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Aquela Runner Obcecada

Aquela Runner Obcecada

#InstaRunner's - Alexandre o Grande

 

Olá, sou o Alexandre, tenho 40 anos, casado e com dois filhos gémeos (os M&M), sou gestor e no meu IG @alecmm76 podem seguir os meus treinos, provas e também fotos do dia a dia dos meus filhos. Podem conhecerem um pouco da minha história enquanto corredor aqui: https://www.instagram.com/p/BJ8f-rqBUG-/

 

 

 

Quando começaste a correr e porquê?

Comecei a correr de forma frequente no dia 4 de setembro de 2012; nos 3 anos anteriores já tinha feito alguns treinos de corrida, mas duravam duas ou três semanas no máximo e depois era capaz de passarem 6 meses sem voltar a correr.

Porque comecei e porque me lembro do dia exato? O verão de 2012 culminou com dois anos e meio de muito stress, uma vez que além do trabalho, a minha vida pessoal mudou completamente quando em janeiro de 2010 nasceram os meus filhos. Tanta solicitação e uma vida quase sem “escapes” fez com que em julho de 2012 sentisse, ao subir dois lances de escadas no trabalho, uma grande dificuldade em respirar e o coração “aos saltos”, o que não achei nada normal, visto que nunca tive excesso de peso e até jogava futebol uma vez por semana. Mentalizei-me que devia ter algum problema grave, marquei logo uma consulta de medicina geral, cerca de uma semana depois tirei um dia de férias para passar o dia inteiro no Hospital da Luz a fazer exames a tudo e mais alguma coisa (prova de esforço incluída) e no final o veredito da médica foi… está cansado, vá de férias! E arranje algo que lhe permita fazer mais exercício e que funcione como um escape. Após as férias em agosto e depois de ponderar o que poderia fazer, decidi então começar a correr, se possível duas a três vezes por semana, receoso que mais cedo ou mais tarde desistisse como anteriormente. Felizmente não aconteceu e desde então já lá vão mais de 4 anos e 7.000 kms.

 

Quantas vezes corres por semana? Nº de quilometragem semanal.

Depende, se estiver a preparar uma prova são 4 treinos, normalmente às terças, quintas, sábados e domingos; se não estiver a preparar nenhuma prova são duas a três corridas semanais. A gestão dos dias de treinos é negociada com a minha mulher, visto que ela faz ginásio três a quatro vezes por semana e eu nem sempre consigo correr logo de manhã.

Quanto à distância também depende da prova, mas atualmente é muito raro correr menos de 50 a 60km semanais.

 

O que sentiste a nível de saúde com a corrida?

O que notei que melhorou bastante foi a forma de encarar as situações no dia a dia, com a corrida senti que pondero melhor as coisas; a nível físico obviamente estou com uma resistência muito maior, principalmente desde que treinei para o objetivo concretizado da Ultra Maratona Caminhos do Tejo, em junho deste ano – aliás costumo dizer que estou na melhor forma física de sempre e que só tenho pena de não ter começado a correr há mais tempo.

 

 

Sobre lesões a correr. Já tiveste? Quais e porquê?

Felizmente só tive uma e que não foi grave; foi em maio de 2014, quando num treino longo comecei a sentir dores no joelho direito. A questão é que essas dores só surgiam depois de fazer 20 a 25 kms, pelo que na maior parte dos treinos não as sentia. Todavia e depois de concluir a minha segunda maratona (em junho desse ano) decidi ir a um ortopedista que só de me ouvir deu-me logo o diagnóstico – era problema no menisco e muito provavelmente teria de ser operado! Felizmente o RX veio demonstrar que o problema não era assim tão grave, fui diagnosticado com síndrome da banda-iliotibial (incrível, o médico achou normal ter-se enganado no diagnóstico) e para procurar um fisioterapeuta. O que consultei e após avaliar o RX, considerou que eu nem fisioterapia necessitava e que bastaria ter mais cuidado com os alongamentos no fim do treino, sendo que até hoje nunca mais me ressenti desse problema.

 

O que pensas em complementar outros desportos com a corrida? 

Acho um “mal” necessário… Na corrida encontrei o desporto perfeito para mim, sem horários e sempre disponível para o fazer, independentemente onde esteja. A grande maioria dos outros desportos têm outras condicionantes, nomeadamente de horários – daí eu os ter classificado como um “mal”. Não sou um adepto ferrenho de toda a atividade física, mas quando encarei o desafio da ultradistância percebi que tinha de complementar o treino com reforço muscular e mais de 10 anos depois regressei a um ginásio. Aguentei três meses e definitivamente não vou regressar. Vou fazendo alguns exercícios em casa nos dias em que não corro, mas sei que é insuficiente e provavelmente estou a limitar a minha performance, mas não vou fazer coisas por obrigação. Comprei agora uma bicicleta e vou usá-la para substituir alguns treinos de corrida por ciclismo, pois andar de bicicleta para mim é como sair para espairecer e nem vejo aquilo bem como um treino. Natação fiz durante meia dúzia de meses em 2015, antes da Maratona de NY, e talvez regresse para de vez em quando ir dar umas braçadas, mas definitivamente gosto é de correr.

 

Costumas correr em provas? Porquê?

Costumo, as provas são o momento ideal para veres se o treino dá resultados. Nos primeiros dois anos inscrevi-me na maior parte das provas mais emblemáticas da Grande Lisboa, pois adoro o ambiente que se vive no pelotão de uma prova, e havia sempre a vontade de descobrir se conseguia fazer melhor do que na prova anterior.

