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Aquela Runner Obcecada

Aquela Runner Obcecada

Sobre Auto-Estima e Amor-Próprio

Há coisas que me tiram do sério. 

 

 

Ontem estava a ler um post da Jéssica Athaíde que foi há uns tempos criticada pela sua forma física no desfile. E eu pergunto-me? Que sociedade é esta que alimenta a gana de que não se é suficientemente gordo ou magro para fazer algo? Espanta-me o quão medíocres são as críticas das pessoas, especialmente se forem celebridades, a coisa fica ainda mais preta. Mas indirectamente essas pessoas que tanto apontam o dedo e remetem a falhas que só existem nos seus olhos imundos de inveja, afectam tantas pessoas. 

jessica.jpg

 

Eu sofri na pele este paradigma, sim quando a minha tia me disse que precisava de perder uns kg, eu busquei forma de justificar que não procurando corpos de modelos. Na altura descobri a kate Moss, porque segundo os media, as outras modelos mais avantajadas não eram dignas de passarela, mas ah até tinha um belo rosto, mas o corpo não acompanhava o resto...

 

Eu me questiono como é que as pessoas conseguem ser cruéis ao ponto de defender como devemos parecer na sociedade, é certo e sabido que a imagem conta muito nos dias de hoje, mas não é tudo e não deve significar exclusão...

 

Quantas mulheres ou homens que sofrem de excesso de peso são descartados nas entrevistas de emprego devido ao seu peso? Quantas pessoas, por alguma circunstancia da vida sofreu um acidente, ou nasceu com uma condicionalidade que a faz ser diferente são descartadas? Eu não estou a generalizar, mas é certo é que somos julgados todos os dias.

 

Todos os dias existe alguém que te olha e observa, pode nem se notar nem tu há-des reparar, mas as pessoas comem-te com os olhos. Observam-te, porque no fundo nos somos uns animais, escravos da moda e escravos da publicidade. Quantos e quantos casos de miúdas e rapazes também que sofrem de distúrbios alimentares, que sofrem de bulling na escola porque são pobres ou ricos, porque se vestem mal, porque são gordos ou magros, porque têm medos e gozam com eles... 

 

Ser humano não devia respeitar os iguais, ajuda-los a erguer-se do buraco onde estão e sermos mais fortes? Não, na vez disso escolhemos ser mesquinhos, pobres de espírito e buscando teorias na wikipedia... Como fez uma senhora no blogue da Jessica, a dizer que ela se é actriz não é modelo não tem corpo de modelo, logo é gorda demais para vestir a roupa, pois o que vai chamar a atenção às banhas e não à roupa que se pretende vender...

 

A sério? Gorda? Imaginem agora milhares de mulheres que invejam o corpo desta mulher (que de gorda não tem nada a não ser o talento), observam as críticas dos media e depois se questionam, qual o corpo perfeito... A Carolina Patrocínio, é anoréctica como dizem as pessoas, faz deporto durante a gravidez e reportam-se a ela como allien... Coisas que se lêem por aí. ..

 

Eu já fui ... Cheinha...

Já fui esquelética

Agora sou o quê? 

Até já receio o que possam dizer... Até começoa  ver as minhas fotos, será que estou gorda, magra, depilada, com acne, com pés de galinha... Enfim

 

As pessoas que criticam fazem isso para seu belo prazer, porque elas próprias não sabem o que é ter amor próprio... Não sabem observar ninguém realizado e guardar para si a inveja que perpetuam nos seus pensamentos. Buscam o seu prazer no sofrimento dos outros, porque meus caros, palavras doem mais que bofetadas na cara. As palavras corroem a nossa cabeça e ideias, e  os nossos pensamentos felizes dão azos a pensamentos depressivos e auto-destrutivos e eis que mergulhamos no comportamento padronizado das pessoas, vamos na maré. A tentar ser algo que no fundo não queremos, mas porque a sociedade assim o impôs e temos medo de ser excluídos...

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E eu penso...

 

Onde está auto-estima das pessoas?

 

Para mim ter auto-estima, significa ter confiança, ter orgulho, exibir o corpo seja de que forma for, na sua plenitude e glória, com saúde, um corpo feito para viver, para experienciar  a vida, para correr, pular, desfrutar. O nosso corpo é uma vitória, ele acompanha a nossa alma desde o primeiro dia do nosso nascimento, dita as regras e tenta sempre lutar. Se adoecemos, o copo aguenta a dor, se temos de trabalhar é-o corpo que o faz, se temos de fazer algo é o copo que faz... A nossa cabeça comanda o corpo, mas o corpo é que paga... Se o vosso corpo é vosso fazem dele o que quiserem, não queiram ser alguém que não são, o que nos torna únicos, é sermos nós próprios, e é isso o amor-próprio. Não de derrotem pelas palavras, derrotem-mas, porque de onde elas vêm não um pingo de glória e humanidade, há alguém fútil e burro na plenitude da sua palavra...

diversidade-1.jpg

 

 

Porque nós somos o que quisermos ser, ninguém deve ser forçado a reconstruir-se a não ser que o queira, ninguém é perfeito, somos seres efémeros, então porquê perder tempo a não nos amar?

 

Se te disserem... 

És gordo (a)!

Responde que pelo menos podes emagrecer, e que a estupidez não tem cura.

 

Essa roupa fica-te mal!

Quero lá saber, a ti não ia ficar melhor e eu sinto-me bem com ela.

 

És escanzelada! Precisas de uns bons bifes para encher as peles.

Aproveita a viagem e traz-me uma bola de berlim para te enfiar nos olhos. Não gostas, não olhes.

 

Tens tantas borbulhas? Sabes o que são cremes?

Sei e uso. E tu, não usas um creme para colar a boca? 

 

Se perdesses uns quilinhos, ficavas melhor...

E se me apetecer engordar uns gramas? Também ficas feliz? Se perdesses mais tempo noutras coisas também era bom.

 

 

Quando alguém vos ofender, usem o bom da palavra. Não se calem nem respondam na mesma moeda. sejam fiéis a vocês. O que nos torna diferentes e únicos, é a nossa capacidade de resistir a estes comentários e passar por cima, é sermos fortes, é ter o equilíbrio certo para sermos felizes. Ninguém deve ser punido pelo aspecto. Obeso, magro, esquelético, preto, branco, amarelo, baixo, alto... Não interessa, interessa é não descarrilar com a humanidade que critica nas suas páginas rosa, esquecendo  a verdadeira essência do ser -humano.... Que é VIVER.

 

E vocês, como está a vossa auto-estima?

 

 

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