perfeita nem era nada de especial... Mas do mal ao bem, podíamos estar com as pessoas, abraçar quem gostamos, falar sem tapar os rostos... 

 

Hoje vivemos uma pandemia do medo, um medo inglório... As pessoas a voltarem-se umas contra as outras, a criticar o terceiro... A criar teorias da conspiração...

 

Bem... 

 

 

Em suma, o texto já vai longo, eu quero apenas dizer que, cuidem-se individualmente, sejam egoístas, tratem da vossa saúde, porque isso também fará com que estejam saudáveis para quem vos rodeia...Estejam saudáveis, pois não sabemos o que aí vem...

 

Infelizmente eu não estou saudável, não estou infectada, mas estou claramente vulnerável, por minha responsabilidade, por isso...

 

Be safe...

 

E se alguém que me leu este desvaneio deixe um comentário, mal não seja dicas de como lutar contra a anemia .

 

 

XXXX

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