Mas a partir do momento que comecei a correr a maratona, apercebi-me que era um outro campeonato, os treinos até corriam bem, mas acabava a prova completamente de rastos e sem vontade de repetir aquilo. Foi assim nas três primeiras, tanto que no final da Maratona do Porto de 2014, decidi que no ano seguinte apenas me dedicaria a provas mais pequenas. Em janeiro de 2015, por piada, inscrevi-me no sorteio da Maratona de Nova Iorque e contra todas as minhas expetativas, em março recebo a informação que tinha sido selecionado! Claro que não poderia ir à maior maratona do Mundo, a prova de sonho para muitos dos que corremos, sem a preparação devida e acabá-la em sofrimento. Esse momento foi claramente um ponto de viragem, treinei com método e de uma forma como nunca tinha feito e a confiança estava tão alta que 15 dias antes de NY faço a Maratona de Lisboa e tenho um resultado de 3h25m, meia hora melhor que o meu anterior recorde. Fui para NY completamente descontraído, vivi e senti uma prova como nunca, aquele ambiente é qualquer coisa…

E para quem um ano antes equacionava nunca mais correr uma maratona, de repente fazia duas em 15 dias e sentia-me muito bem! Foi quando decidi avançar para a ultradistância e agora sei claramente que é nesses desafios extremos que me quero focar, pelo que no futuro a seleção das provas será muito mais restrita. Já ando a pensar no grande desafio de 2017…

 

Suplementação na corrida? Sim ou não. Diz a tua opinião.

Sim, no essencial que cada um necessite. Tomar mais suplementos, sem muito critério não tem qualquer sentido e até pode ser prejudicial, agora se tiveres bem identificadas as situações em que a suplementação te pode ser benéfica, considero que se deve fazer.

 

O que é te faz calçar as sapatilhas e sair à rua para correr?

Claramente o ir mais longe, cada vez mais longe… Procurar, desafiar e ultrapassar limites. Tudo o resto é importante (manter a forma física, ter um escape do dia a dia, o convívio), mas na minha cabeça está sempre a pergunta: consegues chegar lá?

 

Sentes que existe alguns preconceitos nas provas de atletismo quando comparamos mulheres e homens?

Nunca senti, de todo. Nem faz qualquer sentido para mim.

 

A família e amigos apoiam-te na corrida? Se não esclarece porquê?

Julgo que passámos todos por isso nos primeiros meses ou até anos, que é aquele julgamento bacoco do “Porque é que aquele tontinho corre tanto?”. Depois a família e os amigos verdadeiros percebem a importância que a corrida tem para ti e passa a ser natural. E se os quiseres mesmo envolver, é levá-los a uma prova, estarem lá apoiar-te e apoiar pessoas que não conhecem de lado nenhum, desarma de vez qualquer relutância que tenham relativamente ao teu amor pela corrida. Um dos melhores momentos que vivi em prova foi antes da chegada ao último abastecimento na Ultra Caminhos do Tejo, em Minde ao km122. Assim que saio do trilho, o fotógrafo vê o meu nome no dorsal e diz-me “Bem, tens ali um grupo de amigos no abastecimento que é um espetáculo!”. A festa que eles estavam a fazer deixava toda a gente animada e o bom que é sentir esse apoio, para mais em provas destas caraterísticas! E claramente o melhor momento que vivi, foi passado umas três horas quando cheguei à meta, e além desse grupo de amigos tinha a minha mulher e os meus filhos à espera – assim que entro na praça onde estava instalado o pórtico da meta, desatam todos a cantar-me os parabéns (fiz 40 anos nesse dia), foi completamente arrepiante!

 

Qual é o teu objetivo quando corres? 

O mesmo do que me perguntas antes sobre o que me faz sair para a rua correr.

 

Se tivesses de dar 3 conselhos a quem quer começar a correr, quais seriam?

Primeiro ajustar as expetativas sobre o que se pretende com a corrida – p. ex. ajudar a perder peso ou querer fazer pela primeira vez uma prova –, e falar com alguém que já corra há pelo menos três anos para pedir conselhos práticos. Segundo não desistir com as primeiras contrariedades, que vão acontecer e que são o motivo pelo qual a maior parte desiste. Terceiro, não ir logo gastar dinheiro nas sapatilhas XPTO ou no relógio YZW, pois não é o que vestes, calças ou usas que fazem de ti melhor corredor.

 

Estrada ou Trail?

Estrada. Já fui mais fundamentalista quanto a este aspeto, mas continuo a ter preferência pela estrada, sendo o meu conceito de estrada mais abrangente – podem ser caminhos secundários, estradões de terra batida. Percebo a beleza de alguns caminhos e paisagens que se encontram no trail, mas considero que algures se esqueceu que “trail running” significa “corrida de montanha” e hoje em dia no trail corre-se muito pouco, basta ir a qualquer prova (e eu não fiz muitas) para perceber que as pessoas vão para caminhar e apreciar a paisagem… Nada contra, mas para isso há outras opções. Será também porque as provas de trail têm um grau de exigência não compatível com a falta de preparação de muitos participantes?

 

Alguma prova especial, corrida preferida no calendário das provas? Se sim porquê?

A minha prova preferida é sempre a próxima, pois adoro ter um objetivo para o qual treinar e trabalhar para poder superar. Pelas respostas anteriores, é fácil perceber que das que já fiz, a Ultra Caminhos do Tejo e a Maratona de NY têm um lugar especial nas minhas memórias.

 

E por fim,

 

Se tivesses de desistir de correr porque seria?

Terminar com uma pergunta tão negativa?... Nem quero pensar nisso! 

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