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Aquela Runner Obcecada

Aquela Runner Obcecada

Sobre compulsões alimentares, uma consequência

Hoje falo num tema que para mim é delicado, mas que achei que devia ser honesta ao ponto de escrever sobre ele. 

Eu faço uma alimentação regradada, mas também tenho dias em que a restrição é muito grande. Quando são esses dias? Os dias que não treino obviamente. Mesmo em dias em que treino, a "voz da anorexia teima a dizer para não comer hidratos. E acho que só me tenho prejudicado a longo prazo. No domingo fui correr em Macieira de Sarnes, e fiquei abismada com uma das fotos. Pode ter sido um mau momento em que me apanharam, pois já estive a ver fotos em que não estou mal na barriga nem em lado nenhum. Até vou bem, para quem ia cheia de dores. 

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Foi esta foto que me destronou e me fez chorar todo o domingo ... 

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Mas sei que tenho andado com uma alimentação meia estranha... Ora como hidratos, ora não como, ora, só como ovos e não como carne ou peixe... Bem ando nisto. Sobrecarrego o meu corpo com macros a mais e noutros a menos. Depois o que provoca a restrição de hidratos? Bem, tem dias em que acordo às 3:00 da manhã para ir à cozinha e comer. O positivo nisto é que não fico ali a comer. Vou petiscar qualquer coisa. No outro dia, fui buscar uma bolacha com recheio de chocolate, e depois bebo leite normal, que me incha por completo. Deixei de beber leite no dia-a-dia, mas no entanto à noite bebo-o. E não bebo pouco. 

 

As minhas compulsões não foram sempre assim, já foram bem piores. Mas nunca vomitei. Desde que vim morar com o meu namorado, reduziram bastante, pois não posso andar sempre a acordar e a ir à cozinha. Quando vivia com os meus pais, chegava ao ponto de até pão duro comer. Bebia leite achocolatado, comia queijo, restos que houvesse do jantar...

 

Depois de ver essa minha foto pensei em muita coisa. Devia levar uma alimentação normal, balanceada, com espaço para tudo. As pessoas comuns fazem-no, e muitas delas nem fazem desporto. Eu tenho fantasmas que me assombram a cabeça. Tenho a racionalidade de pensar no que é errado e sei quando estou errada, porém tenho uma parte de mim, em que a voz manda e eu mal consigo controlar. Já tive recaídas e tudo mais. Já estive muito magra, já estive no meu peso máximo. Não é fácil não ter uma relação funcional com a comida. Eu quando treino penso muito pouco nisso, a minha relação é mais funcional, mas quando restrinjo muito, a coisa muda. A relação com a comida pode ser de medo e depois auto-recompensa.

 

Ontem depois de bater com a cabeça, decidi dizer: BASTA! Durante uma semana vou ver como o meu corpo reage. Não vou acordar a meio da noite para comer ( acordo só para ir à casa de banho). Vou ter uma alimentação certa. Introduzir hidratos qb, proteína qb, vegetais. Fruta. Sim há pouco tempo também fiquei neurótica com a fruta e também não a comia... Isto vai me prejudicando por fases. Vai-me deitando abaixo. Faz com que pareça algo que não sou. Eu sofro sim de compulsões. Mas já chega. Preciso de equilibro na minha vida. Não posso viver sempre com base no que vivi no passado, angustiada com o peso, com a comida, com calorias... Procuro ter estabilidade na vida, pois eu não sou garota nenhuma para ter neuras. 

 

Esta semana vou colocar este desafio em mim. Vou ter uma alimentação normal e estável, sem compulsões à noite, sim isto só acontece à noite, pese embora em quantidades ridículas.

 

E hoje foi sobre isto.

 

Ter tido a anorexia foi uma experiência devastadora, fazia 6 a 7 refeições por dia, quase sem calorias. Em cada 7 refeições fazia exercício. Passava 3 horas do meu dia a dormir, e as restantes na escola e a treinar. Vivia para isso. Não quero viver sempre com isto. Agora novamente complexada com o meu corpo, com a mania de me comparar a atletas profissionais, pois ambiciono chegar perto do nível delas... Eu sou assim, verdadeira  e clara. E precisava de o partilhar, e com esta partilha sei que ficarei mais forte para enfrentar este desafio, de ser normal, pelo menos uma semana, para depois assim chegar ao fim e dizer, eu consegui e irei continuar a  lutar.

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